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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Terror e inépcia

Por Ruy Castro
FOLHA SP


Terror e inépcia
Enquanto, em Paris, o tiroteio terrorista no Bataclan se confundia com o som produzido por uma banda de rock – difícil distinguir uma coisa da outra –, no Brasil os 62 bilhões de metros cúbicos de rejeitos químicos sob responsabilidade de uma mineradora prosseguiam na sua trajetória de destruição por 500 quilômetros de Minas Gerais e Espírito Santo. Pela situação até agora, os efeitos da tragédia francesa se farão sentir por muitos anos. Os da brasileira, talvez para sempre.

Arte de PIRES

Lá fora, o controle e a paranoia azedarão as relações humanas. A cordialidade dará lugar à desconfiança. Ter olhos e cabelos pretos, com ou sem barba, bastará para produzir um suspeito. Homens de bem levarão geral à luz do dia no meio da rua. A xenofobia, já latente, recrudescerá. Países outrora adoráveis poderão se tornar Estados policiais. Se esses forem os objetivos do terror, já estão sendo alcançados.

Aqui, o descaso, a fiscalização ridícula e as verbas "contingenciadas" geraram a morte de um curso d'água do porte do rio Doce e a quebra de uma cadeia de fauna, flora e recursos hídricos. Milhões de brasileiros serão afetados. Se a lama tóxica chegar ao mar, tomará santuários ecológicos, como Abrolhos, na Bahia; se outras barragens se romperem, como se teme, destruirão as cidades históricas mineiras. É possível pagar por isto?

Arte de DUKE


O presidente francês François Hollande devia estar cochilando ao ignorar as advertências que lhe fizeram sobre possíveis atentados. Mas, assim que eles aconteceram, acordou e assumiu o comando. Já Dilma levou sete dias para despertar da letargia e sobrevoar a região desgraçada. Ninguém a aconselhou a dar uma rápida, mesmo que burocrática, satisfação ao país.

Na Europa, cedo ou tarde, o terror será derrotado. Mas, no Brasil, a inépcia parece invencível.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Quem é o dono da lama?

Por  Vinicius Torres Freire
FOLHA SP


Quem é o dono da  lama?
A Vale declarou ao mundo que é "mera acionista" da Samarco, dona das barragens que ruíram. A ruína largou uma torrente de lama suja que matou provavelmente 27 pessoas, destruiu vilas e desgraça vidas e comunidades no caminho de Minas ao mar.



Não se sabe a causa da ruína. Mas ficou evidente que, na prática, ninguém ligava para os horrores que escorreriam com a lama mortífera. Não havia plano de avisar do desastre, de atenuá-lo. A destruição prossegue, sem limite.

A Vale partilha a Samarco com a BHP. Chamou-se de "mera acionista" para o "Wall Street Journal". Não diferiu muito da BHP. Mas se esmerou. "A Vale é apenas uma mera acionista da Samarco, sem nenhuma interferência operacional na administração dessa companhia, de modo direto ou indireto, próximo ou distante", afirmou a empresa.

Arte de AROEIRA


Sim, BHP e Vale têm "responsabilidade limitada" por lambanças ou até crimes da Samarco. Quão limitada, na letra da lei, é controverso.

Fora da lei, a Vale pode acreditar nessa burrice burocrática que disse ao jornal americano. Mas, a se comportar assim, pelo menos sua reputação e a conversa de "responsabilidade social e ambiental" estarão na lama suja.

Arte de ALPINO


O que pensam os "meros acionistas" da Vale? A Vale é controlada pela Valepar, empresa criada para a compra da então Vale do Rio Doce, na privatização. A Valepar é controlada por fundos de pensão, pelo Bradesco e por acionistas do banco, pela megatransnacional japonesa Mitsui, pelo BNDES e sócios menores (isso quanto a ação com direito de voto. Dois terços do capital total são de acionistas em tese dispersos).

Os fundos são os de BB, CEF e Petrobras; a Previ, do BB, lidera. Seu comando é definido por acordão entre governo, sindicalistas e funcionários. Quem manda na Valepar, enfim, é um combinado de Bradesco e fundos-governo.

Arte de PELICANO


Diretores de fundos ou banco devem ser responsáveis pela desgraça de Mariana? Não. Os da Vale ou da BHP? Não faz sentido. E as empresas Vale e BHP? Hum. Enfim, quem responde pela nomeação do comando da Samarco?

Suponha-se que a Samarco seja culpada. Que, em vez de multa ambiental boazinha, a empresa deva indenizar vidas, cidades etc. Caso não tenha fundos, Vale e BHP dirão o quê? Que estavam apenas de visita na Samarco, onde eventualmente pegam uns trocados?

