quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A receita para quebrar o Brasil

Por Elio Gaspari.
Publicado na FOLHA em 22FEV2015


A receita para quebrar o Brasil
Em novembro a doutora Dilma sancionou um projeto refinanciando as dívidas de Estados e municípios. Coisa de R$ 500 bilhões, que deveriam ser pagos até 2039. Governadores e prefeitos que herdaram o espeto mexeram-se para mudar as condições de pagamento. No carro-chefe ficou o comissário de São Paulo Fernando Haddad. Argumentava que a cidade tinha perdido a capacidade de investimento. Mudando-se o sistema, sua dívida cairia de R$ 62 bilhões para R$ 36 bilhões. Como dinheiro não nasce em árvore, a Viúva perderá receita. Neste ano, seria uma mixórdia, apenas R$ 1 bilhão. Quem pagou tudo direitinho ferrou-se.

Arte de CLAUDIO


Esse assunto não tinha personagens satanizáveis nem podia ser tratado como um escândalo. Teve até o apoio do PSDB. Virou uma coisa boa.

Quatro anos antes, o mesmo Fernando Haddad estava no ministério da Educação e mudou as regras do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior, o Fies. Vivendo na ponta que distribui dinheiro, baixou os juros para 3,4% ao ano, ampliou os prazos de pagamento para três vezes o tempo de duração do curso e relaxou as exigências para os fiadores. Criou-se a fiança solidária, bastando juntar três colegas da faculdade. De onde sairá o dinheiro emprestado a juros subsidiados e em condições imprevisíveis de retorno? Um palpite: da bolsa da Viúva.

Arte de IOTTI


Aquilo que poderia ser uma boa iniciativa virou uma estatização do risco do financiamento das universidades privadas. Esse tipo de crédito é socialmente necessário, desde que seja matematicamente sustentável. Faculdades estimularam seus alunos a migrar para o Fies e, com isso, o número de bolsistas passou de 150 mil em 2010 para 4,4 milhões em 2014. Os financiamentos pularam de R$ 1,1 bilhão para R$ 13,4 bilhões. Há faculdades onde os alunos que pagam as mensalidades tornaram-se uma raridade. Formaram-se conglomerados universitários, com ações na Bolsa. O repórter José Roberto Toledo mostrou que, entre 2012 e novembro de 2014, enquanto o Ibovespa caiu 18%, as ações do grupo Kroton, com um milhão da alunos, valorizaram-se em 500%. (Em 2014 o grupo recebeu R$ 2 bilhões do Fies, cifra inédita até para a Odebrecht.)

Arte de NEWTON SILVA


O ministro Cid Gomes quis colocar método na maluquice, exigindo padrões de desempenho acadêmico às escolas, notas melhores dos alunos para o acesso ao programa e associou parte do desembolso à formatura do jovem. Prenunciou-se uma "catástrofe". Ou, nas palavras de Gabriel Mario Rodrigues, presidente da guilda da escolas privadas, "o governo fez uma cagada", "o ministro não é do ramo" e "fala demais". Com toda razão, ele diz que "não podemos confiar no governo". Nem eles nem a torcida do Flamengo. Com a ajuda de parlamentares e de "gente trabalhando nas altas esferas" (em quem confiam), as empresas se articulam para desossar as medidas.

Arte de SPONHOLZ


Ganha um fim de semana na Guiné Equatorial quem acredita que esses financiamentos dados com critérios frouxos e fianças capengas fecharão a conta na bolsa da Viúva. Vem por aí outro rombo. Como aconteceu com a dívida dos Estados e municípios, certamente será renegociado, noutros governos. É assim que se quebra um país.

ACM Neto na Lagoa dos Patos



Atenção moradores da Pituba e Amaralina:

Hoje, às 19:00 o nosso prefeito ACM NETO 
estará presente à LAGOA DOS PATOS 
na rua Piauí, no bairro da Pituba.

Quem quiser reivindicar algo, aproveite!

Uma múmia numa estátua

Desde 21FEV circula na web uma notícia afirmando ter sido encontrada uma estátua chinesa do BUDA contendo em seu interior uma múmia, será verdade?



Pois bem, pesquisadores do Centro Médico Meander, em Amersfoort (Holanda) colaboraram em seu tempo livre sob a liderança de Erik Bruijn, um especialista no campo da arte e da cultura budista além de ser Curador do Museu do Mundo em Rotterdam.

