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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O cinema é a arte de fazer perguntas aos olhos.

Por Manuel S. Fonseca.
Crônicas
A longa penugem no pescoço
Agora, que já nem é preciso pedir licença a Tom Cruise, comecemos o ano com a límpida e clara nudez de Nicole Kidman. Com ou sem licença de Cruise, despiu-a Stanley Kubrick em Eyes Wide Shut.

Estava o ecrã todo a negro para melhor passarem os nomes dos artistas e, mal se lia o nome do obsessivo Kubrick, a omnipotência dele punha-nos os olhos numa sala iluminadíssima. Víamos uma mulher de costas. Fosse ou não porque os violinos da valsa nº 2, da Suite para Orquestra de Shostakovich, lhe afagassem a loura penugem do pescoço, ela deixava cair o vestido preto. E noto que, atrapalhado, nem falei do diluviano decote que, vestindo, já despia o lado lunar e calipígio de Kidman.



Cai-lhe um vestido preto aos pés e Nicole Kidman não tem nada por baixo. Está ali, altíssima e nívea, as costas perfeitas, a delicada curva da cintura, a aveludada perna direita que se levanta para sair da mancha de seda negra que é agora o vestido no chão, depois a ágil perna esquerda.

E, entre a cintura e as pernas que tudo sustentam, está essa região sumptuária, criada, como tudo o que é redondo e a dobrar, só para estético enlevo da humanidade e insofismável prova da existência de Deus. É uma mulher nua, em cima de um par de sapatos de finos saltos, as pernas a suave distância uma da outra, para que entre elas passe a santa luz. Bailarina de Degas sem tutu, toda a sua palpável plenitude coroada pela alegria de um arco de violino de Shostakovich…



Filme que começa assim não é gago nem cego. Jean-Luc Godard, realizador circense, começou com igual rabo, que por acaso era diferente, o seu Le Mépris. Muito menos branca, num quarto de sombras e uma réstia de luz deliquescente, está deitada e nua Brigitte Bardot. É irresistível olhar-lhe para as tão displicentes nádegas, porque ela mesmo diz ao actor com quem contracena, mas também a toda a plateia: “E as minhas nádegas, achas que são bonitas?

A pergunta de B.B. é irrespondível por ser feita directamente aos olhos. Responde-se-lhe de “olhos desmesuradamente fechados” como o título de Kubrick nos ensinou. E termino: o cinema é a arte de fazer perguntas aos olhos, perguntas que vão à origem, à escassa essência. Não admira que a inverbalizável mulher nua seja, tantas vezes, o seu começo e o seu fim, seu génesis e seu apocalipse.

  • Este artigo foi originalmente publicado no semanário português O Expresso.
  • Manuel S. Fonseca escreve de acordo com a antiga ortografia.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Mostrando tudo

Por Luiz Fernando Veríssimo.
Crônicas



Mostrando tudo
Vivíamos na busca incessante da mulher nua. Tinha mulheres nuas em filmes franceses proibidos até 18 anos, mas — danação! — nós não tínhamos 18 anos. E os porteiros de cinema, a categoria humana mais desumana que existe, não caíam na nossa conversa.


— Eu juro que tenho 18 anos.

— Mostra a identidade.

— Esqueci em casa.

— Vai buscar.

Propina não adiantava. E, mesmo, quem tinha dinheiro para subornar porteiros? Os abençoados pela natureza (que tinham 18 anos) nos contavam como eram os filmes que não podíamos ver. Só para aumentar nosso sofrimento.

— Aparece mulher nua?

— Nuinhas.

— Se vê tudo?

— Bom, tudo não.

Mesmo nos filmes franceses não aparecia tudo. Apareciam seios e bundas, geralmente da Martine Carol. Tudo não. Tudo aparecia nas revistas de nudismo feitas na Alemanha (ou na Holanda, sei lá) que trocávamos entre nós.

Mas nas revistas de nudismo mulher bonita mostrando tudo era raro, o que mais se viam eram famílias inteiras peladas. E quem se interessava em ver mulheres feias e famílias como as nossas, só mais brancas, nuinhas?

A própria “Playboy”, lançada nos Estados Unidos em 1953, custou a mostrar tudo. Só anos depois do famoso primeiro número com a foto da Marilyn Monroe começaram a aparecer os pelos pubianos. Mais tarde, numa progressão natural, veio tudo mesmo.

Li que a edição brasileira da “Playboy” vai deixar de ser publicada, pelo menos por enquanto. A disponibilidade atual de sexo e nudez nas redes, para todas as idades, talvez tenha tornado a pelada impressa obsoleta, ou no mínimo supérflua.