Arte de ZOP


Em geral, seria em certos casos injusto e muita vez inviável, jurídica e economicamente, que responsabilidades legais e financeiras diretas não fossem limitadas a uma empresa de um grupo e ao capital investido na companhia (na "responsabilidade limitada" original, as perdas de um empreendedor em uma empresa limitam-se ao capital investido).

Em geral, ressalte-se.

Há responsabilidades que não são diretas; mesmo as leis sobre limites de responsabilização são reinterpretadas a depender de contextos e tamanho do estrago.

Arte de SPONHOLZ


A "responsabilidade limitada" é um privilégio conveniente (para a criação de novos negócios), mas embute um incentivo perverso, se considerada em sentido amplo. O "mero acionista" pode se esconder sob uma estrutura societária enrolada, sem rosto ou ônus. Para todos os fins que não sejam os bônus, pode dizer que o negócio do qual é dono é "independente". É um incentivo ao dane-se.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Aconteceu em Minas Gerais

Estorinha Política

Político tão esperto quanto simplório, Benedito Valadares era governador de MG quando encontrou na ante-sala de Getúlio Vargas o ministro da Educação, Gustavo Capanema, que estranhou seus óculos escuros.
- É uma conjuntivite nos olhos - explicou Valadares.
- Benedito, isso é um pleonasmo ! - reagiu o ministro, professoral.
Valadares ignorou a observação e entrou para falar com Vargas. O presidente também estranhou os óculos escuros. Ele reagiu :
- Presidente, o médico lá em Minas disse que era uma conjuntivite nos olhos, mas o Capanema, que quer ser mais sabido que os médicos, me disse que é um pleonasmo !
Em minha modesta interpretação penso que Capanema estava certo, existe outro lugar para dar conjuntivite, a não ser nos olhos ?

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Aconteceu em Minas

Estorinhas políticas


Benedito Valadares, governador, foi a Uberaba para abrir a Expozebu. E passou a ler o discurso preparado pela assessoria. 
A certa altura, mandou ver : "cuíca daqui saia o melhor gado do Brasil". Ali estava escrito : "quiçá daqui saia o melhor gado". A imprensa caiu de gozação. 
Tempos depois, em um baile na Pampulha, o maestro, lembrando-se do famoso discurso na terra do zebu, começou a apresentar ao governador os instrumentos da orquestra. Até chegar na fatídica cuíca. E assim falou : "e esta, senhor governador, é a célebre cuíca". Ao que Benedito, querendo dar o troco, redarguiu com inteira convicção :
- Não caio mais nessa não. Isto é quiçá !

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Aconteceu nas Minas Gerais ...

Estorinhas Políticas



O avalista de Tancredo

O ex-deputado Genival Tourinho, que exerceu mandatos entre 1975 e 1983 pelo MDB mineiro, decidiu escrever um livro comparando o estilo de vida dos parlamentares de sua geração com o dos atuais.

—Quanto mais me recordo, mais fico indignado!

Ele conta que, no meio do mês, perto do dia 15, era comum que os colegas de Câmara formassem fila em uma agência da Caixa Econômica Federal para pegar um vale para segurar o resto do período.

—Nesses casos, nós trocávamos avais às operações. Eu cansei de pedir ao colega Tancredo Neves que fosse meu avalista… E eu o avalizava quando ele precisava!

sábado, 9 de maio de 2015

Aconteceu nas Minas Gerais

Estorinha Política



Uma historinha de MG. Fortunato Pinto Júnior, jornalista e ghost writer, escrevia os discursos de João Almeida, deputado mineiro. Sábio e bom, o doce coronel só não gostava de proparoxítonos :

- Tininho, não bota no discurso palavra que tem um pauzinho lá atrás, porque a dentadura cai.

domingo, 27 de julho de 2014

A origem do pão de queijo

por XIco Graziano.
http://www.observadorpolitico.com.br/2014/05/pao-de-queijo-historia-da-alimentacao/


Pão de Queijo, história da alimentação
Nascido em Minas Gerais, o pão de queijo virou unanimidade nacional. Por onde se anda, do Oiapoque ao Chuí, lá está o quitute mineiro esperando uma mordida. Ultrapassou as fronteiras: nos Estados Unidos, em Portugal, na Itália e até no Japão já se aprecia a delícia nas cafeterias. Culinária caipira vestida de chique.

