terça-feira, 26 de maio de 2015

Quem manda, é Levy ou Dilma?

Por Josias de Souza, em seu blog

Dilma tem um ministro ou é o Levy que a tem?
Depois da tempestade que Dilma Rousseff provocou na economia veio a cobrança. O desmantelo do primeiro mandato foi grande. E a presidente virou outra depois que o eleitorado lhe deu uma segunda chance. Uma mulher, assim, do mesmo tamanho, só que bem mais magra e muito mais fraca.

Dilma continua filiada ao PT, mas decidiu ser mais realista que o PSDB. A metamorfose cobra-lhe um preço político tão alto que a presidente ainda não entendeu bem se é ela que tem um ministro da Fazenda ou se é Joaquim Levy que a tem. Da resolução desse dilema depende o futuro do governo de madame.

Arte de MARIO


Ao privar a plateia de sua presença no palco montado para o anúncio do megacorte orçamentário de R$ 69,9 bilhões (pode me chamar de sorvo de gigante), Levy sinalizou que não está interessado no ziguezague de um jogo de gato e rato. Ultraliberal, o ministro é adepto do comunismo de resultados de Deng Xiaoping: não importa se o gato é preto ou branco, desde que cace os ratos.

Levy foi convocado para cumprir duas tarefas: fechar o cofre e arrancar do bolso do contribuinte a grana que vai tapar a cova que Dilma cavou para si mesma. Antes de aceitar o desafio, avisou que o esforço seria grande e penoso. Recebeu carta branca. Perguntou sobre o Congresso. Disseram-lhe que não haveria problemas.

Arte de IOTTI

Decorridos menos de seis meses, Levy toma café da manhã, almoça e janta com congressistas arregimentados por Michel Temer. E vê seu ajuste fiscal ser mastigado por um Legislativo rendido às conveniências dos investigados Eduardo Cunha e Renan Calheiros, morubixabas do PMDB do vice-presidente.

Sem respostas conclusivas do Congresso, Levy quis empurrar o talho no Orçamento para a vizinhança da casa dos R$ 80 bilhões. Dilma piscou. E o ministro se deu conta de que é chefiado por um ponto de interrogação com crise existencial. A presidente tornou-se uma dúvida que sofre com o desencontro entre sua teoria e sua prática.

Arte de MYRRIA


Na teoria, Dilma já havia percebido que seus primeiros quatro anos foram como uma festa que acabou em detritos e exames de consciência. Ela também já notara que, para que outra festa comece, alguém terá de colocar o abajur em pé, limpar o vômito no banheiro e tirar as manchas de vinho do tapete.

Levy topou fazer a faxina. Mas parece incomodado com a fofoca segundo a qual os colegas Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento) fazem sua caveira junto à presidente, na cozinha do Planalto. Leva o pé atrás porque sabe como esse tipo de tititi termina. Pode acabar em triunfo ou em desastre.

Arte de REGI


Levy chefiava o Tesouro Nacional no alvorecer do primeiro reinado de Lula. Viu Antonio Palocci tocar a Fazenda blindado por Lula das emboscadas palacianas. Saneadas as contas, Lula atravessou o mensalão, reelegeu-se e enfiou o pé na jaca para fazer a sucessora.

Levy era diretor do Bradesco quando Dilma, eleita pela primeira vez, decidiu acumular as funções de presidente e de titular da Fazenda, convertendo o companheiro Guido Mantega em ministro-fantoche. Deu em ruínas e na vitória magra de 2014, contra o voto de Levy, um eleitor de Aécio Neves.


Arte de AROEIRA


Incomodado, Levy parece tentar esclarecer que não tem vocação para Mantega. Dilma governa com a ilusão de que tem um ministro da Fazenda. Se Levy der no pé, a onda de desconfiança será tão avassaladora, que a presidente logo descobrirá que teria sido melhor e mais barato que o ministro a tivesse.

