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domingo, 3 de abril de 2016

A maconha será liberada no Brasil?

Por Demétrio Magnoli.
Folha SP - 20FEV


Ilha da negação

Enquanto escrevo, ali perto, à beira do rio, a maconha corre solta. Suponho, pelas aparências, que nesse povoado de praia no sul da Bahia, entre locais e turistas, só eu não fumo baseado. Logo mais, o Canadá se tornará o primeiro país do G7 a legalizar o comércio de cannabis. Nos EUA, a Califórnia apontou um caminho, permitindo a venda da droga para finalidades médicas. De 1996 para cá, 22 Estados, além do Distrito de Columbia, adotaram o estratagema, que funciona como disfarce para a plena legalização. No horizonte de um ano, provavelmente a proibição cairá em mais oito Estados. Na América Latina, depois do Uuguai, os parlamentos do México e da Colômbia preparam-se para derrubar as leis que criminalizam a mais consumida das drogas ilegais. Uma ilha de negação: em pouco tempo, eis o que o Brasil se tornará.




A The Economist (13 de fevereiro) compara os modelos regulatórios para o comércio de maconha implantados nos Estados americanos do Colorado e de Washington. No primeiro, a opção por uma tributação baixa deriva da prioridade de asfixiar o comércio ilegal. No segundo, a opção oposta responde ao objetivo central de desestimular o consumo. O debate informado sobre a cannabis ultrapassou os argumentos clássicos do proibicionismo, que enfatizam os efeitos da droga sobre a saúde e a falsa suposição de que ela induz ao consumo de substâncias ilegais mais danosas.



A maconha faz mal, mas drogas legais como o tabaco e o álcool têm efeitos tão prejudiciais quanto ela, ainda que diferentes. As correntes anti-proibicionistas refletem a experiência da "guerra às drogas". Elas aceitam o fardo, meramente hipotético, de que a legalização provoque algum aumento do consumo, em troca da supressão dos custos sociais da repressão ao tráfico ilegal. Na América Latina, onde se estabeleceram poderosas organizações do narcotráfico, o argumento para o encerramento da era proibicionista é ainda mais convincente. Da criminalização decorre o encarceramento ritual de pequenos traficantes, o desvio de esforços policiais para o combate a uma prática disseminada, os incentivos financeiros à colaboração de policiais com o crime e, sobretudo, a reserva de um mercado bilionário aos cartéis do tráfico.



A legalização da maconha não é uma varinha mágica. O tráfico criminoso opera com diversas drogas ilegais, especialmente a cocaína e, no caso do Brasil e outros países, o crack. Contudo, o comércio de cannabis representa cerca de metade de um mercado de drogas que movimenta em torno de US$ 300 bilhões ao ano. Uma radical redução das rendas seguras da venda de maconha assestaria um golpe significativo nos cartéis do tráfico. No México e na Colômbia, é esse cálculo pragmático que sustenta o projeto de legalização. O proibicionismo nos EUA provavelmente cairá devido à sua progressiva erosão no âmbito estadual, mas a estabilização geopolítica do México e da fronteira sul deveria funcionar como argumento para a legalização da maconha na esfera federal.



Uma ilha nas Américas. No Brasil, o tema da maconha estiolou-se num debate patético sobre a ideia de descriminalização exclusiva do consumo. A proposta imoral, marcada por um corte de classe evidente, é tirar a polícia do encalço dos consumidores do "asfalto", enquanto seus fornecedores do "morro" continuam sujeitos à perseguição. Trata-se de conservar as prerrogativas e o poder de policiais-bandidos e de narcotraficantes na "guerra às drogas", oferecendo um especial salvo-conduto aos jovens de classe média interessados apenas em algumas horas de recreação. Cenografia: na nossa ilha mental, tudo gira em torno do imperativo de limpar a sujeira que respinga sobre as fachadas.

A guerra à maconha aproxima-se de seu outono. Por aqui, enquanto os baseados passam de mão em mão, persistimos em financiar as armas do crime. Até quando?