Mas a notícia mais intrigante vem dos Estados Unidos, onde anunciaram que a “Playboy” deles continua, mas vai alterar sua política editorial e dar menos ênfase a mulher nua e mais aos textos, seguindo uma preferência dos leitores. O que traz para a realidade uma brincadeira que se fazia aqui.

— Compras a “Playboy”?

— Compro, mas só pelos artigos.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

As fotografias sexy-surreais de Angela Buron

Magos da Fotografia



XLII - Angela Burón




A fotógrafa mistura o corpo nu de maneira lúdica, bem como uma série de outras estranhezas. O resultado é interessante, apesar da manipulação ser óbvia.



Ángela Burón é uma fotógrafa espanhola que aumenta a sensualidade em seu trabalho, através da manipulação de diversas partes do corpo, criando belas composições surreais.





quarta-feira, 27 de maio de 2015

Nus em Brasília



Um fotógrafo de Brasília, indignado, fez um protesto silencioso, simbólico e provocativo contra os espaços culturais da capital do Brasil, que estão fechados para reformas que nunca terminam, ou que sequer foram iniciadas, por falta de dinheiro.



Para chamar a atenção, Sérgio Costa Vincent colocou modelos nus na porta do Teatro Nacional, do Espaço Cultural Renato Russo, da Biblioteca Demonstrativa de Brasília, entre outros, e fez um trabalho que está dando o que falar.



"Indignado com as portas fechadas desses vários locais destinados à arte, cultura e ao lazer em Brasília, resolvi, à minha maneira, protestar contra o descaso e o abandono, fotografando", contou Sérgio Costa.



O artista, que costuma usar em seus trabalhos a nudez humana, procurou pessoas igualmente incomodadas com os espaços fechados e fez um convite pelas redes sociais para que participassem do protesto.

Depois de expor a proposta do projeto, esquematizamos a realização das sessões fotográficas. Assim nasceu o projeto Abandonados, que em agosto - mês da Fotografia - estará em exposição no Café Savana, em Brasília.



O artista fotográfico Sérgio Costa Vincent tem 10 anos de profissão e foi finalista por 2 anos seguidos no Le Plus Grand Concours Photo du Monde, da revista francesa Photo. 

Ele integra a galeria de fotografia fineart da Photo francesa. Também ministra oficinas que abordam o nu e o sensual feminino e masculino.



"A diferença é que em meus trabalhos fotográficos, especialmente os autorais, sempre faço uso da nudez como expressão artística. A nudez que neste caso representa a fragilidade e a indignação da sociedade", explica. 


Serviço
Facebook: www.facebook.com/sergio.costavincent  
Instagram: @sergio.costavincent
www.flickr.com/photos/scostavincent

domingo, 27 de julho de 2014

quarta-feira, 14 de abril de 2010

XXIII - A Magia de André Britto

Especial Magos da Fotografia



XXIII - André Brito


O portugues da cidade do Porto, André Brito, desde criança viveu no mundo mágico da fotografia graças ao pai com quem passava horas na câmara escura, tal como ele mesmo diz, a assistir ao "milagre" da revelação.

Após a morte de seu pai herdou as suas câmeras fotográficas e percebeu ser esse o seu destino. Ao formar-se em área ligada 'a tecnologia adquiriu sua primeira câmera - Canon EOS 500n.

E quase ao mesmo tempo, resolveu conciliar duas de suas maiores paixões: a fotografia e o mergulho submarino. Em poucos meses a EOS 500n já estava debaixo de água, dentro de uma caixa estanque... "e foi a fotografia subaquática que me levou a evoluir muito em termos técnicos, pois é uma disciplina muito exigente em termos de iluminação artificial".



André Brito é conhecido por sua expertise em várias modalidades no mundo da fotografia tais como, publicidade, moda, fotografias subaquáticas esportivas mas o destaque maior fica para as fotografias de nú artístico.

Foi em 2003 que surgiram os trabalhos nas áreas de nus, para os quais improvisava "estúdios artesanais" com candeeiros de luz halogéna, cartolinas servindo de refletores e caixas de luz feitas com caixotes de papelão. O trabalho de nus de André Brito pode ser dividido em duas áreas: em estúdio e exteriores.

Em estúdio, adota estilos diferentes, que podem variar entre movimentos e grafismos estáticos e simétricos. Por norma, adota poses em tensão, com alguma sensualidade, mas sempre mostrando um corpo feminino forte e poderoso.


"Em estúdio sou muito meticuloso com a iluminação. É uma das marcas do meu trabalho. Uso-a de forma a desenhar o corpo, a salientar a musculatura ou as linhas corporais e, para cada pose, a iluminação é de novo trabalhada.