2 defesas ao ataque desrespeitoso do ex-presiMente Lulla

O petista havia dito, na noite de quarta (20), que pastores neopentecostais gostavam de responsabilizar a figura do diabo pelas coisas ruins que acontecem.

"Você está desempregado? É o diabo. Você está doente? É o diabo. Roubaram o seu carro? É o diabo", enumerou, entre risos de uma plateia de trabalhadores e sindicalistas.

video
Senador Magno Malta


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Pastor Silas Malafaia
vídeo foi divulgado no Twitter, 
onde tem 899 mil seguidores.


Cartuns do dia






A imbecilidade do politicamente correto

Por Guilherme Fiúza, em seu blog

Na indústria da bondade não tem crise
O relatório do FMI confirmou as projeções do mercado, prevendo que em 2015 o Brasil vai andar na contramão do mundo. Média geral de crescimento em torno de 3%, média de crescimento dos emergentes em torno de 4%, e o Brasil dando marcha a ré – PIB negativo de 1,5. Todos os setores da economia nacional já estão sentindo esse tranco, menos a indústria da bondade. Para ter uma ideia, ela acaba de faturar R$ 150 mil do deputado Jair Bolsonaro, condenado por homofobia. Este país pode cair no abismo, que os coitados estarão sempre no céu.

Arte de NEWTON SILVA


Bolsonaro foi condenado por danos morais, pela Justiça do Rio de Janeiro, por suas declarações ao programa CQC, da TV Bandeirantes, sobre homossexualismo. Perguntado sobre o que faria se tivesse um filho gay, o deputado militar disse que isso não aconteceria, porque seus filhos “tiveram boa educação”. Trata-se, evidentemente, de um preconceituoso. Bolsonaro acha que homossexualismo é falta de educação. A pergunta é: por que ele não pode manifestar sua opinião?

Militantes de esquerda cansam de declarar que militares são retrógrados, entre outros juízos “progressistas” igualmente preconceituosos. Por que não são processados? Porque na bíblia maniqueís­ta da indústria da bondade militares são do mal e gays são do bem.

Arte de KACIO


A deputada e ex-ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário pediu a cassação do mandato de Jair Bolsonaro porque ele afirmou que só não a estupraria porque ela “não merecia”. O bizarro Bolsonaro faz a festa dos bonzinhos profissionais. Mas surge outra dúvida. Antes de soltar seu disparate, o deputado foi chamado pela ex-ministra, em público, de “estuprador”. Por que ninguém pediu a cassação do mandato de Maria do Rosário? Por que seu insulto não foi tipificado como lesivo à honra ou à moral e nem sequer ganhou repercussão?

Porque Maria do Rosário é acionista da indústria da bondade, vive disso. Ela defende que centenas de jovens da periferia invadam um shopping, como direito de ir e vir. É uma estupradora do bom-senso. Um shopping ocupado por uma multidão em bando (mais ou menos agressiva) deixa de servir ao público comum. Muda de finalidade. Torna-se um território ocupado. Mas é claro que as lentes da hipocrisia embaçam essa realidade – até porque realidade não é o forte dessa turma. O negócio deles é discurso. E a única aplicação imune a riscos hoje no Brasil é investir na retórica coitada. Basicamente, é o que segura o governo em pé.

Arte de ???


Sabendo bem disso, Dilma Rousseff deu uma resposta sui generis aos protestos de 12 de abril: atacou a redução da maioridade penal. Foi sua primeira declaração pública após as novas manifestações contra seu governo em todo o país. Em geral ela fala de reforma política, a aspirina do governo popular. Mas dessa vez, com dois terços da população defendendo seu impeachment, ela precisava de um remédio mais forte – e abriu o dicionário de primeiros socorros progressistas. Não tem erro. Pode ser maioridade penal, orgulho gay, proselitismo feminista ou ditadura militar, tanto faz. No Brasil, um governo desastroso é capaz de se safar com uma leve maquiagem humanista.