Os especialistas receberam a múmia chinesa no hospital para exame interno (tomografia computadorizada e endoscopia) no dia 3 de setembro. A múmia fazia parte da exposição Mummies no início deste ano no museu local  e foi datada como sendo do século 11 ou 12.



A múmia suspeita-se que seja o corpo mumificado do mestre budista Liuquan, que pertencia à Escola de Meditação Chinesa. 

Com um endoscópio feito especialmente para este fim recolheram amostras de um material ainda não identificado e examinaram as cavidades torácica e abdominal. Foi descoberto também que entre todos os tipos de materiais utilizados no espaço onde não houvesse órgãos, encontraram-se pedaços de papel que são impressos com caracteres chineses antigos.



Foram retiradas e levadas para análise amostras de material ósseo para testes de DNA. Os resultados ainda não estão disponíveis.

A estátua com a múmia, que estava no Museu Drents na Holanda, ficará em exposição até maio de 2015 no Museu de História Natural em Budapeste, na Hungria.

Fontes

Voto Distrital: eu acredito... e você?





Clique no link abaixo e
assine a petição

http://www.euvotodistrital.org.br/#mobilize

Porta Aberta ao Juízo - LXII



Na adversidade o homem tem que pensar mais largo,
 pra não sucumbir à estreitezas do caminho.

[Gilberto Quadros]
{extraído do livro Porta Aberta ao Juízo}

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Lulla e seu discurso no Rio de Janeiro

Por Josias de Souza.
Publicado em seu blog em 25FEV2015


Preparado para a "guerra", Lulla ataca a semântica
Lula foi ao Rio de Janeiro na noite desta terça-feira para estrelar um “ato em defesa da Petrobras”. Ao discursar, fez o que os presidentes americanos costumam fazer quando precisam unir a nação em seu apoio: declarou guerra ao inimigo. 

“Eu quero paz e democracia, 
mas se eles querem guerra, 
eu sei lutar também.'' 

Provou que falava sério. Armado do microfone, fez sua primeira vítima. Fulminou a semântica.



Ao insinuar que a Petrobras virou escândalo pelas mãos de uma “elite que não se conforma com a ascensão dos mais pobres”, Lula deixou claro que o Brasil vive uma crise de significado. Mostrou que a crise é terminal ao dizer que irá às ruas para “defender a Petrobras e a reforma política”. Considerando-se que o orador avalizou as nomeações dos petrogatunos e governou por oito anos com o apoio de sarneys, renans, collors e malufs, fica claro que o vocábulo “significado” perdeu o significado.

O correto, se as palavras ainda valessem alguma coisa, seria Lula pedir perdão por ter levado a Petrobras ao balcão da baixa política. Mas como qualquer coisa quer dizer qualquer coisa, Lula chama o crime de “caca” e sai de fininho: 

Washington Quá-quá 
é o presidente do PT/ RJ


“Que vergonha eu posso ter se, no meio de uma família de 86 mil pessoas, uma pessoa comete um erro, faz uma caca. […] Não podemos jogar a Petrobras fora por causa de meia dúzia de pessoas ou 50 pessoas.''

O razoável, se a semântica não estivesse na UTI, seria Lula expiar o pecado de ter deflagrado a sangria que levou a Petrobras a perder o grau de investimento que fazia dela um porto seguro para quem quisesse investir. Mas como nada mais quer dizer coisa nenhuma, na hora em que a agência Moody’s dava a má notícia, Lula jactava-se: 

“Tenho orgulho da maior capitalização do capitalismo mundial, que foi a capitalização da Petrobras, que se tornou uma das empresas mais importantes do mundo.



Lula sustenta que “eles” — eufemismo para FHC e a mídia golpista — “continuam fazendo hoje o que sempre fizeram antes. A ideia básica é criminalizar antes, tornar bandido antes de ser investigado e julgado.” Pessoas que não sabiam de nada, como ele e Dilma, são tratadas com base na “tal da teoria do domínio do fato. […] É o pressuposto de que a mãe tem que saber que o filho é drogado ou não foi bem na escola e o boletim dele está ruim.