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Perguntas que não se calam

Por Nelson Motta.
O Globo
Perguntas que não se calam
Com uma imensa população que adora futebol, grandes redes de televisão, patrocinadores poderosos, excelentes estádios, fartura de jogadores, o Brasil seria o mercado ideal para investimentos muito lucrativos no futebol profissional. Até nos Estados Unidos e na China o business do futebol está bombando. Por que os clubes brasileiros estão quebrados?

O pré-sal foi anunciado como o nosso “passaporte para o futuro” e houve briga acirrada pelo butim antes mesmo de extraída a primeira gota. Com o barril de petróleo a 30 dólares e os altos custos de produção do pré-sal crescendo, logo a exploração vai custar mais caro que a venda.

Arte de MARCO AURELIO


Mesmo sendo presidente da Petrobras durante a roubalheira institucionalizada, mesmo que os seus diretores e os seus maiores fornecedores estejam presos, José Sérgio Gabrielli ainda não foi sequer indiciado na Lava-Jato. O que a razão e a lógica não explicam, talvez só o esotérico possa responder: qual é o terreiro baiano que protege tanto Gabrielli?

Por que políticos ladrões acham que roubar para o partido, a campanha, o projeto, é mais nobre do que para si mesmo, se o dinheiro da corrupção servirá para fraudar o processo eleitoral e a democracia, roubando dos outros candidatos e de toda a sociedade o direito a eleições justas? Para criminalizar de verdade o caixa dois, os roubos para fins políticos deveriam ter uma agravante de um terço da pena, pela amplitude dos danos que provocam.

Arte de NANI


Como o setor público tem tantas vantagens funcionais e aposentadorias tão generosas, não seria justo que os funcionários que usem seus cargos vitalícios e seus poderes para roubar também tenham as suas penas agravadas?

O sociólogo petista Jessé Souza, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), diz que a culpa da corrupção é do capitalismo. No socialismo e no comunismo não se rouba? Mais Estado, mais corrupção.

Arte de SPONHOLZ


Por que o governo federal e o estadual, em época de penúria da Saúde, não tem vergonha de seus orçamentos milionários de (auto)publicidade, que não sofreram cortes? Para nos dizer, com nosso dinheiro, que somos idiotas?

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O Brasil ainda é o paraíso dos corruptos

Por Deltan Dallagnol para o UOL Notícias


Brasil é o paraíso da impunidade para réus do colarinho branco
Vivemos no paraíso da impunidade dos colarinhos brancos. A pena da corrupção, no Brasil, é uma piada de mau gosto. Embora a pena máxima, de 12 anos, impressione, a tradição nacional orienta que a punição fique próxima à mínima, que é de 2 anos.



Uma pena inferior a 4 anos, quando não é cumprida em regime aberto, em casa e sem fiscalização (na falta de casa de albergado), é substituída por penas restritivas de direitos – ou seja, prestação de serviços à comunidade e doação de cestas básicas. Para piorar o cenário, decretos de indulto natalino determinam a extinção dessas penas após apenas um quarto delas terem sido cumpridas, ainda que penas alternativas não gerem superlotação carcerária, a qual o indulto, em tese, buscaria remediar.

Além de ser baixa, a pena raramente é aplicada contra colarinhos brancos. Ela prescreve. Advogados habilidosos, contratados a peso de ouro – do nosso ouro, desviado dos cofres públicos – manejam petições e recursos protelatórios sucessivos até alcançarem a prescrição e, consequentemente, a completa impunidade dos réus. O sistema estimula a barrigada.



Nosso sistema prescricional, aliado ao congestionamento dos tribunais, é uma máquina de impunidade. Somos o único país com quatro instâncias de julgamento, que abrem suas portas à bem manejada técnica recursal. Dentro de cada uma, são possíveis novos recursos, alguns dos quais se repetem sem fim. Enquanto a Corte Suprema americana julga cem casos por ano, a nossa julga cem mil casos por ano.

A prescrição criminal foi criada para estabilizar relações sociais diante da inércia do autor da ação penal, mas hoje ela funciona como uma punição do autor e, consequentemente, da vítima e da sociedade, por uma demora do Judiciário na qual aqueles não têm qualquer culpa.