Arte de ELVIS


Se você foi desempregado pela crise, ou se simplesmente está com preguiça de trabalhar, funde uma ONG de direitos humanos e ataque Jair Bolsonaro. Não tem emprego melhor. Você vai conseguir publicidade, simpatia, quem sabe até um convênio com o governo popular. E invista pesado na demagogia gay. As ONGs do Rio de Janeiro que processaram o deputado de direita por homofobia vivem seu momento de glória, com a incrível sentença obrigando o réu a desembolsar R$ 150 mil. Como é doce a vida dos gigolôs da bondade.

Bolsonaro disse que seus filhos não seriam gays porque foram bem educados. E levou chumbo da Justiça por isso. Parece que estamos entrando nos anos de chumbo vermelho, ou cor-de-rosa. Cuidado com o que você fala. Mas se você quiser fundar um partido progressista, chegar ao poder e roubar seu país discursando pelos direitos humanos, aí tudo bem.

Arte de GENILDO


O militante revoltado de Marcelo Adnet denunciou a “dona Rede Globo” por escolher Lucélia Santos, uma atriz branca, para viver a escrava Isaura. Está próximo o dia em que isso não será mais uma piada no Brasil. A piada será o próprio Brasil. 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Rio de Janeiro, terra sem lei

Por Maria Helena RR de Souza, do 50 anos de textos

Guerras sem trégua
No dia em que foram oficialmente inaugurados os Anéis Olímpicos aqui no Rio, morreu um médico assaltado a facadas nas margens da Lagoa Rodrigues de Freitas.

Arte de ALECRIM


Revoltado com o crime na Lagoa, nosso secretário de Segurança Pública, José Maria Beltrame, declarou que “é inadmissível o que aconteceu ontem, na Lagoa, lugar querido pelos cariocas, frequentado pela população do Rio e pelos turistas. Cenas como essas não podem se repetir. A Lagoa é um cartão-postal” (sic).

A Lagoa, é verdade, tem sido grande vítima dessas cenas de horror: em outubro de 2014 um estudante teve o pulmão perfurado ao tentar fugir de um assalto. Em abril deste ano um menino de 14 anos foi ferido a faca por quatro jovens que queriam levar sua bicicleta. No mesmo dia, um homem também foi esfaqueado quando corria nas margens da Lagoa.

Arte de SUELLEN BECKER


Outros pontos turísticos do Rio também são verdadeiras armadilhas para o turista desavisado ou para o carioca que insiste em andar de bicicleta, namorar, ir ao cinema, tirar dinheiro no banco, visitar museus ou simplesmente ir e vir pelas ruas de sua cidade.

Em São Conrado, uma mulher de 31 anos é ferida a faca por bandidos armados ao atravessar a passagem subterrânea que leva de um lado a outro da Estrada da Gávea.

Pertinho da Praça Quinze, local do desembarque da Família Imperial, onde ficam o Paço Imperial, a Antiga Sé onde nossos Imperadores foram coroados e a maravilhosa Igreja da Ordem Terceira do Carmo, uma turista vietnamita foi esfaqueada no braço esquerdo e nas costas. Ela estava em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e teve sorte: está hospitalizada, mas não morreu.

Arte de ALECRIM


Fora dos cartões-postais, na Avenida Brasil, o cadeirante Eduardo Câmara, agredido a facadas, teve, além do automóvel e de uma bicicleta, a cadeira de rodas roubada. Em quatro meses, o Rio teve 167 feridos a faca. Os dados são da Secretaria de Saúde do município.

A cidade, acuada pelo medo, sofre de norte a sul, de leste a oeste.

Foi lendo esse noticiário tenebroso que soube de um detalhe maquiavélico: portar arma branca não é crime, é apenas uma contravenção! Quem foi o legislador que bolou tal pérola e quais seus pares que a legitimaram? O que será que eles tinham na cabeça? É, pois é. Só pode ser…

Arte de RENATO


Zuenir Ventura cunhou uma expressão que nos define muito bem: a cidade partida. Agora, em guerra. E numa guerra sem trégua.