Para não dizer que Lula é um cínico, deve-se deduzir que ele é apenas mais uma vítima da crise de semântica. Alguém que chama o mensalão de fábula tem imunidade para comparar ladrões a filhos desgarrados e seus padrinhos a mães relapsas. É isso ou Lula adotou para se isentar de responsabilidade o velho adágio segundo o qual não se faz omelete sem quebrar os ovos. A frase aniquila qualquer princípio ético. Mas absolve tudo, do “Paulinho” manejando contratos ao Vaccari operando a caixa registradora.



Lula aconselhou Dilma Rousseff a levantar a cabeça. Apresentou-se como exemplo:

 “Sou filho de uma mulher analfabeta, de um pai analfabeto. E o mais importante legado que minha mãe deixou foi o direito de eu andar de cabeça erguida. E ninguém vai fazer eu baixar a cabeça neste país. Honestidade não é mérito, é obrigação.”

É reconfortante saber que Lula não perdeu a fronte alta que traz do berço. Com alguma sorte, ainda vai cruzar com um espelho qualquer hora dessas. E talvez perceba que a crise semântica fez dele um personagem sem nexo. 



Para ouvir a íntegra do discurso do “guerreiro'' copie e cole em seu navegador, o link abaixo.

https://soundcloud.com/institutolula/defender-a-petrobras-e-defender-o-brasil-ouca-a-participacao-de-lula-no-ato

O preço da fanfarronice dos governantes

BRASIL NO EXTERIOR


Por Reynaldo Azevedo.
Publicado em sua página na VEJA online em 25FEV2015

... eis o legado do fanfarrão...
Parecia roteiro de filme barato, mas era verdade. Nesta terça, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva, cercado por milicianos truculentos, comandava um ato no Rio contra a Operação Lava Jato, contra a imprensa e contra a decência, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixava uma vez mais, a exemplo do que fizera em janeiro, a nota da estatal, que já estava em Baa3, o último patamar do chamado grau de investimento. Agora, na Moody’s, a estatal está no grau especulativo — ou por outra: a agência está dizendo aos investidores do mundo inteiro que pôr dinheiro na Petrobras não é seguro. A agência está dizendo ao mundo inteiro que emprestar dinheiro para a Petrobras é arriscado.

Arte de AROEIRA


Desta feita, não foi uma queda qualquer: a Moody’s botou a Petrobras dois degraus abaixo de uma vez só. Em vez de cair para Ba1, o que já seria catastrófico, a empresa despencou para Ba2, e a agência ainda cravou um viés negativo no caso de uma futura avaliação. Só para vocês terem uma ideia: acima dessa nota, há outras… 11. Abaixo dela, apenas 9. Na Fitch e na Standard & Poor’s, a Petrobras está também a um rebaixamento apenas de passar para o grau especulativo.

Arte de CAZO


A partir de agora, tudo se torna mais difícil para a empresa. A maioria dos fundos proíbe investimento em empresas nessa categoria. Pior: em alguns casos, a ordem é se desfazer dos papéis, ainda que amargando prejuízos. Para se financiar dentro e fora do Brasil, a Petrobras terá de pagar juros mais elevados. E isso se dá num momento em que a empresa já teve de reduzir ao mínimo seus investimentos na área de exploração e refino de petróleo, suas atividades principais.

Arte de MARCO AURELIO


O mais impressionante é que o rebaixamento veio duas semanas depois de Dilma trocar toda a diretoria da Petrobras. Isso reflete a confiança do mercado na nova equipe. A operação foi desastrada. Com ou sem razão — e nós veremos —, o juízo unânime é que a governanta escolheu um presidente para maquiar no balanço as perdas bilionárias decorrentes da corrupção e da gestão ruinosa do PT.

Arte de OLIVEIRA


E não se enganem: atrás do rebaixamento da nota da Petrobras, pode vir o rebaixamento da nota do Brasil. Na própria Moody’s, já não é grande coisa. O país é “Baa2”. Ainda é “grau de investimento”, mas bem modesto. Se o país cair mais dois, vai para a categoria dos especulativos. O mesmo acontece na Fitch (BBB): um próximo rebaixamento (BBB-) poria o país a um passo da zona vermelha. Na Standard & Poor’s, a posição do país é mais preocupante: rebaixado em março, caiu de “BBB” para “BBB-“, mesma nota da Petrobras. Nessa agência, uma próxima queda conduziria o país para “BB+”, primeiro nível do grau especulativo. Foi o que já fez a agência britânica Economist Intelligence Unit na semana retrasada: o rebaixamento, de BBB para BB, lançou o Brasil no grupo dos potenciais caloteiros.

