quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Nunca antes nesse país...

Por Eliana Calmon.
Publicada em sua página no Facebook em 19NOV2014

Nunca antes nesse país
Venho observando as notícias sobre as investigações da operação "Lava Jato". Como a maioria dos brasileiros, permaneço cética em relação aos resultados concretos, sempre adiados e depois esquecidos por todos, inclusive pelos mais revoltados cidadãos brasileiros. Procuramos o culpado (ou culpados), pelo frustrante resultado e infelizmente, não sabemos a quem debitar a conta.

Arte de ANGELI


Como magistrada participei de diversas operações policiais grandiosas envolvendo autoridades. Fui juíza rigorosa e atenta, mas pouco pude ver de concreto nos processos que consumiram grande parte do meu tempo como julgadora. O que vi foram resultados muito aquém dos esforços e gastos na condução do processo. Portanto, falo com a propriedade de quem conhece o sistema nas suas entranhas. Os únicos processos grandes, envolvendo corrupção da cúpula do poder com resultados visíveis foram: o determinante do impeachment de Collor, quando ficou provado ele ter recebido propina - representada por um Fiat; o Mensalão, quando as provas evidentes do processo deixaram o STF, sem alternativa senão a condenação.

Arte de FAVI


Para não parecer pessimista, basta lembrar dentre os maiores escândalos financeiros envolvendo altos figurões da República e desvios de recursos públicos, cujo destino já se sabia de antemão - iriam para as campanhas eleitorais e engordariam as contas pessoais dos candidatos e seus parceiros: 
- Anões do Orçamento (1989 a 1992, 800 mm dentro do Congresso Nacional); 
- Vampiros (1990 a 2004, 2,4 bilhões, fraude a licitações dentro do Min.Saúde);
- TRT de SP (1992 a 1999, 923 mm, envolvendo o Senador Luiz Estevão e o Juiz conhecido como Lalau);
- BANESTADO (1996 a 2000, 42 mm, no Estado do Paraná);
- Banco Marka (1999, 1,8 bilhões, dentro do BC; 
- Pobre Amazônia (1998 e 1999, SUDAM, 214 milhões);
- Máfia dos Fiscais (1998 a 2008, 18 mm, Câmara dos Vereadores de SP);
- Mensalão (2005, 55 mm, Câmara Federal, envolvendo o PT);
- Sanguessugas (2006, 140 mm, envolvendo 3 senadores e 70 deputados); 
- Operação Navalha (2007, 610 mm, envolvendo o Ministério das Minas e Energia, nove Estados, o DF e a empresa Gautama). 

Todos esse escândalos foram investigados pela Polícia Federal, monitorados pelo Ministério Público Federal e processados pela Justiça. Mas, houve punição adequada?

Arte de NEWTON SILVA


Como vemos, a descoberta das falcatruas na Petrobras, conhecidas por todos desde as eleições de 2010, foram repetidas com maior perfeição nas eleições de 2014 e antes do segundo turno o governo se mobilizou politicamente para abafar as investigações: esvaziou a CPI da Câmara, tentou desconsiderar o magistrado Sérgio Moro, disse que se tratavam de investigações de cunho politico-partidário patrocinadas pela oposição e conseguiu retardar o que só agora vem a tona, com força total, pouco menos de um mês após a apuração de todas as urnas e a reeleição da Presidente. 

Hoje comprova-se que não é especulação ou invenção eleitoral e sim uma certeza - pelo que já está apurado por documentos e declarações - trata-se do maior escândalo de corrupção do Brasil, alcançando a cifra de 60 bilhões retirados de uma única empresa, a Petrobras. 

Arte de SPONHOLZ

Os mandantes e beneficiários estão ligados diretamente ao governo federal, pertencem ao PT e aos partidos que dão sustentação política a Dilma, via as maiores empreiteiras do país. Os empreiteiros, presos provisoriamente, já com a experiência do Mensalão, de que os figurões políticos conseguem a liberdade, estão aderindo maciçamente ao instituto da delação premiada.

Diante do quadro que se tem no momento, quando tudo parece levar ao caso do – sem saída para o governo que promoveu, ou ao menos chancelou o absurdo desfalque, somos surpreendidos com a fala presidencial, que se apossou da corrupção perpetrada para dizer em alto e bom som: "nunca antes neste país o Governo promoveu tão séria e severa investigação pela MINHA Polícia Federal, pelo MEU Ministério Público e pela MINHA Justiça Federal".