A semana promete ser boa

Por Felipe Moura Brasil.


Agenda da Semana
As novas vaias recebidas pelo ex-ministro e rei das pedaladas Guido Mantega no sábado, ao sair de um restaurante italiano em São Paulo, onde havia jantado com sua mulher, foram o prenúncio de uma semana que promete ser divertida. Eis uma página da agenda:

Segunda-feira
Dia da chegada a Brasília do empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, amigo de Lula e homem-bomba para o PT.

Arte de SPONHOLZ


Disposto a apontar, em acordo de delação premiada, os políticos envolvidos no esquema de pagamento de propina sobre contratos firmados com a Petrobras, ele já antecipou pela imprensa que pagou despesas pessoais do ex-ministro José Dirceu e deu 30 milhões de reais, em 2014, a candidaturas do PT, sendo 7,5 milhões de reais à campanha de Dilma Rousseff temendo sofrer represálias do partido.

Kabum!

Terça-feira

a) Dia da transferência do tesoureiro petista João Vaccari Neto e dos deputados André Vargas, do PT, Luiz Argôlo, do Solidariedade, e Pedro Corrêa, do PP, da carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR) para o Complexo Médico-Penal do Paraná – um presídio em Pinhais, com capacidade para 350 detentos, 346 dos quais terão de tomar cuidado para não serem roubados pelos calouros.

Boa sorte a todos.

b) Dia, também, em que o PSDB protocola na Procuradoria Geral da República um pedido de abertura de ação penal contra Dilma Rousseff pelas “peladadas fiscais” em desobediência à Lei de Responsabilidade Fiscal.




A pressão pelo impeachment está tão grande sobre os tucanos que até o senador Aloysio Nunes Ferreira, que dizia não ser este o seu “objetivo estratégico”, divulgou um vídeo para explicar que o partido não desistiu do pedido, apenas “procurou um outro caminho”, solicitando uma investigação por crime comum.

Ele só esqueceu de explicar:

- Por que não o PSDB seguiu por ambas as vias (criminal e política) ao mesmo tempo, já que os dois processos, se abertos, acabariam no Congresso;

- Por que o PSDB prefere culpar Rodrigo Janot pela eventual recusa da ação penal a Eduardo Cunha pela do impeachment;

- Por que o PSDB só funciona – e muito mal – à base de pressão.

Quarta-feira

Dia em que o Movimento Brasil Livre - que deixou São Paulo no dia 24 de abril na chamada Marcha Pela Liberdade e chegou a Brasília neste domingo, 24 de maio - protocola no Congresso Nacional o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, para atazanar petistas e tucanos.


Para o Brasil, como se sabe, “agenda positiva” é petista preso ou “impichado”.

No Brasil não se precisa de oposição

Por Josias de Souza, em seu blog


Sob Dilma, a oposição tornou-se desnecessária
Brasília é uma cidade dada a esquisitices. Mas poucas vezes esteve tão surrealista como agora. Nesta semana, prefeitos e manifestantes pró-impeachment encherão os espaços públicos da Capital de protestos contra o governo. Enquanto isso, nos gabinetes, PT e PMDB discutirão, como fazem há semanas, sobre quem é o responsável pela paralisia que produz a atmosfera de permanente insurreição. Um partido acusa o outro. E o ministro Joaquim Levy (Fazenda) acha que ambos estão cobertos de razão.

O PT diz que os caciques peemedebistas Renan Calheiros e Eduardo Cunha conspiram em dobradinha para fatiar as medidas fiscais enviadas por Dilma ao Legislativo. O PMDB reage, indignado, afirmando que quem tem Lindbergh Farias e Paulo Paim como filiados não precisa de traidores.