Arte de AMARILDO


Não obstante, naquele espetáculo de pornografia desta segunda, Lula vituperou contra a investigação e contra a imprensa e conclamou João Pedro Stedile a pôr seu exército na rua — sim, ele empregou a palavra “exército”. Aquele que a ex-filósofa Marilena Chaui disse “iluminar o mundo” quando fala ainda encontrou tempo para especular sobre a situação no Iraque. E disparou: “Já tem gente lá com saudade do Saddam Hussein, porque no tempo dele se vivia em paz”.

Arte de OLIVEIRA


Lula, este celerado, tem uma noção muito particular de paz. Pelo menos 300 mil pessoas, árabes, foram assassinadas pelo regime de Saddam. Nessa conta, não estão pelo menos 100 mil curdos, vítimas dos gases mostarda, sarin e tabun. É o que Lula chama de “viver em paz”.


video

Foi o regime criado por esse cara que quebrou a Petrobras. Agora os brasileiros começam a pagar a conta de sua irresponsabilidade, de sua ignorância e de sua estupidez.

Flagrantes inusitados


Solução para São Paulo

Vai ser ginecologista?


Sempre cabe mais um


Devagarzinho chego lá


Que esporte é esse?

Fonte - WEB

Lulla e sua estória catinguenta


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Os caminhões começam a parar o Brasil

Por Vinícius Torres Freire.
Publicado na FOLHA em 24FEV2015


Caminhões de crise
Caminhoneiros bloqueiam estradas pelo país desde sábado, quando eram poucos. Ontem, atrapalhavam o tráfego em pelo menos sete Estados. A situação era pior no Sul, no Paraná e em Santa Catarina. Algumas fábricas de alimentos pararam a produção. A BRF até soltou nota, em que dizia haver paralisações em 11 Estados. Em outros tempos, os caminhoneiros já quase pararam o país, que ora anda congestionado por muitos maus humores.

Arte de JEAN


Algum efeito grave do movimento caminhoneiro? Não. Mas convém prestar atenção. Há brotos de várias crises; a presidente espalha cascas de banana e pisa nelas com gosto ou distraída.

Há manifestações pelo "impeachment" de Dilma Rousseff marcadas para o domingo, 15 de março. No começo do ano, isso era coisa de birutas marginais. Agora, há mais birutas, mas não só, que além do mais contam com apoios do centro da política, senadores, tucanos, por exemplo. De resto, o mau humor em relação à presidente explodiu em diversas direções, sendo cada vez mais suprapartidário.

Arte de SON SALVADOR


Em breve, haverá mais notícias explosivas. A Procuradoria Geral da República vai divulgar o listão de políticos que passaram no vestibular do Petrolão. Ainda no que parece ser o distante final de março, a gente vai saber se os governos vão decretar racionamentos de eletricidade e água. Nesse ínterim, haverá mais gente a receber contas carésimas de luz, a ver o salário acabando mais cedo, mais desempregados.

Pode não dar em nada. Mas o ambiente está tenso. Considere-se a revolta dos servidores públicos do Paraná contra Beto Richa (PSDB), que, reeleito, começou a baixar um pacotaço de arrocho a fim de enfrentar a ruína do Estado, herança maldita que o tucano deixou para si mesmo. Há pequenas manifestações dispersas das dezenas de milhares de desempregados e trabalhadores sem pagamento das obras arruinadas pela crise da Petrobras. No dia 10, uns 200 deles, do Comperj, pararam a ponte Rio-Niterói.

Arte de NANI


Ontem, os protestos dos caminhoneiros não eram coisa grande. No ano tumultuado de 1999, de desvalorização caótica do real, arrocho e marchas contra FHC, as várias associações e sindicatos de caminhoneiros quase pararam o país entre julho e agosto. Era uma desordem, pois os caminhoneiros não têm liderança nacional, são muito divididos (note-se: muitos dos mais organizados apoiaram o tucano Aécio Neves na eleição do ano passado).