É como se você planejasse uma viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro e a estimasse em seis horas. No trajeto, entretanto, enfrenta-se congestionamento decorrente do excesso de veículos, o que permite que a viagem só seja concluída após oito horas. Então, uma bruxa má, chamada prescrição, determina o cancelamento da viagem num passe de mágica, devolve-o a São Paulo e o condena a nunca mais sair de lá.

Assim foi no caso Propinoduto, que apurou corrupção de fiscais estaduais do Rio de Janeiro, os quais esconderam propinas na Suíça que chegaram a US$ 34 milhões. A acusação aconteceu em 2003, mesmo ano em que a sentença foi proferida, condenando os auditores. Mas, lembrem-se, no Brasil réus ricos alcançam quatro julgamentos, e esse foi só o primeiro.



O segundo julgamento aconteceu em 2007. O terceiro, em dezembro de 2014, e ainda pendem recursos para o mesmo tribunal. Em 2013, a Suíça ameaçou devolver o dinheiro para os réus, em razão da demora. Se o quarto julgamento demorar o mesmo tempo que o terceiro, esse caso será concluído em 2021, quase 20 anos após a acusação e mais de 20 anos após os fatos, que ocorreram desde 1999.

Guardei a cereja do bolo para o fim: os crimes de corrupção já prescreveram. É como se a corrupção jamais tivesse existido, embora tenha sido amplamente provada e os réus tenham sido condenados.




Infelizmente, essa é a regra em relação aos colarinhos brancos. O caso Maluf prescreveu no tocante ao político, embora tenham sido encontradas centenas de milhões de dólares no exterior. O caso Luís Estêvão, relacionado a desvios de dinheiro público na construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, prescreverá ano que vem, se não se encerrar até lá.

Analisei dados fornecidos pelo Estado do Paraná e constatei que ou não há corruptos do colarinho branco que desviem milhões no Paraná, ou eles não vão para a cadeia. Se esse fosse um teste de múltipla escolha, optaria pela segunda alternativa com segurança.



O Paraná tem quase 30 mil presos, e apenas 53 deles cumprem pena por corrupção. Eles todos, menos dois, praticaram crimes como furto, roubo, tráfico de drogas, embriaguez ao volante ou contrabando. Em geral, tentaram corromper o policial que efetuou a prisão. Dos dois restantes, um foi submetido a medida de segurança, o que indica que é alguém que está fora do juízo pleno, e outro é um oficial de justiça que recebeu gratificação para cumprir um mandado. Nenhum dos presos tem o perfil do corrupto que desvia milhões.

Não há dúvidas de que a corrupção é, no Brasil, um crime de baixo risco. Para réus do colarinho branco, o sistema de justiça penal ainda tem que melhorar muito para ser ruim, quanto mais para ser bom. Os mais reconhecidos estudiosos da corrupção no mundo dizem que, se queremos ser um país livre da corrupção, ela deve ser um crime de alto risco.



Deve ter uma punição séria e que seja aplicada. Para que isso se torne realidade, o Ministério Público Federal propôs as 10 medidas contra a corrupção, que vêm sendo encampadas pela sociedade, rumo a um milhão e meio de assinaturas, para que, como a Ficha Limpa, possam se tornar projeto de lei de iniciativa popular.

Até mudarmos a legislação, criando um ambiente menos favorável à corrupção, seremos o paraíso dos grandes corruptos e o inferno daqueles que sofrem diariamente com a falta do dinheiro desviado na educação, saúde, saneamento e segurança pública.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Lava Jato muda a Justiça e a advocacia

Por Joaquim Falcão para a FOLHA SP

recebido por e-mail
Lava Jato muda a Justiça e a advocacia
A Justiça penal não será a mesma depois do mensalão e da Operação Lava Jato. Tanto a prática de juízes, delegados, procuradores e advogados como nas doutrinas e tribunais. 

Tudo começa a mudar. Que mudanças são essas?

Mudança geracional. Juízes, procuradores, delegados são mais jovens. Fizeram concurso mais cedo. Vivem na liberdade de imprensa, na decadência dos partidos e na indignante apropriação privada dos bens públicos. E não têm passado a proteger ou a temer. 

Arte de ELVIS


Dão mais prioridade aos fatos que às doutrinas. Mais pragmatismo e menos bacharelismo. Mais a evidência dos autos – documentos, e-mails, planilhas, testemunhos, registros – do que a lições de manuais estrangeiros ou relacionamento de advogados com tribunais. 