Arte de GENILDO


Lula aponta deficiências na articulação política de Michel Temer. E Temer queixa-se da desarticulação que Dilma provoca na política ao reunir-se com Lula e o concílio de sábios petistas pelas suas costas. O PT reclama de perda de espaços no rateio de cargos. O PMDB revolta-se com a demora na entrega das poltronas prometidas.

Diante de um cenário tão inusitado, a oposição perdeu a serventia. Não resta ao PSDB e aos seus satélites senão a alternativa de se dissolver como partidos do contra e aderir ao bloco governista. Na oposição, não conseguem ter metade do poder de destruição dos aliados.

Aderindo ao governo, os oposicionistas não precisariam mais se esgoelar da tribuna para atazanar Dilma. Passariam a combinar, em longos almoços nos melhores restaurantes de Brasília, as emboscadas contra as correções de rumo idealizadas pelo ex-colaborador tucano Joaquim Levy.

Corte sem corte

Por Mary Zaidan,  no Blog do Noblat


Corte sem corte
Quase R$ 70 bilhões. Ainda que inferior ao desejo do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o contingenciamento anunciado sexta-feira no Orçamento da União – o maior da história – impressiona. As lâminas chegaram à Educação e à Saúde, em obras do PAC, e até na menina dos olhos da presidente Dilma Rousseff, o programa Minha Casa, Minha Vida. Mas, de novo, não se viu corte algum no custeio, no tamanho da máquina que não para de inchar.

Arte de CLAYTON


Os cortes são mais do que necessários, mas correm longe de ser solução para o país, dilapidado por mais de uma década pelos governos petistas que se divertiram gastando mais do que deviam e podiam.

Antes de tudo, são bombas de efeito antecipado em um ambiente político em que só o cheiro de pólvora já faz tudo explodir.

Ninguém no governo – nem mesmo Levy – pensou em dividir a conta com o próprio governo e com setores ainda intocados: juízes, parlamentares, servidores públicos. Não se abriu mão de um simples ministério, de um único cargo de confiança. Não se mexeu em privilégios. Não se fez um mero gesto.

Arte de CLAUDIO


Na Previdência, por exemplo, um milhão de aposentados do serviço público respondem por mais R$ 60 bilhões do déficit, os outros R$ 50 bilhões de rombo são relativos aos 30 milhões de segurados do INSS. Um vespeiro do qual ninguém quer passar por perto.

Sequer uma voz sobre renegociação de contratos, mesmo depois de as investigações na Petrobras revelarem percentagens fixas de corrupção, padrão que, se acredita, repetia-se em obras de todo o país.

Nem o decreto de Dilma para redução do uso de aviões da FAB por ministros foi cumprido, como, há mais de mês, revelou a jornalista Maria Lima, em O Globo.

Arte de PELICANO


Difícil crer que algo tenha mudado.

Elogiados como ato “de coragem” pela diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, para arrepio de alguns setores do PT, os cortes são um ambicioso conjunto de intenções. Diferentemente das medidas provisórias que estão no Parlamento, não produzem efeito imediato. Mesmo sendo valores estratosféricos, apenas limitam os já baixíssimos investimentos do governo e, de quebra, têm caráter recessivo.

Sabe-se que Dilma, Lula e a maior parte do PT odeiam ter de dar o braço a torcer a políticas que até ontem eles taxavam como neoliberais. A trinca, em especial Lula, sabe ainda que qualquer possibilidade de êxito em 2018 depende do sucesso desse rearranjo na economia, seja ele ortodoxo, de direita, conservador.

Arte de SPONHOLZ


No momento, se aceita tudo, até aumento de impostos. Só reagem ao desabrigo dos companheiros aboletados no governo. Isso não. Mexer nos cargos de livre nomeação, nem pensar.

Ao que parece, não percebem a exaustão da fábula: as formigas já trabalham cinco meses por ano para encher as burras do governo. Não suportam nem mesmo o canto da cigarra.