Arte de AROEIRA

Tudo virou Governo (e do Governo), porque não mais se tem a noção do que seja Estado e do que seja Governo. Tudo é uma coisa só.

O Ministro da Justiça, no mesmo diapasão, com a voz embargada por uma teatral indignação, disse: "estamos investigando, a Presidenta quer o maior rigor nas apurações, mas não vamos admitir o terceiro turno". E como já é de costume, como aconteceu no caso do Mensalão, alias, o governo afirma nada saber. Porém, é difícil acreditar que a milionária campanha eleitoral governista, tenha sido bancada unicamente com o dinheiro do fundo partidário e doações espontâneas das empresas. Não acredito que assim pensem a Polícia Federal (quase sucateada nesses quatro últimos anos) e o Ministério Público. E muito menos, que se acredite que os brasileiros são cegos a ponto de não verem o que está realmente acontecendo.

Arte de DOGO

A Presidente se elegeu com 53 milhões de votos e com o auxílio de 39 milhões de eleitores que lavaram as mãos ao darem seu voto em branco ou nulo. Mas nós estamos vigilantes e mobilizados em nome da verdadeira democracia, da ética e da cidadania para, como oposição e testemunhas históricas, exigirmos maior rigor e pudor nas condenações. Não vamos esmorecer. Exigimos apuração séria e competente não pela Polícia de Dilma, mas pelas instituições democráticas deste país, nascidas antes do PT. 

Realmente, nunca antes neste país se viu roubalheira igual.

Eliana Calmon - Baiana e magistrada, denunciou os "bandidos de toga" enquanto Corregedora do CNJ e foi a 1ª mulher Ministra do STJ. 

HOJE no TCA, em Salvador

VOZES DAS ESTRELAS. 
Um Espetáculo Musical de Paz, Harmonia e Amor.
 Cantores de 9 a 80 anos.


O espetáculo Vozes das Estrelas será apresentado nesta quinta-feira, 18, às 21 horas, no Teatro Castro Alves. Na noite, o maestro Cícero Alves reúne todos os seus corais e seus solistas em uma homenagem ao Natal. As inteiras saem por R$ 60, R$ 50 e R$ 40.

No repertório, além de canções tradicionais do período, serão ouvidas canções espirituais evangélicas, uma canção gaélica (celta) e duas de autoria do próprio maestro Cícero (Natal Baiano e Hino de Louvor).

Para finalizar o espetáculo, serão entoadas duas peças clássicas: Glória, de Vivaldi, e Aleluia, de Haendel.

Dividido em três partes, o show começa com a apresentação do coral feminino Jovens e Divinas, sendo seguido pelo coral misto Coronlaine. Na parte final, se apresentam coristas do Acbeu, Iisba, Cerb, Viva Vox, Assembleia Legislativa da Bahia e o Coronlaine, reunindo ao todo mais de 120 vozes.

Estarão também presentes no concerto solistas como Catharina Gonzaga, Renatinha Tinoco, Sávio Andrade, Tâmara Pessôa, Fábio Eça (tenor da Banda de Boca), dentre outros.

Na parte instrumental, o espetáculo contará com o acompanhamento da pianista Kadija Teles e do contrabaixista Alexandre Montenegro.

Cícero Alves compartilha a regência da apresentação com outros maestros. O primeiro a dividir o palco com Cícero será o maestro Carlos Veiga Filho, regente dos corais da Câmara Municipal de Salvador, da Petrobras e do Ars Cantandi. Logo depois será a vez do jovem maestro Matheus Steinhagen (aluno de Cícero desde os 14 anos).
A maestrina titular do Coral da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Priscilla Prueter, participará como convidada especial.

 Ingressos à venda no TCA, nos SACs Barra e Bela Vista ou online, 
pelo site do TCA:www.tca.ba.gov.br 
Direção e Produção do Maestro Cícero Alves.

12 anos de Brasil pelos traços de ...

LAILSON


MYRRIA


PATER


RENATO


HELIANDRO & RONALDO


TACHO


THOMATE


TONINHO


ZOP


ZOP

FONTES - WEB / ACERVO

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Fróidisplika


Todo brasileiro é conservador e contra o aborto,
 até a filha de 15 anos engravidar.