Erram aqui e acolá. Às vezes, extrapolam, mas passaram por duro aprendizado institucional com Banestado, Castelo de Areia, Furacão e outras operações. Atentos, buscam evitar nulidades processuais. O juiz, e não mais os advogados, conduz o processo.

Arte de SPONHOLZ

 
Usam de múltiplas estratégias. Jurídica, política e comunicativa. Valorizam a força das imagens, que entram, via internet, televisão, lares e ruas, nos autos e tribunais. São informados e cosmopolitas. Organizam cooperação internacional com Suíça, Holanda e Estados Unidos. É difícil para a tradicional advocacia individual enfrentar essa complexa articulação entre instituições. Usam com desenvoltura a tecnologia. Extraem inteligência de "big data" (análise de grandes volumes de informação). Aplicam-se em finanças e contabilidade. 

As consequências para a advocacia são várias. Plantar nulidades para colher prescrição – o juiz não seria competente, a defesa foi cerceada, o delegado extrapolou poder investigatório etc. – é estratégia agora arriscada. Tribunais superiores não suportam mais serem "engavetadores" de casos que chegam quase prescritos. Diminuem-se diante do olhar da opinião pública. 

Arte de DACOSTA


Apostar que juízes, procuradores e delegados agem com arbítrio, ferem direitos fundamentais dos réus, sem clara e fundamentada evidência, é protesto que se dissolve no ar. 

Algumas defesas tentam politizar o julgamento. Juízes, delegados e procuradores agiriam a serviço do governo ou dos políticos envolvidos. Colocam suas fichas que no Supremo Tribunal Federal tudo se resolveria politicamente. É tentativa possível. Nunca deixará de ser. Mas hoje o sucesso é menos provável. 

Arte de AROEIRA


O invisível ministro Teori Zavascki não dá mostras de vergar. Até agora não se conseguiu colocar Curitiba contra Brasília. Nem vice-versa. 

Neste cenário, como em todos os países, a defesa preferencial dos réus tem sido a minimizadora de riscos. Contabilizar perdas e danos. Por isso aceitam a delação. Amortecem as condenações individuais dos executivos, oferecendo o apoio empresarial às famílias. Fazem acordo de leniência. Pagam alguns bilhões via Controladoria Geral da União. Vendem ou remodelam as empresas. Assim o país se encontra com nova Justiça e advocacia penal no Estado democrático de Direito. 

JOAQUIM FALCÃO, 71, mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA) e doutor em educação pela Universidade de Genebra, é professor da FGV Direito Rio 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Dizendo NÃO ao Impeachment

Por David Coimbra.


Por que é importante ser contra o impeachment
Era contra o impeachment, sou contra o impeachment e agora vou dizer por que você tem de ser contra o impeachment.


Arte de GABRIEL RENNER

Pelo seguinte: porque o Brasil não pode mais colocar a justiça acima da lei. Se você é pai ou se algum dia foi chefe de algo, deve saber que o que mais importa para as pessoas não são os seus conhecimentos; são os seus critérios. O pior chefe não é o duro: é aquele que não sabe o que quer. As pessoas ficam sem rumo, ficam inseguras e, ficando inseguras, ficam infelizes. Um pai é tal e qual. Um pai precisa ter critérios. Se você diz não e o não vira sim, você perde a credibilidade.

O Brasil é o pai fraco, que será desrespeitado pelos filhos; é o chefe bonzinho, que vira piada entre os subordinados. O Brasil está cheio de leis ótimas que não são respeitadas. Melhor seria ter leis péssimas que fossem cumpridas.


Arte de BONIFÁCIO



Há um filme de Hollywood dirigido por Brian de Palma, um belo filme com um elenco que ombreia com a Seleção de Tostão, Pelé, Jairzinho e Rivellino: Kevin Costner, Robert de Niro, Sean Connery e Andy García. É Os Intocáveis, sobre o famoso agente Eliot Ness, o homem que prendeu Al Capone.