Porta Aberta ao Juízo - LXXI



Teríamos de ser maiores para sermos iguais.

[Gilberto Quadros]
{extraído do livro Porta Aberta ao Juízo}

domingo, 24 de maio de 2015

Cartoons sacaninhas - XXII

Especial Lassalvy






Futebol - direitos de TV, pelo mundo.

Fonte: Globo Esporte

A TV e o futebol
A divisão do dinheiro que vem de emissoras de televisão é muita citada porque, dentre fontes de receita, é a única que pode ser controlada. Todas as outras estão condicionadas à torcida. Patrocinadores pagam mais a clubes cujas bases de torcedores, potenciais consumidores dessas empresas, são maiores. Fornecedores de materiais esportivos, idem. Quanto mais torcedores, mais produtos licenciados, planos de associação e ingressos para partidas tendem a ser vendidos. No caso da televisão, embora ela também tenha mais audiência e pay-per-view conforme tamanho de torcida, há mais espaço para equilíbrio.




A Premier League, primeira divisão da Inglaterra, é bom exemplo disso. Na temporada 2013/2014, os 20 times que a disputaram receberam £1,753 bilhão (R$ 8.384 bilhões) referentes a direitos de transmissão. Este valor é repassado pela liga aos clubes com base em três critérios: 50% são igualitários para todo mundo; 25% dependem do mérito esportivo, conforme a colocação na tabela na temporada anterior; e 25% obedecem o número de partidas televisionadas, com um valor mínimo assegurado até para quem teve muito menos jogos transmitidos pela TV. O Chelsea, com £ 139 milhões recebidos (8%), tem a maior receita com televisão do país. O Cardiff City, com £ 63 milhões (4%) , tem a menor. Logo, o mais rico arrecada o dobro do que arrecada o mais pobre, melhor proporção entre as maiores ligas de futebol do planeta.
Alguns outros: 
  • 8% - Manhester United, Manchester City e Chelsea; 
  • 7% - Arsenal
  • 6% - Liverpool
  • 8% - Astom Villa, Everton




A La Liga, primeira divisão da Espanha, é o mau exemplo de equilíbrio. São considerados, aqui, 16 clubes que jogaram a elite espanhola em 2013/2014 porque Valencia, Malaga e Getafe não publicam balanços financeiros, embora nova lei do país exija que todos o façam, e o Levante não detalha em seu documento o montante recebido da televisão. A soma desses 16 dá € 678,4 milhões (R$ 2.300 bilhões). O Real Madrid possui a maior receita e obteve € 162,6 milhões (24%) com direitos de transmissão, e o Real Valladolid, com a menor, conseguiu € 15,6 milhões (2,3%). A diferença entre o mais rico e o mais pobre, portanto, é de mais de dez vezes.

Outros Clubes:
  • 24% - Barcelona
  • 7% -  Atlético de Madrid
  • 6% - Villareal
  • 5% - Sevilla, Athletic Bilbao
  • 4% - Real Sociedad, Betis

A Serie A, primeira divisão da Itália, tampouco divide bem receitas com direitos de TV. A amostra neste caso é de 12 times que disputaram a elite italiana em 2013/2014. Os ausentes, sobretudo Milan e Fiorentina, não foram considerados porque ainda não publicaram balanços financeiros referentes a 2014. O valor gerado foi de € 672,2 milhões (R$ 2.278 bilhões) , dos quais a Juventus ficou com a maior parte, € 150,9 milhões (22,5%), e o Verona, a menor, € 22,8 milhões (3,4%). O mais rico recebe 6,5 vezes mais do que o mais pobre, portanto. Perceba que há um grupo de clubes à frente, com Juventus, Napoli, Internazionale e Roma, do qual o Milan certamente faz parte, que se destaca dos demais. São os mais populares do país. 
  • 22% - Juventus
  • 16% - Napoli
  • 11% - Internazionale
  • 10% - Roma
  •   8% - Lazio