[Anônimo]

O escudo de Dilma

Por Ricardo Noblat
Publicado em seu blog em 15DEZ2014

O escudo de Dilma
O que o PT tem a dizer sobre a roubalheira na Petrobras? Afinal, ele sempre disse que a Petrobras seria privatizada se o PSDB, um dia, conseguisse voltar ao poder.

Pois a empresa foi corrompida pelo PT, desmoralizada pelo PT e empurrada buraco a baixo pelo PT.
Arte de ANGELI

Hoje, o PT é uma camiseta puída com cheiro de suor, uma estrela guardada no fundo de uma gaveta, uma bandeira vermelha coberta de vergonha.

Na Petrobras, é fato, o roubo existe desde meados do governo José Sarney nos anos 80 do século passado. Atravessou os governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Mas foi no governo Luiz Inácio Lula da Silva que alcançou uma escala gigantesca, segundo investigação da Polícia Federal.

Surpreso com a herança maldita, caberia ao governo Dilma livrar-se dela. Certo? Errado.

Arte de SPONHOLZ

Você é ingênuo o bastante a ponto de acreditar que Dilma ignorava o que se passava com a Petrobras? Dilma foi ministra das Minas e Energia. A Petrobras era subordinada a ela. Foi chefe da Casa Civil da presidência da República, o segundo posto mais importante do governo. Acumulou o cargo com a presidência do Conselho de Administração da Petrobras. 

Nada se fez ou se faz na Petrobras sem a aprovação do Conselho. Da compra de uma refinaria, como a de Pasadena, por exemplo, a aditivos a contratos bilionários.

A Petrobras é a empresa campeã no Brasil em contratos firmados sem licitação. 



Comprada a um grupo belga, Pasadena representou um prejuízo enorme para a Petrobras. Para os belgas foi o “negócio do século”. Encheram as burras de dinheiro.

Uma vez eleita para suceder Lula, Dilma nomeou para o Ministério das Minas e Energia um nome indicado por Sarney – o do senador Edison Lobão. E para a presidência da Petrobras uma de suas amigas de fé, irmãs, camaradas, Graça Foster.

Lobão foi ministro de faz de conta – quem mandava no ministério era Dilma. Quanto a Graça... Mandou na Petrobras consultando Dilma para tudo.



Em depoimento à CPI da Petrobras em junho último, Graça afirmou que jamais ouvira falar antes de corrupção na empresa. Só com a suspeita, nós ficamos muito envergonhados”, disse, e em seguida choramingou. Comovente! Mas pura lorota como se sabe hoje. Graça ouvira falar de corrupção, sim. E, no mínimo, três vezes. Vamos a elas.

Pouco antes de comparecer à CPI, Graça fora informada pelo Ministério Público Holandês sobre propinas pagas pela empresa holandesa SBM na venda à Petrobras de um navio-plataforma. A SBM ainda recebeu US$ 25 milhões extras pela antecipação da entrega do navio. Lula queria inaugurá-lo às vésperas da possível eleição de Dilma para presidente em 2010. E assim foi.

No final de 2009, em e-mail enviado a Graça, Venina Fonseca, então gerente da Petrobras, alertou-a sobre o aumento de gastos com a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. De US$ 4 bilhões, o negócio passara a custar US$ 18 bilhões. Em outro e-mail de 2011, Venina confessou a Graça que o “imenso orgulho” que tinha de trabalhar na Petrobras dera lugar à “vergonha”. Ofereceu-se para lhe contar o que sabia. Não obteve resposta.



Demitir ou não demitir Graça? Eis a questão que tira o sono de Dilma desde que o Procurador Geral da República cobrou a demissão da diretoria da Petrobras.

A empresa perdeu 80% do seu valor entre dezembro de 2004 e dezembro deste ano.

Graça serve à Dilma de escudo contra o mar de lama que se acumula ao pé da rampa do Palácio do Planalto. Se ele sair do meio, Dilma ficará face a face com a lama.

Lula entregou a cabeça de José Dirceu e salvou a sua, ameaçada em 2005 pelo escândalo do mensalão. Deu certo.

Dilma acabará entregando a cabeça de Graça. Resta ver se dará certo.
 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Brasil-sil-sil


Uma onda e diversos sustos

Xu Kangping / EPA
Grande onda atinge a margem do rio Qiantang na China.