É muito curiosa a história do pão de queijo. Naquela época, durante a mineração iniciada a partir de 1700, faltava comida para alimentar tanta gente atraída pelas jazidas descobertas próximo de Ouro Preto. Segundo Caio Prado Júnior (História Econômica do Brasil), do Nordeste para as Minas Gerais ocorreu um rush populacional de grandes proporções, relativamente mais acentuado e violento que o verificado na conquista do oeste norte-americano. Cerca de 1/5 dos brasileiros – a grande maioria escravos – ocupou, em poucos decênios, um imenso território, deslocando o eixo econômico da Colônia rumo ao Sudeste.

cartoon de Bill Whitehead


Por causa do afluxo dessa gente, o ciclo da mineração provocou um estímulo à produção de alimentos básicos. Do Nordeste e das regiões mais próximas se obtinham o feijão, o arroz, o milho e seu fubá, o porco e a banha, o leite e o queijo, a mandioca. Áreas mais longínquas, como o pampa gaúcho, passaram a oferecer carne de charque. Nesse ambiente surgiu o pão de queijo, inicialmente, dizem, oferecido pelas escravas aos senhores das fazendas. De onde veio essa ideia?

Ocorre que dificilmente se encontrava, naquelas paradas, a farinha de trigo, matéria-prima da panificação clássica. Típico das regiões temperadas, o milenar cereal nunca combinou com o calor do Nordeste brasileiro, e era então importado da Europa para aqui servir aos fidalgos do rei. Criativamente, as cozinheiras mineiras substituíram o inexistente trigo pelo polvilho, derivado da mandioca, tubérculo com origens tupiniquins. Acrescentaram na massa lascas de queijo curado, endurecido e ralado, e, levada ao forno, acabou por semelhança sendo chamada de “pão”. História da alimentação.

charge de Duke


Não se entende a nutrição humana fora do contexto histórico. O consumo de trigo no Brasil explodiu somente após a 2.ª Guerra Mundial. Grandes estoques se formaram e os Estados Unidos passaram a implementar, na órbita da recém-criada ONU, políticas internacionais consideradas de “ajuda humanitária”, utilizando o cereal como ponta de lança contra a fome. Foi assim que as massas derivadas de trigo começaram a dominar a mesa das famílias mais carentes na América do Sul e na África, especialmente.

A forte urbanização que ocorria naquele momento conspirou a favor desse processo de substituição de pratos tradicionais por gêneros alimentares de origem externa. Pesquisas mostravam, já nos anos 1980, a dominação do macarrão na alimentação popular em Manaus. Em plena Amazônia.



O enorme incentivo ao consumo de trigo fez explodir a importação do grão, onerando a balança comercial. Tal desequilíbrio se tornou o maior desafio, jamais vencido, da política agrícola no Brasil: a autossuficiência da produção nacional de trigo. Os preços de mercado nunca remuneraram o custo dos triticultores sulinos nem os pesados subsídios públicos – desgraçadamente desviados, como sempre – foram capazes de elevar a contento a oferta interna. Resultado: até hoje, mais da metade do trigo consumido no País vem do exterior, boa parte da Argentina.

Essa alteração, de certo modo artificial, no consumo alimentar do brasileiro se deu em detrimento da utilização dos produtos genuinamente tropicais, como a mandioca, cultivada desde os indígenas. Pero Vaz de Caminha foi quem primeiro escreveu sobre a fartura do alimento nativo, na famosa carta dirigida ao Rei D. Manuel: “Eles não comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. E com isso andam tais rijos e tão nédios que não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos”. Supimpa.

Cartoon de Tonho Oliveira


Colonização dá nisso. De fora lhe trazem costumes, ideologia, comida. Podem levar também, como ocorreu com a batata, cultivada originalmente pelos incas e introduzida na Europa, onde dominou a alimentação.

Curiosa, também, é a história do milho, cereal nativo da América, mas igualmente desvalorizado com a introdução do trigo na panificação. Uma broa de milho, por exemplo. Quem já experimentou a guloseima recém-saída do forno, derretendo seu sabor com aquela sementinha de erva doce sobre a casca, certamente torce para que ela brilhe na mesma mesa contemporânea que afortunou o pão de queijo. Não será fácil.

Neste mundo onde os hábitos de consumo se modificam pela propaganda, geralmente enganosa, os produtos genuínos ficam espremidos dentro de suas modestas origens. O pão de queijo permaneceu muito tempo confinado ao cardápio da tradicional comida mineira, até ser descoberto pela comilança da globalização. Sua receita foi turbinada com os métodos e aditivos típicos da moderna fabricação tecnológica, o que lhe retirou aquele gostinho de fogão caipira, mas ele entrou na moda, sem restrição de idade nem renda. Tornou-se cosmopolita.