Ness e seus “intocáveis” lutavam contra as gangues de Chicago que faturavam vendendo bebidas alcoólicas durante a Lei Seca. Bem. No filme, Ness, representado por Costner, finalmente captura Al Capone, interpretado por De Niro. Na última cena, Costner caminha aliviado pela rua, com a aparência de quem sente o dever cumprido, e um repórter se aproxima para fazer a seguinte pergunta:

– O que o senhor vai fazer depois que cair a Lei Seca?

Costner-Ness responde, com um meio sorriso:

– Tomar um drinque.

Aí está tudo o que tem de ser dito. Não importa se a lei é boa ou ruim, não importa se é justa ou injusta, importa é que ela tem de ser cumprida.

Arte de CLAUDIO


A lei é péssima? Vamos lutar para que seja mudada, mas sempre dentro da lei. Temos de promover uma revolução no Brasil. Algo inédito, que nunca nenhum grupo de brasileiros fez: uma revolução de obediência civil. É dessa revolta que precisamos. A revolta contra quem descumpre a lei.

É assim que se constrói um país. Porque as fórmulas são muitas, e todas podem dar certo em determinadas circunstâncias – um país pode ser conservador ou progressista, liberal ou socialista, estatizante ou privatista, tanto faz. Isso importa de menos. O que importa de mais é que o acordo seja cumprido.

Arte de ALEX PONCIANO


O Brasil passou por várias e dolorosas fases, até chegar à conclusão de que quer ser e é uma democracia. Um presidente eleito legitimamente não pode ser derrubado porque seu governo é ruim e nem mesmo porque há corrupção entre seus auxiliares. É preciso haver provas claras de envolvimento pessoal e direto do presidente em ilícitos graves. Essas provas, pelo menos por enquanto, não existem. Tem razão quem diz que impeachment, hoje, é golpe.

É.

Arte de FERNANDES


Se você é contra esse governo e quer que o Brasil melhore, seja contra a derrubada desse governo. O Brasil mostrará que é uma democracia madura quando, como um Eliot Ness, lutar para fazer cumprir uma lei que acha injusta.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Um jeito de ser

Por David Coimbra.
Publicado em seu blog em 01MAI2015

A calçada de plástico
Há exatos 20 anos, em maio de 1995, acompanhei uma delegação de empresários catarinenses em missão pela bela Itália. Era uma viagem de trabalho, mas acabou sendo das mais prazerosas que fiz na vida. Um dia, conto mais a respeito. Por ora, quero falar de um episódio ocorrido numa cidade industrial do norte da Bota. Não lembro que cidade era. Lembro que os empresários italianos apresentavam aos brasileiros uma máquina de reciclar plástico. O plástico velho entrava por uma ponta e saía por outra transformado em calçadas novas. Isso mesmo: lajotas de plástico furadinho, que seriam encaixadas no chão a fim de serem usadas como calçadas baratas e de fácil instalação.

Os italianos mostravam-nos com orgulho uma das calçadas montadas. Caminhamos sobre ela. Então, me agachei, enfiei o indicador no orifício de uma das placas e a levantei.

– Elas não ficam presas? – perguntei.
– Não. É assim mesmo – respondeu um dos italianos.

Balancei a cabeça:
– Não vai dar certo no Brasil.

Eles se espantaram:
– Por quê?
– Porque a turma vai arrancar isso e levar embora.

Os italianos ficaram embasbacados. Queriam saber por que catzo os brasileiros fariam uma coisa dessas com a calçada em que eles próprios pisavam. Ninguém soube explicar muito bem, mas os brasileiros concordaram comigo, disseram “é, no Brasil não vai funcionar”, e o negócio não foi fechado.

Bem.



Você sabe por que no Brasil esse tipo de iniciativa não funciona? Sabe por que orelhões são depredados e tampas de lixeira roubadas? Por que as pessoas sujam as ruas? Por que picham os monumentos?

Porque, para elas, nada daquilo a elas pertence. Para os brasileiros, tudo que é público pertence a uma entidade chamada vagamente de “eles”.

“Eles” ninguém explica o que seja, mas é o Estado. Os brasileiros sentem-se fora do Estado, abaixo dele. Por isso, culpam o Estado por todas as suas vicissitudes. Afinal, aquela entidade superior teria poder para resolver os problemas. Não os resolve porque não quer.