Porta Aberta ao Juízo - XLI



Os milênios são capazes de tudo! De ampliar e refluir os mares! De criar e extinguir dinossauros! De adestrar a serpente à arte de inocular o veneno! De ensinar o homem a mentir, a matar, a curar, a voar!

[Gilberto Quadros]
{extraído do livro Porta Aberta ao Juízo}

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O escândalo do BNDES vem aí!



“Vamos ter um escândalo de corrupção 
ainda maior do que o da Petrobrás.
E será no BNDES”


Quem afirma isso é Helio Telho Corrêa Filho que  coordena o Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal, em Goiás. Além de ter sido várias vezes Procurador Regional Eleitoral. 

Em entrevista ao Jornal OPÇÂO  de Goiás ele abre o verbo.



"Se na (no escândalo da) Petrobrás havia o TCU investigando e denunciando fraudes, do BNDES nós não temos nada, não sabemos nada, alerta e estabelece até um prazo máximo para os novos podres virem à tona: dois anos.

Nessa entrevista fala também da necessidade de uma reforma político-eleitoral adequada e também do escândalo da Petrobrás, que prefere chamar de PETROPINA!

Autoria ?


Abaixo alguns trechos:

Jornal Opção: Se não me engano, pelos valores envolvidos, (o Petrolão) este pode ser o maior escândalo do mundo. Isso tem procedência, em sua opinião?
Teve um jornal, não me lembro se a “The Economist” ou o “The New York Times”, que disse ser este o maior desfalque, o maior roubo público, em países democráticos de que já se tomou conhecimento. E não é difícil de explicar isso, não, pelo contrário, é até fácil de explicar. Quando a gente tem notícia de escândalo de corrupção no Japão, por exemplo, vemos o corrupto flagrado chorar na televisão, pedir perdão, até cometer haraquiri [suicídio]. Ocorre que, em países desenvolvidos, onde o sistema de justiça funciona, o sistema processual penal funciona, o sistema de controle funciona, esses escândalos de corrupção são identificados e punidos quando ainda não cresceram.

Nosso problema é que temos uma cultura de impunidade muito grande. Daí, se formos voltando no tempo, percebemos que os escândalos que se sucedem estão cada vez maiores. Como o escândalo anterior não foi punido, o próximo vai ser maior.

Arte de KAYSER

No julgamento de um dos habeas corpus do caso Petrobrás, os ministros do STJ se disseram estarrecidos com a quantidade de dinheiro envolvida. Ora, mas esse não foi o primeiro escândalo que chegou ao STJ. Nós tivemos a Operação Castelo de Areia [investigação, feita pela Polícia Federal em 2009, de crimes financeiros e lavagem de dinheiro, tendo como centro operações do Grupo Camargo Corrêa], que o STJ anulou. Se a Castelo de Areia não tivesse sido anulada, mas, pelo contrário, se tivesse chegado a bom tempo, nós não teríamos essa Operação Lava Jato agora. Aquele pessoal da Castelo de Areia é o mesmo que está nessa agora. Se eles tivessem sido punidos lá atrás, não teríamos isso agora.

Jornal Opção: ... a coisa não cresceu dentro da Petrobrás justamente porque o “status quo” de poder instalado na República hoje está profundamente implicado e isso serve para financiar o partido do governo e seus aliados privilegiados?

Arte de AROEIRA

Se o sistema favorece a prática da corrupção, ela vai florescer. E tenho repetido: este ainda não é o maior escândalo que vamos ver. Ainda vamos ter um escândalo maior do que esse. E digo até qual: será no BNDES. Por que sei disso? Estou fazendo investigações, ouvindo escutas telefônicas? Não. Mas é que as coisas são óbvias demais.

A corrupção floresce em ambientes onde há muito dinheiro, nenhum controle, muito sigilo e impunidade total. O BNDES está alavancado com mais de R$ 500 bilhões do Tesouro Nacional, fazendo empréstimos a juros subsidiados. Mas não sabemos para quem, quanto foi para cada um e nem quais são as garantias. 