O sucesso recente do pão de queijo comprova a grande modificação da história da alimentação humana: o low food substituído pelo fast food. Nichos de culinária antiga sobrevivem, sim, fazendo contraponto à modernidade. A receita da vovó atrai as pessoas como se elas jamais se livrassem das reminiscências familiares. Mas o forno à lenha vale apenas no fim de semana. Na volta ao asfalto, na correria da labuta diária mandam as gororobas prontas, salgadas ou adocicadas, que tristemente empurram a humanidade para uma inusitada tragédia da saúde: a obesidade.

Mas essa é outra história.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Justiça mineira com outros olhos

O namoro pelas leis de mercado,  segundo um juiz de Direito  de MG.
Uma mulher ajuizou ação de indenização por danos morais pela surra que levou da outra namorada do homem com quem estava, com direito a puxão de cabelo e unhada.

Ao julgar o caso, o juiz de Direito Carlos Roberto Loiola, do JECiv de Divinópolis/MG, dá uma verdadeira lição sobre as novas leis de mercado no que se refere aos namoros. Ponderou:

Benett

"Ele nem prá dizer que estava numa pescaria com os amigos! Foi logo entregando que estava com a rival. Êta sujeito despreocupado! Também, tão disputado que é pelas duas moças, que nem se lembrou de contar uma mentirinha dessas que a gente sabe que os outros contam nessas horas só prá enganar as namoradas. Talvez porque hoje isso nem mais seja preciso, como era no meu tempo de pescarias. Novas Leis de mercado."

Na audiência, o homem que fazia parte do triângulo amoroso estava tranquilo, se sentindo o "rei da cocada, mais desejado que bombom de brigadeiro em festa de criança", de acordo com a decisão.

"Seu juiz, eu sou solteiro, gosto das duas, tenho um caso com as duas, mas não quero compromisso com nenhuma delas não senhor", desabafou.

 E o juiz Carlos Loiola concluiu: "Estava tão soltinho na audiência, com a disputa das duas, que só faltou perguntar: '-tô certo ou errado?'."

O magistrado fixaria o valor da indenização em R$ 4 mil. Porém, na audiência, a parte autora chamou a ré de "esse trem" e, por isso, o juiz decidiu minorar a condenação para R$ 3 mil, considerando que "ela também não é santa não, deve ter retrucado as agressões."

E, para evitar futuros problemas, o julgador recomendou:

"Quanto tiver na casa de uma e a outra ligar para ele, ao invés de falar a verdade, recomendo que ele diga que está na pescaria com os amigos. Evita briga, litígio, quiproquó e não tem importância nenhuma. Isso não é crime. Pode passar depois lá no "Traíras" e comprar uns lambarizinhos congelados, daqueles de rabinhos vermelhos, e depois no ABC, comprar umas latinhas de Skol e levar para a outra. Ela vai acreditar que ele estava mesmo na pescaria. Trouxe até peixe. Além disso, ainda sobraram algumas latinhas de cerveja da pescaria...E não queira sair de fininho da próxima vez, se tudo der em fuzuê ou muvuca. Isso é feio, muito feio. Fica esperto: da próxima vez que você fizer isso você poderá ser condenado por danos morais."

Para ver na integra, clique  aqui no Migalhas

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Estátuas do meu Brasil e suas ' irreverências ' - IV

Estátuas Brasileiras


IV - Os 4 Cavaleiros do Apocalipse
"O encontro marcado"

Paulo Mendes Campos
 Hélio Pelegrino
 Fernando Sabino
 Otto Lara Resende.

Instalada em outubro de 2005, a obra homenageia os quatro escritores mineiros e fica na Praça Carlos Drummond de Andrade, parte do conjunto arquitetônico da Praça da Liberdade - Centro de Belo Horizonte/MG.




Imagens web

quarta-feira, 3 de março de 2010

Aviação: História de uma Marca!

A Laticínios Aviação  teve sua origem em 1920 atuando no comércio de secos e molhados por atacado na cidade de São Paulo e também na indústria de laticínios em especial na fabricação de manteiga em lata na cidade de Passos, interior de Minas Gerais.

Fundada por Antonio Gonçalves, Oscar Salles e Augusto Salles teve seu nome escolhido em homenagem as primeiras empresas aéreas que se instalavam no Brasil.



A manteiga da latinha, conhecida por sua tradicional embalagem de cor alaranjada, passou apenas por pequenas alterações desde a época de sua fundação. Uma delas foi o avião estampado na lata, que no início era um biplano monomotor, mas por volta dos anos 40 passou a ser um trimotor que continua até hoje como símbolo da marca.