Na França, Luís XIV, o Rei Sol, dizia: “O Estado sou eu”. E era mesmo. Mas, dois Luíses depois, os franceses fizeram a revolução, separaram o corpo do rei de sua cabeça e disseram: “O Estado é nosso”. Hoje, esse é um dos maiores dramas franceses. Como o Estado é deles, eles exigem o usufruto do Estado, e sangram o Estado, e o Estado não aguenta mais.

Na Rússia, o Estado também era do czar. Mas os bolcheviques fizeram sua revolução e avisaram ao povo: “Agora, vocês são do Estado”.




Nos Estados Unidos, os pioneiros chegaram à Costa Atlântica e decidiram começar tudo de novo, juntos e em harmonia, sem ninguém acima deles. Assim, todos concordam em cumprir o acordo social, que é o seguinte: todos têm de cumprir a lei.

Seria o ideal, mas os americanos do Sul trouxeram homens negros da África e os escravizaram. Como a proclamada terra da liberdade suportaria a contradição da escravidão? Não suportou. Dilacerou-se na maior guerra civil do planeta, em que morreram mais de 600 mil pessoas. Os negros foram postos abaixo do Estado, e é assim que ainda percebem a realidade. Os negros americanos não se sentem parte do Estado. Exatamente como nós, brasileiros. Mas a melhor fórmula é a dos velhos colonos ingleses. É dizer: “O Estado somos Nós”

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Remédios fracionados - hora de regulamentar a Lei.

Por Maria Ines Dolci.
Direto de seu blog


Sem direito ao remédio fracionado
A venda de remédios fracionados é permitida mas como não é obrigatória, só existe na teoria no Brasil. Apesar dos benefícios à saúde, ao bolso e ao meio ambiente, o brasileiro não consegue comprar remédios na quantidade exata para o tratamento prescrito. Além de economia, o fracionamento evita os riscos de efeitos adversos e intoxicação pelo consumo das sobras de medicamentos estocados em casa. E reduzem-se o desperdício e o descarte de medicamentos no meio ambiente. Apesar dos benefícios, projeto de lei de 2006, tentando tornar obrigatório o fracionamento, não avançou no Congresso.



O medicamento fracionado tem a mesma qualidade e segurança dos demais, com embalagem diferente, especialmente desenvolvida para este fim, que não permite o contato do remédio com o meio externo até a sua utilização.

Dados da Anvisa apontam que 28% de todos os casos de intoxicação atendidos pela rede pública hospitalar, nos últimos dez anos, foram causados por uso indevido de medicamentos guardados em casa. Em 2005, a Agência estimou que 20% de toda a produção farmacêutica no Brasil foram para o lixo e que esse desperdício custou cerca de 20 bilhões de reais. É interesse de quem que a proposta não avance? Interesse da saúde do brasileiro é que não é.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

O Brasil e o sistema de cotas

Esse texto do jurista Ives Gandra Martins circula na internet desde 2012 mas continua atual.

Não Sou:
- Nem Negro, Nem Homossexual, Nem Índio, Nem Assaltante, Nem Guerrilheiro, Nem Invasor de Terras. Como faço para viver no Brasil nos dias atuais? Na verdade eu sou branco, honesto, professor, advogado, contribuinte, eleitor, hétero... E tudo isso para quê?



Meu Nome é: Ives Gandra da Silva Martins*

Hoje, tenho eu a impressão de que no Brasil o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado pelas autoridades governamentais constituídas e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que eles sejam índios, afrodescendentes, sem terra, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.

Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, ou seja, um pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco hoje é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior (Carta Magna).

Pelicano


Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que eles ocupassem em 05 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado, e ponham passado nisso. Assim, menos de 450 mil índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também por tabela - passaram a ser donos de mais de 15% de todo o território nacional, enquanto os outros 195 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% do restante dele. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados.

Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas aqueles descendentes dos participantes de quilombos, e não todos os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição Federal permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.




Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um Congresso e Seminários financiados por dinheiro público, para realçar as suas tendências - algo que um cidadão comum jamais conseguiria do Governo!