Por quê? Porque alegam sigilo bancário e, assim, nós não podemos ter acesso. Ou seja, a CGU [Controladoria-Geral da União] não fiscaliza, o TCU [Tribunal de Contas da União] não consegue fiscalizar, o Ministério Público Federal não tem acesso. Ninguém tem acesso. É claro que esse dinheiro está sendo desviado (enfático). É claro que isso é uma cultura para a corrupção. Tudo isso é muito óbvio. Quando conseguirmos abrir a caixa preta do BNDES, a “petropina” vai parecer troco de pinga. Se na “petropina” tinha obra em torno de R$ 70 bilhões em contratos, no BNDES há R$ 500 bilhões, sete vezes mais. Só que na Petrobrás havia o TCU investigando e denunciando fraudes e superfaturamentos, há muito tempo. Mas no BNDES nós não temos nada, não sabemos nada.
Arte de SPONHOLZ


O dinheiro, por exemplo, para financiar obras no exterior, por exemplo, em Cuba, chega lá depositado, por exemplo, em um banco do país. E quem está tocando essa obra é a Odebrecht, que foi considerada pela Transparência Internacional a empresa privada de menor transparência entre as grandes, sem qualquer estrutura interna de combate à corrupção. Esse dinheiro do BNDES, então, vai para o banco cubano e é movimentado sem controle nenhum. Como saberemos o que foi feito com esse dinheiro, como poderemos rastreá-lo? 

...Combate-se a corrupção com punição e prevenção. Primeiro, é preciso evitar que a tranca seja arrombada. Temos de ter instrumentos de controle, organismos, entidades e órgãos independentes de controle interno e externo, para ficar auditando esses contratos, ficar avaliando, verificar execução, cobrar prestação de contas e para poder identificar uma eventual situação de irregularidade antes de ela acontecer ou quando ainda estiver no começo. É preciso ter transparência, ou seja, todo mundo tem de ver o que está acontecendo. Porque quem está ali dentro fica constrangido e com medo de ser preso. Se está protegido pelo escuro e pelo sigilo, vai se sentir muito mais à vontade para roubar.

Arte de SPONHOLZ


Tem de ter controle e transparência, e também um sistema processual que seja eficaz para punir os casos em que não foi possível prevenir. Aí nós entramos em um problema sério, voltando à questão dos constituintes. Nós temos garantias em excesso, em decorrência disso um processo criminal e judicial que não acaba nunca. A garantia diz que a pessoa não será considerada culpada enquanto não transitar em julgado a sentença condenatória. Nos Estados Unidos, o réu não pode ser considerado culpado enquanto não houver prova em contrário. Aqui, não: enquanto não tiver sentença judicial condenatória transitada em julgado. E a pessoa pode recorrer. E há recursos infinitos. Fica nisso, recorrendo, sem deixar transitar. E, assim, nunca será considerada culpada.

... No caso da Operação Lava Jato, está havendo uma situação muito interessante: o sistema está funcionando. Pessoas foram presas e quem está preso não está ali por punição. São prisões processuais: tinha gente ameaçando testemunhas, gente com passaporte escondido de outro país, gente que estava se preparando para fugir com dinheiro lá fora, gente tentando atrapalhar eventual delator que resolvesse delatar, esquemas que continuavam funcionando e as prisões serviram para desarticulá-los. 

Arte de SPONHOLZ


Tudo isso voltado para o processo. O sistema está mantendo essas pessoas presas, porque é preciso. Como tudo está funcionando, essas pessoas que estão presas, a cada dia, estão vendo sua situação mais perto do que foi o caso do mensalão. Muitos dizem que o julgamento do mensalão não adiantou nada, porque, enquanto havia o processo estava ocorrendo a “petropina”. Pelo contrário, adiantou muito, porque, como teve gente cumprindo pena — e tem até hoje, há operadores do esquema que ficarão muitos anos na cadeia —, essas pessoas envolvidas com a “petropina” se veem no lugar daquelas.

O mensalão causa o efeito Orloff: quem está na “petropina” estão se vendo no lugar daquelas, com os condenados lhes falando “eu sou você amanhã”. Pensam “poxa vida, amanhã serei eu a pegar 40 anos de cadeia”. Então, estão resolvendo colaborar, em troca de uma melhora nessa situação.