Em agosto de 1999 horrível de FHC, houve protestos de ruralistas, pois os fazendeiros queriam renegociações de dívidas, comuns pré-boom de commodities. No final daquele mês, houve a marcha dos 100 mil pelo "fora, FHC", liderada pelo PT e que contava com apoio de parte do PMDB. Em setembro, 56% dos brasileiros achavam que o governo de FHC eram ruim/péssimo (no caso de Dilma, são 44%).

Arte de JARBAS


Os caminhoneiros de agora querem frete maior, diesel e pedágios mais baratos, mudanças nas leis da jornada de trabalho, entre outras reivindicações picadas e diversas, pois não há direção central no movimento.

Muitos dos autônomos parecem desesperados. Empresas menores e autônomos também falam em devolver os montes de caminhões comprados com dinheiro do BNDES. Mesmo com juros baixos, não conseguem pagar as prestações.

Arte de GENILDO

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Charlie Hebdo de volta nesta quarta

Depois de hiato de seis semanas, a revista satírica Charlie Hebdo voltará às bancas da França nessa quarta-feira (25/02) com as caricaturas de alguns dos alvos favoritos da publicação, como o ex-presidente Nicolas Sarkozy, um jihadista, o papa Francisco e a líder da extrema-direita francesa, Marine le Pen.



O número 1179 da revista terá tiragem inicial de 2,5 milhões de exemplares e é o segundo a ser lançado depois dos ataques à sede da redação que deixaram 12 mortos no dia 7 de janeiro de 2015.

A nova capa, ilustrada pelo chargista Luz - um dos sobreviventes do massacre -, mostra um cachorro correndo com a Charlie Hebdo entre os dentes enquanto foge de um grupo raivoso liderado por Sarkozy em forma de poodle e Le Pen encarnada em um pit bull.

Além deles, um jihadista com cara de cachorro, o papa Francisco e um microfone do canal de notícias francês BFMTV, entre outros, tentam capturar o cão com a revista.

O preço a pagar


"A corrupção na Petrobras, apurada na operação Lava Jato, traz um diagnóstico infeliz da maior estatal do país, abalada por um câncer devastador e profundo, que, apoderado de uma metástase, espalhou-se e gerou sangria inestancável aos cofres da companhia. A hemorragia ocorreu em benefício de interesses escusos."

Com essa declaração, a força tarefa do MPF, responsável pelas ações decorrentes da operação Lava Jato, defendeu a necessidade de reparação dos danos morais coletivos provocados pelos atos ímprobos, supostamente praticados por seis empreiteiras acusadas de envolvimento em esquema de desvios de recursos públicos da Petrobras.


Para o Ministério Público, atos ímprobos apurados no âmbito da Lava Jato "acarretaram lesão de grande magnitude ao patrimônio público, com forte impacto negativo na coletividade".
No caso da Petrobras, acredita que as sequelas são gravíssimas, visto que, entre 2007 e 2010, a Petrobras foi responsável por 68,47% do que a administração pública Federal, direta e indireta, investiu no país e, para os próximos anos, o percentual poderia superar os 80% em razão dos investimentos no Pré-Sal.
"Corrupção de valores estratosféricos como a que é objeto desta ação constitui uma profunda violação dos direitos fundamentais individuais e sociais mais básicos que o Estado de Direito deve tutelar. Trata-se de um verdadeiro atentado contra os direitos humanos."
Fonte Migalhas

A culpa é de FHC!





PT chama a sociedade para a briga

Por Merval Pereira.
Publicado no O GLOBO em 21FEV2015


Confronto a vista
Declaração de Dilma só pode ser ação coordenada de enfrentamento. A provocativa declaração da presidente Dilma tentando atribuir ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a culpa pretérita pelos crimes cometidos na Petrobras no período de governos petistas, de 2003 a 2014, de tão tosca, só pode fazer parte de uma ação coordenada de enfrentamento.

Arte de ALPINO


Tudo indica que o governo e seu entorno decidiram agir de maneira coordenada para o enfrentamento público das acusações, que logo serão conhecidas em sua integralidade. Estão agindo em várias frentes. A CUT, braço sindical do petismo, está convocando uma ridícula marcha em favor da Petrobras, não contra aqueles que a saquearam nos últimos anos, mas contra quem denuncia os desvios.

O pretexto é o de sempre, mas ainda funcional em determinadas áreas: tudo não passaria de um golpe para enfraquecer a Petrobras com o objetivo de privatizá-la. Sabe-se agora que o ex-presidente Lula tem sido acionado por donos das empreiteiras para uma intervenção impossível.