Alguns centímetros de diferença na distância da luz ao corpo, o ângulo de iluminação ou ao ângulo em relação à câmara fazem a diferença. Daí que a preparação da luz seja demorada", refere André.



Um dos segredos do meu trabalho, sobretudo em estúdio, é o fato de ser muito perfeccionista - se a imagem não estiver a 100 por cento, não desisto até a conseguir."




Quanto a trabalhos em exteriores, a pose passa a ter maior relevância, pois é através dela que a modelo se integra, ou não, no "cenário". "Esse é o maior desafio que encontro nas imagens de exteriores, conseguir uma integração harmoniosa ou, pelo contrário, em choque, com o ambiente."



"Nas sessões de exteriores o planejamento passa pela visita prévia ao local onde vou fotografar, de preferência com a modelo, para que possamos estudar os locais e poses a adotar, assim como imaginar e decidir qual a melhor hora do dia para a sessão de fotos.



Com a luz ambiente em jogo, as minhas preferências vão quase sempre para o início ou final do dia, quando a luz é menos intensa e não cria tantas sombras. Mas um dia nublado pode facilitar tudo isso e proporcionar algumas horas extra de sessão.




Por vezes, para puxar um pouco os brilhos da pele, utilizo luz artificial, seja com um pequeno flash na sapata da câmara, um flash externo em disparo remoto ou mesmo luz de estúdio, quando se justifica."



Sobre a sua tendência para as imagens a preto e branco, André afirma que não tem nenhuma razão em especial. "Apenas me agrada mais visualmente, e gosto do preto e branco levemente aquecido. Comecei por apresentar os meus trabalhos assim, e assim ficou até hoje. Acho que é uma marca do meu estilo. Quando fotografo já o faço a pensar na imagem com essa tonalidade e nunca tenho dúvidas quanto à sua aplicação.



Hesitei apenas uma vez com uma imagem captada numa praia de areia negra: o azul do céu refletido na água de uma onda, que avançava e recuava na areia negra, fazia um efeito incrível, mas acabei por ceder... resultava também muito bem em monocromático e a prova é que a imagem acabou por ser um sucesso!"




Uma das principais características dos nus de André Brito é o fato de nunca captar os rostos das modelos que fotografa.

Mas para o fotógrafo isso tem uma explicação lógica. "Fotografando o corpo feminino e apresentando-o sem face - sem uma identidade - mais facilmente consigo fazer com que qualquer mulher se possa ver naquele corpo, se possa identificar com ele, se possa sentir nele, possa sentir a sua força...caso fosse visível o rosto, aquele corpo já teria "dono", sendo mais difícil a quem visualiza a imagem poder "sentir-se" nele.


Além disso, assim protejo a identidade da modelo. Apesar de nas minhas imagens a mulher ser dignificada, em Portugal, ainda é complicado lidar com o nu de forma natural."
 Fontes andre brito / talkvisual 

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Magos da Fotografia: I - Andreas Smetana

Coleção Magos da Fotografia

I - Andreas Smetana
Ensaio

 texto e imagens retirados na íntegra do Obvious.


O rosto da atleta australiana Cathy Freeman foi recriado pelo fotógrafo austríaco Andreas Smetana para um programa da SBS-TV intitulado [Who do you think you are] ou numa tradução livre: quem voce acha que é? .




Para o representar, Smetana não se limitou a fotografá-la; escolheu um processo muito mais complexo: fotografou grupos de pessoas nuas dispostas de tal modo que formassem partes do rosto da atleta - boca, nariz, olhos, etc.

 A tarefa foi difícil e imensa. Mas a de reunir todos estes grupos de imagens, montá-las como peças de um quebra-cabeça e retocá-las digitalmente não ficou atrás. Para isso foi escolhida a Electric Art.

A Electric Art é um estúdio de criação de efeitos visuais e pós-produção de imagem sediado em Sidney, na Austrália.


O trabalho da EA é integralmente dirigido para a vertente comercial (campanhas publicitárias, etc. ) e muito variado mas a sua especialidade são os retoques. Foi por este motivo que Andreas Smetana a escolheu para fazer a montagem e tratamento digital das suas fotografias. 


É espantoso como todos estes corpos nus, aglomerados, colocados na posição correta e com uma iluminação adequada, se transformam no fim no rosto de Cathy Freeman. Afinal, a imagem da atleta foi o início de todo este trabalho.

Vejam abaixo, o restante das fotografias:








Fonte obvious 
http://www.smetana.net/