Jornal Opção: O sr. já percebe um trabalho de desconstrução, ou desmoralização, da figura do juiz Sergio Moro?
Sim, claro. A atuação de Sergio Moro tem sido muito importante no caso, mas, talvez, se pegar a conta da Operação Lava Jato, isso represente 20% do êxito dela. Os 80% restantes estão na conta de quem está investigando de fato — o MPF, coordenando, e a PF, apoiando. Sergio Moro não investiga. Ele é juiz, não tem função de investigação. Está lá, quieto em seu gabinete e então chega um investigador e lhe diz que precisa de um mandado de busca. Ele olha as provas, os fundamentos, verifica tudo e dá o documento. Cumprem o mandado, acham mais coisa e voltam ao juiz. Novamente pedem providências e o juiz autoriza.

Arte de SPONHOLZ


Nesses 80% restantes, há uma equipe de sete procuradores da República, de vários delegados, de dezenas de agentes e peritos da PF. Mas a imprensa precisa de um rosto, de uma imagem. Vocês sabem disso mais do que eu. Na configuração do sistema, o juiz é um só, Sergio Moro. Na Procuradoria, há sete pessoas, na PF há uma dezena de delegados e agentes. Não há um “rosto” da PF ou do Ministério Público. Sergio Moro não deu sequer uma entrevista, não soltou qualquer nota e só fala por meio do processo. Mesmo assim, está aparecendo muito, por conta das circunstâncias. Nessa hora, então, aqueles que estão se sentindo atingidos por essa operação vão atacar esse rosto que aparece. Daí vem a tentativa de desconstrução de sua imagem, como buscaram fazer com Joaquim Barbosa. 
Isso ocorre tanto por parte de políticos como por parte de advogados dos envolvidos. Há, ainda, o braço midiático desse esquema. Isso tudo porque enxergam nele o único alvo certo para promover os ataques.

Jornal Opção: O sr. acha mesmo que esse escândalo realmente vai aparecer? É uma bomba-relógio, questão de tempo?
Sim. Nos próximos dois anos, talvez até antes. Digo isso porque já existem ações do Ministério Público Federal exigindo acesso a essas informações. Algumas dessas ações já foram julgadas em primeiro grau e nós ganhamos. A Justiça Federal, em Brasília, mandou o BNDES colocar tudo na internet. Houve um recurso interposto e essa decisão não pode ser executada enquanto esse recurso não for julgado.
Arte de CAZO

Teve também uma determinação do TCU para que o BNDES encaminhe ao órgão os processos de concessão da JBS-Friboi, mas o BNDES disse não. Agora, o TCU ameaça multar o presidente do BNDES [Luciano Coutinho] se não houver o encaminhamento. Para não ser multado, ele terá de ir ao STF pedir salvaguarda contra a ação do TCU. Então, o STF vai decidir se o TCU deve ou não ter acesso a isso. O STF provavelmente decidirá que deve ter, porque é dinheiro público e a Corte tem reiteradas decisões no sentido de que não há sigilo bancário quando se trata de dinheiro público. 
Arte de NEWTON SILVA

Aplicando essa jurisprudência, quando o TCU perceber o que há ali, a bomba vai estourar.
Para ler a entrevista completa clique AQUI

Fróidisplika



O mais próximo da perfeição que uma pessoa chega
 é quando ela escreve o seu currículo.

[Anônimo]

domingo, 14 de dezembro de 2014

Apertem os cintos, a presidenta sumiu

Por Josias de Souza, em sua página no UOL


Apertem os cintos, a presidenta do Brasil sumiu
A dezoito dias do recomeço, o governo enfrenta um enorme problema. A encrenca tem nome e sobrenome. Muitos chamam de Graça Foster. Se estivessem corretos, a solução exigiria um simples movimento de mão. E custaria a tinta da esferográfica e a folha do ato de exoneração. Mas estão enganados. Chama-se Dilma Rousseff o problema do governo.

Arte de SAMUCA


Acaba de ser reconduzida à poltrona de presidente da República como solução dos 54 milhões de brasileiros que a elegeram. Porém, quando se imaginava que fosse dirigir os rumos do país nesta ou naquela direção, a Dilma resoluta da campanha, 100% feita de João Santana, sumiu. Por pressão, não por opção, Graça logo passará. O problema, não.

No futuro, quando puder falar sobre os dias atuais sem uma camada de óleo a turvar-lhe a vista, a história dirá que o Brasil atravessou mais um desses momentos de transição que fazem a nação evoluir, ainda que aos trancos. Pouca gente notou, mas estão em curso transformações profundas.