Arte de ANGELI


Também o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi acionado, deixando o flanco aberto para ser acusado de estar agindo em defesa das empreiteiras. Na ação governamental, a Controladoria-Geral da União (CGU) armou uma legislação prêt-à-porter que transforma o Tribunal de Contas da União (TCU) em seu órgão auxiliar no exame de acordos de leniência, e não fiscalizador, auxiliar do Poder Legislativo.

Tudo para garantir que as empreiteiras saiam da enrascada em que se meteram o menos prejudicadas possível, sem perder a condição de continuar fazendo obras para o governo.



Como não somos, ainda, uma república bananeira em que o Executivo domina os demais poderes, como alguns de nossos vizinhos e aliados de primeira linha, a resposta da sociedade está sendo vigorosa.

Numa reação à tentativa de limitar os danos das empreiteiras, e como consequência lógica da Operação Lava-Jato, o Ministério Público Federal ajuizou ontem 5 ações de improbidade administrativa contra seis empreiteiras acusadas de envolvimento no esquema de desvio de recursos da Petrobras: Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenharia, Mendes Júnior, OAS e Sanko, num total R$ 4,48 bilhões.

Arte de MARCO AURELIO


A ação de improbidade tem elementos até de direito penal, mas é um desdobramento cível do processo. O acordo de leniência da CGU com as empreiteiras está sob o crivo do Judiciário, e pode ser anulado. Se for o ministro que o assina, o processo será no Supremo Tribunal de Justiça. Se for um funcionário qualquer, será do juízo federal de Brasília.

Mas também o Legislativo está vigilante quanto a essa dobradinha do CGU com o TCU, sob as bênçãos do advogado-geral da União, Luís Adams, que também é candidato ao STF juntamente com Cardozo. (Acho que a atuação dos dois no episódio lhes tira qualquer possibilidade de serem indicados ou de serem aprovados pelo Senado).

Arte de SPONHOLZ


Há diversos movimentos no Legislativo para anular essa nova legislação da CGU, e tanto do advogado-geral da União quanto o ministro da CGU e o presidente do TCU podem ser convocados para explicarem seus papéis nessa que se assemelha a uma manobra para salvar as empreiteiras da punição mais rigorosa.

O Ministério Público Federal quer que elas sejam impedidas de assinar novos contratos com o governo. Já o acordo de leniência da CGU/TCU determina expressamente que elas poderão continuar concorrendo às licitações, assim como não perderão o direito de receber empréstimos dos bancos públicos, notadamente do BNDES.

Arte de JARBAS


Na definição de uma velha raposa política, "estamos diante de uma situação política nova que vai engendrar comportamentos políticos inusitados". A começar pela situação inusitada do Executivo, depois de ter armado uma maioria absolutíssima à base de expedientes como os do mensalão e do petrolão, ter ficado isolado politicamente, dependente do presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha, figura política ambígua que manobra a seu bel-prazer.

Qual será seu próximo passo?

Tirinhas - O Mago de ID





segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Operação Lava Jato levará ao Impeachment?

Por Ruy Fabiano.
Publicado no blog do Noblat em 21FEV2015


O tíbio e a cara de pau
A rejeição crescente ao governo petista – e que gerou 51 milhões de votos para Aécio Neves nas eleições presidenciais - não se traduz necessariamente na escolha do PSDB como seu antípoda.

Arte de DUKE


Aécio, que não é neófito em política, sabe que foi beneficiário de uma circunstância. O PSDB, idem. Saber aproveitá-la pode somar à carreira de ambos, mas, até que isso aconteça, o descrédito do sistema partidário coloca a todos no mesmo balaio.

Recente pesquisa do Datafolha mostrou que mais de 80% da população não se sentem representados por nenhuma sigla - e desconfiam de todas. Romper esse estigma depende de algo mais do que contar com a incompetência e o desgaste do adversário. 


Arte de KACIO


Depende de determinação e audácia, que têm faltado aos tucanos. Desde as eleições de outubro, o personagem que com mais firmeza enfrentou o PT é da própria base governista: Eduardo Cunha, do PMDB, que tem sido bem mais audaz que Aécio.