A partir de 1975 a empresa passou a concentrar-se exclusivamente na fabricação de produtos originados do leite, com destaque para a manteiga. Foi nesse ano que a empresa lançou no mercado sua linha de queijos e posteriormente o doce de leite. Hoje em dia é possível encontrar também o requeijão Aviação nas prateleiras dos supermercados.

O grande salto de investimento da empresa, no entanto, foi em 1995 com a aquisição de um moderno equipamento para fabricação e envase de manteiga. De um processo quase que artesanal a empresa passou a ter o todo o processo de manteiga automatizado e com características de não perder a qualidade e sabor do produto.

Hoje com 220 funcionários, a Aviação encontra-se sediada em São Sebastião do Paraíso, Minas Gerais, região estratégica por se tratar de uma das maiores bacias leiteiras do país e de fácil acesso aos pontos de distribuição.

sábado, 31 de outubro de 2009

Aconteceu em Minas Gerais!

Segundo o Carlos Brickman, Ricardo Simões, presidente da Copasa, estatal mineira de saneamento básico, fixou seu próprio salário em R$ 36.101,33.

Lembra que pessoas pagas pelos cofres públicos não poderiam ganhar mais que os ministros do Supremo? Se lembrou, esqueça, pois há quem ganhe. E não é só Simões: outros dois diretores ganham perto de R$ 30 mil mensais (os outros se contentam com módicos R$ 18.317,79).

Os funcionários que foram transferidos para a Caxambu, subsidiária da Copasa, ganham dois salários por mês. Os acionistas estão pedindo uma auditoria. O Governo tucano mineiro de Aécio Neves está quieto.


Ricardo Simões, o que ganha mais que ministro do Supremo, foi indicado para o cargo por um de seus antecessores, Mauro Ricardo, hoje secretário da Fazenda do Governo tucano paulista de José Serra.

Simões já teve problemas com a Justiça por contratar um escritório de advocacia sem licitação. O escritório foi registrado na OAB em 24 de junho de 2005, e o contrato assinado três dias depois.

 Investigações na Assembléia? Tranquilize-se: Aécio é muito popular por lá.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Saudades de Belzonte

charge do mineiro duke
Reli no focusmode
(*) - crônica dedicada a kidusoares, mineirim já meio baiano.

Conversinha Mineira. Por Fernando Sabino.

- É bom mesmo o cafezinho daqui, meu amigo?
- Sei dizer não senhor: não tomo café.
- Você é dono do café, não sabe dizer?
- Ninguém tem reclamado dele não senhor.
- Então me dá café com leite, pão e manteiga.
- Café com leite só se for sem leite.
- Não tem leite?
- Hoje, não senhor.
- Por que hoje não?
- Porque hoje o leiteiro não veio.
- Ontem ele veio?
- Ontem não.
- Quando é que ele vem?
- Tem dia certo não senhor. Às vezes vem, às vezes não vem. Só que no dia que devia vir em geral não vem.
- Mas ali fora está escrito "Leiteria"!
- Ah, isso está, sim senhor.
- Quando é que tem leite?
- Quando o leiteiro vem.
- Tem ali um sujeito comendo coalhada. É feita de quê?
- O quê: coalhada? Então o senhor não sabe de que é feita a coalhada?
- Está bem, você ganhou. Me traz um café com leite sem leite. Escuta uma coisa: como é que vai indo a política aqui na sua cidade?
- Sei dizer não senhor: eu não sou daqui.
- E há quanto tempo o senhor mora aqui?
- Vai para uns quinze anos. Isto é, não posso agarantir com certeza: um pouco mais, um pouco menos.
- Já dava para saber como vai indo a situação, não acha?
- Ah, o senhor fala da situação? Dizem que vai bem.
- Para que Partido?
- Para todos os Partidos, parece.
- Eu gostaria de saber quem é que vai ganhar a eleição aqui.
- Eu também gostaria. Uns falam que é um, outros falam que outro. Nessa mexida...
- E o Prefeito?
- Que é que tem o Prefeito?
- Que tal o Prefeito daqui?
- O Prefeito? É tal e qual eles falam dele.
- Que é que falam dele?
- Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo quanto é Prefeito.
- Você, certamente, já tem candidato.
- Quem, eu? Estou esperando as plataformas.
- Mas tem ali o retrato de um candidato dependurado na parede, que história é essa?
- Aonde, ali? Uê, gente: penduraram isso aí...


Crônica extraída do livro A Mulher do Vizinho (página 144), de 1962 e publicado pela Editora Sabiá.