A Ligue 1, primeira divisão da França, peca por ter à frente somente dois clubes que faturam muito mais com televisão do que os 18 abaixo. Os 20 que jogaram a elite francesa geraram € 604,8 milhões (R$ 2.050 bilhões) com direitos de transmissão em 2013/2014. O Paris Saint-Germain, atual tricampeão nacional, ficou com a maior parte, € 85,8 milhões  (14,2%), enquanto o Ajaccio ficou com a menor, € 13,5 milhões (2,23%). A diferença entre o mais rico e o mais pobre é de pouco mais que seis vezes.

  • 13% - Olympique Marseille 
  •   9% - Lyon
  •   7% - Bordeaux
  •   6% - Lille
  •   5% - Monaco 
A Alemanha não entra neste levantamento pois não obriga seus clubes a divulgar balanços financeiros, tampouco publica, por meio de órgãos oficiais do governo, como nos outros países europeus analisados, os documentos. Apenas quatro equipes têm alguma transparência, entre elas Bayern de Munique e Borussia Dortmund, e neste caso a amostra seria reduzida demais para conclusões.



O Campeonato Brasileiro, por fim, tem divisão similar à italiana e à francesa. Não está nem próximo da Inglaterra, bom exemplo, nem próximo da Espanha, mau exemplo. Aqui, são considerados 19 clubes, com Vasco no lugar da Chapecoense, que não publica balanço financeiro, e sem o Sport, cujo documento não detalha ganhos com televisão. Esses 19 arrecadaram R$ 1,12 bilhão com direitos de transmissão em 2014. O Flamengo tem a maior receita, R$ 115,1 milhões (10%), e o Figueirense, a menor, R$ 18,5 milhões (2%). A diferença entre mais rico e mais pobre é de pouco mais que seis vezes.

10% - Corinthians
 7% - Atlético-MG, Palmeiras, São Paulo
 6% - Cruzeiro, Vasco da Gama
 5% - Fluminense, Grêmio, Internacional, Santos
 4% - BAHIA, Botafogo
 3% - Atlético-PRCoritiba, Criciúma, Goiás e VITÓRIA



Ainda que o parâmetro "mais rico versus mais pobre" esteja em linha com França e Itália, no Brasil os dois maiores faturamentos com TV, Flamengo e Corinthians, têm 10% cada sobre o valor total. O percentual é mais baixo do que na França, onde PSG e Olympique levam 14% e 13%, e mais baixo do que na Itália, onde Juventus e Napoli ficam com 22% e 16%. 

Mas mesmo assim ao levarmos em conta a produtividade - número de campeonatos conquistados nos últimos 12 anos (pontos corridos), o Flamengo tem apenas 1 e o Corínthians, 2. Enquanto isso, Cruzeiro e São Paulo conquistaram 3 títulos, cada.

O mistério da natureza

Garimpado por Paulo Mendes


7 min 23 seg

1º Vencedor do GP de Mônaco, um herói da resistência

Curiosidades em Guerra


XIX - 1º Vencedor do GP de Mônaco
     Um herói da resistência


O primeiro vencedor do GP de Mônaco foi morto pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

William Charles Frederick Grover, conhecido como William Grover-Williams nasceu em Montrouge, na França. filho de pai inglês e mãe francesa.  Depois do término da Primeira Guerra Mundial,  a família mudou-se para Mônaco, local em que desenvolveu sua paixão por automóveis. Aos 15 anos obteve licença para dirigir e comprou uma motocicleta Indian, com a qual passou a disputar corridas locais, sem, contudo, revelar tal fato a seus pais. Adotou o pseudônimo W Williams para continuar a correr de forma anônima. 