Arte de DUKE


A Petrobras, como se sabe, afunda. E junto com ela podem ir a pique:

1. O presidencialismo de cooptação, que submete estatais e repartições públicas à pirataria partidária.

2. O modelo de contratação de serviços e obras públicas, baseado no critério único do ‘quanto eu levo nisso?’

3. As velhas desculpas esfarrapadas —como “eu não sabia”, “doa a quem doer” e “cortar na própria carne”.

Com dezenas de parlamentares imersos em óleo queimado, o Legislativo está prestes a virar delegacia de política. O Judiciário, já entupido de processos, se manterá ocupado tentando converter crimes em castigos. Se sua capacidade de liderança não fosse invisível a olho nu, Dilma poderia governar o processo de mudanças. Inerte, é desgovernada pelos acontecimentos.

Arte de AMARILDO

Em 26 de outubro, depois de contados os votos do segundo turno, Dilma leu seu último discurso sob a supervisão de João Santana. “Algumas vezes na história, os resultados apertados produziram mudanças mais fortes e rápidas do que as vitórias amplas”, disse a reeleita. Hoje, Dilma conspira contra a mudança. Faz isso ao renegociar a partilha dos cofres do seu governo com os partidos de sempre. Que imaginam ser possível manter o melado escorrendo por mais quatro anos.

Aquela Dilma do dia da vitória também disse: “Essa presidente está disposta ao diálogo, e esse é meu primeiro compromisso no segundo mandato: o diálogo.” A Dilma de hoje não conversa nem com o espelho. Só fala com Lula, que já foi recebido no Alvorada três vezes em menos de dois meses. É muito mais do que os ministros, alguns há mais um ano sem uma audiência com a chefa.

Arte de AROEIRA


Quero ser uma presidenta muito melhor do que fui até agora”, declarou ainda a Dilma de 48 dias atrás. “Quero ser uma pessoa muito melhor. Esse sentimento de superação não deve apenas impulsionar o governo e a minha pessoa, mas toda a nação.” Na bica de tomar posse, a Dilma atual nunca foi tão Dilma. Foge da conjuntura à maneira do avestruz. Enfia a cabeça nos baixios de sua autoestima. E vira a página. Para trás.

A contragosto, Dilma cede nacos do seu poder declinante para Joaquim Levy. E reza para que a lama não impeça a ortodoxia do novo ministro da Fazenda de consertar os erros do primeiro mandato e recriar aquele ambiente de rigor fiscal de 2003, primeiro ano de Lula.

Arte de SPONHOLZ


Em condições normais, o segundo reinado de Dilma seria duro. Sob atmosfera de derretimento moral, com os delatores suando o dedo; com jovens procuradores procurando; com o juiz Sérgio Moro julgando; com os aliados na fila do cadafalso; com tudo isso, Dilma 2ª tormou-se um caso único: reeleita, ficou menor do que era. Tão pequena que some no meio da crise.

Um elevador que movimenta-se horizontalmente



Elevadores estão prestes a evoluir: terão a capacidade de ir para o lado, graças à tecnologia de levitação magnética.




Mas onde buscar essa tecnologia? que tal na ficção científica? 


No filme Star Trek, os elevadores fornecem transportes verticais e horizontais para a tripulação entre seções principais de uma nave, as pequenas cápsulas maglev.


O gigante industrial alemão ThyssenKrupp inspirou-se nessa ideia e está fazendo isso acontecer com sua nova tecnologia MULTI.



A tecnologia MULTI será mais eficiente energeticamente do que os elevadores de cabos tradicionais e possibilitarão que várias cabines se desloquem numa velocidade de até  5 m por segundo.

Os elevadores maglev serão capazes de transportar 50 por cento mais pessoas ao mesmo tempo  e reduzir o tempo de espera para entre 15 e 30 segundos .

Os eixos em si também utilizarão menos espaço o que influenciará no tamanho dos poços de elevadores que dependem de cabos, o que significa mais espaço para os desenvolvedores colocarem algo útil, como ainda mais elevadores.

Veja o vídeo conceito 



A ThyssenKrupp afirma que eles estarão com um protótipo instalado em uma torre de 240 metros que está sendo construída em Rottweil, na Alemanha, e que será aberto ao público em 2016.

Aguardemos.

Fontes Dezeen / Discovery 




Isso é que é fé!


Flagrantes históricos