O PSDB, ao contrário, tem se mostrado negligente. No imediato pós-eleição, pôs em dúvida o sistema de apuração (chegou a ingressar no TSE com um pedido de auditagem das urnas) e denunciou o uso indevido (criminoso, diga-se) dos Correios em Minas Gerais, comprovado por diversos vídeos e pela confissão do deputado Durval Ângelo (PT-MG), na presença do presidente daquela estatal, Wagner Pinheiro, numa reunião do partido.

Nenhuma dessas denúncias, gravíssimas, prosperou. Não mais delas se falou, o que leva muitos a crer que, mesmo fundamentadas, talvez não o estivessem o suficiente. Ou, então, pior, teriam sido objeto de negociação com os infratores.

Arte de GINCARLO


Há dias, Aécio disse: "Olha, eu não sou golpista, sou filho da democracia. (...) Não acho que exista nenhum fato específico que leve ao impeachment”. E condenou as manifestações de rua, que bradavam por aquela causa, deixando implícito que eram golpistas.

Os depoimentos até aqui conhecidos da Operação Lava-Jato mostram que a Petrobras não apenas foi saqueada numa escala sem precedentes, como seus recursos teriam financiado a campanha da presidente reeleita nas duas eleições (2010 e 2014).

Arte de DUKE

(Análise do jurista Ives Gandra Martins 
sobre a possibilidade de Impeachment

Mesmo assim, o PSDB mede as palavras para se posicionar diante do escândalo. Com isso, os petistas ficam mais ousados – e, reconheça-se, jamais pecaram por tibieza. São peritos, ao contrário dos tucanos, em tomar iniciativas e em exercer o descaro.

Um exemplo: o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco – o tal que se dispôs a devolver 100 milhões de dólares que recebeu como propina ao longo dos governos Lula e Dilma -, informou que o PT, pelas mãos de seu tesoureiro, João Vaccari Neto, levara 200 milhões de dólares de comissão em algumas obras. Barusco era assessor de Renato Duque, diretor de Serviços da Petrobras, nomeado por indicação de José Dirceu. Os três – Vaccari, Duque e Dirceu - estão soltos.

Arte de SPONHOLZ


O PT negou, ameaçou processá-lo e desqualificou-o moralmente como informante. Mas bastou que Barusco dissesse que também recebeu propina da empresa holandesa SBM Offshore ao tempo em que o PSDB era governo – mesmo ressalvando que se tratava de transação direta entre ele e a empresa corruptora - para que, subitamente, o PT e a presidente da República passassem a lhe dar crédito.

Dilma, depois de um longo sumiço, valeu-se da declaração de Barusco para afirmar, com uma cara de pau espantosa, que a culpa do que hoje ocorre na Petrobrás – com seus 88,6 bilhões de rombo decorrentes da corrupção, em 12 anos de petismo (Graça Foster diz que é mais) – é responsabilidade, vejam só, dos tucanos.


Arte de JARBAS

Se o PSDB, disse ela, tivesse investigado em 1997 aquela gorjeta de que falou Barusco, nada disso teria ocorrido. Ora, e o que, quanto a isso, fez o PT, em seu 12º ano no governo? Não apenas não investigou, como montou uma estrutura criminosa, sistêmica e explícita, que sugou a empresa numa escala inédita na história humana, segundo o The New York Times.

Arte de MIGUEL


O que o PT tem de cara de pau o PSDB tem de tíbio. Daí a desastrosa equação histórica a que o país está submetido. As ruas já o perceberam. Já constataram que, se o país depender da virilidade tucana, nada acontecerá. Vencerá mais uma vez a cara de pau, como aconteceu ao tempo do Mensalão.

Arte de SPONHOLZ


A ideia de que impeachment é golpe decorre de um de dois fatores: ou inapetência política em arrostá-lo ou ignorância jurídica - ou ambas. Não pode ser golpe algo que está previsto na Constituição e circunstanciado na legislação ordinária, já tendo sido acionado pelo próprio PT e PSDB contra o governo Collor, sem que o país tenha abdicado da democracia.

Aécio parece mais preocupado em zelar pela imagem de bom moço, rejeitando apoio conservador – embora desse segmento tenha recebido grande parte de seus votos -, que em correr os riscos que o momento histórico impõe. Não só ele, mas seu partido.

A História é implacável com os que não a percebem. Oferece oportunidades, mas é cruel com os que não as aproveitam.