Williams Grover-Williams no Bugatti #12 em Mônaco, 1929
 (Foto: Goodwood)


Ainda com o pseudônimo W Williams, disputou o Grand Prix de Provence e o Rali de Monte Carlo. Em 1928, obteve sua primeira vitória importante, no Grande Prêmio da França. O ano seguinte veria um sucesso ainda maior, ao volante de uma Bugatti, Grover-Williams repetiu a vitória no Grande Prêmio da França e venceu a primeira edição do Grande Prêmio de Mônaco, batendo a favorita equipe da Mercedes-Benz do campeão alemão, Rudolf Caracciola. 

Venceu, ainda, o Grande Prêmio da Bélgica  de 1931, e o Grand Prix de la Baule - onde os carros atolavam na areia - por três vezes seguidas, em 1931, 1932 e 1933. Obteve, ainda, o sexto lugar no Grande Prêmio da França de 1932.


1º GP de Mônaco, em 1929



Ele foi o único piloto de nacionalidade inglesa a entrar no primeiro GP de Mônaco, em 14 de abril de 1929. Completou as 100 voltas do antigo traçado, que seguiria sendo usado até 1972, em 3h56min. E pronto. A corrida mais lendária da F1 tinha sido criada, e o rapaz que corria com nome cheio de truques para enganar a mãe era o primeiro vencedor.

Em 1933, Williams concluiu que sua carreira de piloto havia chegado ao final. E assim fez, partindo no auge para uma vida mais pacata ao lado da esposa. Os dois foram figuras constantes nas colunas sociais da época durante a carreira do piloto, mas queriam uma vida mais calma.

Grover-Williams em Nürburgring, 1931

A vida pacata de Williams durou alguns anos e foi pouco interrompida no período. Já rico, aumentava a renda ao ensinar donos de Bugatti como manusear suas máquinas.

Mas veio um elemento impossível de ser contabilizado: a guerra. E Williams assumiu um papel longe de convencional. De piloto reconhecido para líder de resistência condecorado.  

Willy, como era chamado pelos amigos, se alistou nas Forças Armadas Britânicas. Seu francês fluente o fez um alvo fácil para fazer parte da resistência francesa. Por quase dois anos, Williams foi treinado pelo SOE (Executiva de Operações Oficiais). Ao fim de maio de 1942, foi enfim mandado para Paris, talvez o lugar mais perigoso para um combatente aliado naquele ponto da guerra. A nova rede de resistência, a Chestnut Network, deveria substituir a antiga, destroçada pela Gestapo.

O monumento em homenagem ao primeiro vencedor 
do GP local em Mônaco (Foto: Reprodução)


Sob os codinomes de 'Vladimir' e depois 'Sébastien', Williams começou a recrutar pessoas para a resistência parisiense. Juntamente com os franceses Robert Benoist e Jean-Pierre Wimille, também pilotos de automobilismo antes da guerra e integrantes das networks da SOE, passaram a trabalhar na elaboração de células de sabotagem e no desenvolvimento de operações de paraquedistas voltadas aos preparativos do Dia D.

A nova rede de resistência deveria ter recebido agentes britânicos logo, o que não aconteceu. E começaram a recrutar, treinar e armar um exército de resistência formado por locais.

Esses membros da Resistência cometeram diversos atos de sabotagem, incluindo vários na fábrica da Citroën. Mas uma traição acabou levando a Gestapo à casa de Benoist, onde os líderes do grupo acabaram capturados em agosto de 1943. Enquanto Benoist conseguiu escapar e voltar para casa, Williams não teve a mesma sorte. Ele foi torturado em interrogatório e mandado para o campo de concentração de Sachsenhausen. Lá ele ficou por quase dois anos, até ser assassinado em 23 de fevereiro de 1945, poucos meses antes do fim da guerra. 

"Monaco 1929"


Na últimas décadas surgiram versões que tentam levar a crer que que ele sobreviveu à guerra mas nenhuma, até então, foi comprovada. 



O jornalista Joe Saward que cobre a F1 lançou há alguns anos o livro  The Grand Prix Saboteursque conta a história dos tres pilotos.

A Semana

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Fontes