Os invasores de terras, que matam, destroem e violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que este governo considera, mais que legítima, digamos justa e meritória, a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse 'privilégio', simplesmente porque esse cumpre a lei..



Desertores, terroristas, assaltantes de bancos e assassinos que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de R$ 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir' aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.

E são tantas as discriminações, que chegou a hora de se perguntar: de que vale o inciso IV, do art. 3º, da Lei Suprema?

Como modesto professor, advogado, cidadão comum e além disso branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço nesta sociedade, em terra de castas e privilégios, deste governo.

(*Ives Gandra da Silva Martins, é um renomado professor emérito das Universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado Maior do Exército Brasileiro e Presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo).

Para os que desconhecem o Inciso IV, do art. 3°, da Constituição Federal a que se refere o Dr. Ives Granda, eis sua íntegra:

"Promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."

terça-feira, 3 de junho de 2014

Líder do PT quer proibir compra de livros e publicações estrangeiras

Líder do PT quer proibir compra de livros e publicações estrangeiras
Se aprovada, lei prejudicará universidades e institutos de pesquisa que usam a produção acadêmica estrangeira como instrumento de trabalho
 
O deputado Vicen­­tinho (PT) apresentou um projeto na Câmara que proíbe a compra de livros e outras publicações estrangeiras por órgãos públicos brasileiros. De acordo com o petista, a proibição seria uma forma de fomentar a produção gráfica nacional. A lei ainda está em estágio inicial de tramitação. Se for aprovada, a lei prejudicará universidades e institutos de pesquisa públicos que usam a produção acadêmica estrangeira como instrumento de trabalho.
 
Son Salvador

Atualmente, o projeto está na Comissão de Serviço Público e depois passará pela Comissão de Constituição  Justiça. Caso não haja votos contrários nas duas primeiras comissões, o trâmite na CCJ será em caráter terminativo – ou seja, se aprovada, a matéria segue diretamente para o Senado.
 
Para o professor de Direito Administrativo da Universidade Federal do Paraná, Rodrigo Kanayama, a abrangência do projeto não é clara. O texto fala em “órgãos públicos” sem especificar se autarquias, como as universidades, seriam afetadas. “Não faz sentido priorizar as publicações brasileiras. O Brasil deve incentivar a importação e exportação de conhecimento, e não o contrário”, afirma.
 
transparenciapolitica.org/

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Dilma Rousseff decidiu extinguir a Democracia por decreto!

Por Reinaldo Azevedo, em sua página na VEJA.com
Publicado em 29MAI2014

É Golpe!
Atenção, leitores!

Seus direitos, neste exato momento, estão sendo roubados, solapados, diminuídos. A menos que você seja um membro do MTST, do MST, de uma dessas siglas que optaram pela truculência como forma de expressão política.



De mansinho, o PT e a presidente Dilma Rousseff resolveram instalar no país a ditadura petista por decreto. Leiam o conteúdo do

decreto 8.243, de 23 de maio deste ano, que cria uma tal “Política Nacional de Participação Social” e um certo “Sistema Nacional de Participação Social”. O Estadão escreve nesta quinta um excelente editorial 
a respeito. Trata-se de um texto escandalosamente inconstitucional, que afronta o fundamento da igualdade perante a lei, que fere o princípio da representação democrática e cria uma categoria de aristocratas com poderes acima dos outros cidadãos: a dos membros de “movimentos sociais”.

O que faz o decreto da digníssima presidente? Em primeiro lugar, define o que é “sociedade civil” em vários incisos do Artigo 2º. Logo o inciso I é uma graça, a saber: “I – sociedade civil – o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”.

Pronto! Cabe qualquer coisa aí. Afinal, convenham: tudo aquilo que não é institucional é, por natureza, não institucional. Em seguida, o texto da Soberana estabelece que “todos os órgãos da administração pública direta ou indireta” contarão, em seus conselhos, com representantes dessa tal sociedade civil — que, como já vimos, será tudo aquilo que o governo de turno decidir que é… sociedade civil.
 
 


Todos os órgãos da gestão pública, incluindo agências reguladoras, por exemplo, estariam submetidos aos tais movimentos sociais — que, de resto, sabemos, são controlados pelo PT. Ao estabelecer em lei a sua participação na administração pública, os petistas querem se eternizar no poder, ganhem ou percam as eleições.

Isso que a presidente está chamando de “sistema de participação” é, na verdade, um sistema de tutela. Parte do princípio antidemocrático de que aqueles que participam dos ditos movimentos sociais são mais cidadãos do que os que não participam. Criam-se, com esse texto, duas categorias de brasileiros: os que têm direito de participar da vida pública e os que não têm. Alguém dirá: “Ora, basta integrar um movimento social”. Mas isso implicará, necessariamente, ter de se vincular a um partido político.

O DEM apresentou à Mesa da Câmara projeto de decreto legislativo (PDC 1.491/14) para sustar o decreto  alegando que se trata de invasão à esfera de competência do Parlamento.(inf do Migalhas)

A Constituição brasileira assegura o direito à livre manifestação e consagra a forma da democracia representativa: por meio de eleições livres, que escolhem o Parlamento. O que Dilma está fazendo, por decreto, é criar uma outra categoria de representação, que não passa pelo processo eletivo. Trata-se de uma iniciativa que busca corroer por dentro o regime democrático.
 


O PT está tentando consolidar um comissariado à moda soviética. Trata-se de um golpe institucional. Será um escândalo se a Ordem dos Advogados do Brasil não recorrer ao Supremo contra essa excrescência. Com esse decreto, os petistas querem, finalmente, tornar obsoletas as eleições. O texto segue o melhor padrão da ditadura venezuelana e das protoditaduras de Bolívia, Equador e Nicarágua. Afinal, na América Latina, hoje em dia, os golpes são dados pelas esquerdas, pela via aparentemente legal.

Inconformado com a democracia, o PT quer agora extingui-la por decreto.

Outras leituras sobre o tema:
http://aluizioamorim.blogspot.com.br/2014/06/governo-do-pt-rasga-constituicao-e-cria.html

http://vespeiro.com/2014/05/30/democracia-brasileira-e-enterrada-como-indigente/

http://coturnonoturno.blogspot.com.br/2014/06/o-golpista-gilberto-carvalho-chama.html


 

domingo, 1 de junho de 2014

Auxílio-reclusão: você é a favor ou contra?

A Holanda, a Dinamarca e a Alemanha optaram por cobrar aos presos o pagamento de 16 euros (50 reais) por dia por ficarem atrás das grades. 

O projeto de lei deriva dos acordos pactuados pela atual coalizão no poder, formada por liberais de direita e social-democratas, e busca duas coisas: obrigar o criminoso a assumir o custo de seus atos e poupar, concretamente, 65 milhões de euros (205 milhões de reais) em despesas judiciais e policiais.
O Governo holandês diz que, o detento é parte integrante da sociedade, e se comete um delito tem obrigação de contribuir com os gastos inerentes.
AO FINAL, DÊ SUA OPINIÃO


No Brasil é totalmente o contrário. O detento raramente trabalha e sua família ainda recebe do Governo Federal, por intermédio da Previdência Social,  uma ajuda de custo superior ao salário mínimo, de cerca de R$ 915,00 (novecentos e quinze reais). 



Mas na Câmara dos Deputados está se fazendo uma enquete sobre uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para alterar o benefício de auxílio-reclusão.
 
Pagamos duas vezes: para manter o bandido na cadeia e ainda para manter seus familiares amparados!

Com a mudança da Constituição, o benefício passa a ser para as vítimas dos crimes, ou aos seus dependentes em caso de morte, e não à família do criminoso!

O que você acha que é justo?

Dê sua opinião!

Responda à enquete da Câmara dos Deputados

Clique na palavra...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Xííí...o que a galega vai dizer?

Retificando a ilustração - desculpem, mas antes tarde do que nunca

Extraconjugal
Um homem que mantinha um caso extraconjugal "público e constante" terá que dividir os bens adquiridos durante o relacionamento com a ex-companheira.

 A 3ª turma do STJ reconheceu a participação indireta da amante na formação do patrimônio e entendeu que, apesar da permanência do casamento formal e paralelo com a esposa, era à concubina que o homem vivia emocional e socialmente vinculado.
Mais detalhes aqui