terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Charge, Cartum e Caricatura - parte III

Especial [A]Mostra de Humor
Charge, Cartum e Caricatura

Peraí, mas e... os quadrinhos?
Quadrinhos são coisa bem mais complexa, porque se valem de elementos da pintura, ilustração, literatura, cartum, charge, caricatura e até cinema, podendo trocar influências e idéias num toma lá dá cá que às vezes é só toma lá, às vezes é só dá cá.
Além disso, como Will Eisner colocou em seu livro, quadrinhos são arte sequencial, ao contrário da charge e do cartum, que se resolvem em um só quadro.
Bill Sienkievicz se notabilizou por usar a caricatura para caracterizar o lado grotesco de alguns personagens, utilizando diversas técnicas de pintura. Angeli usa a sequência, típica dos quadrinhos, em suas charges políticas. Aroeira usa outro elemento dos quadrinhos, o balão, fartamente em suas charges. Jaguar usa o balão em cartuns. Quando não há uso do balão num cartum, e o texto não aparece abaixo do desenho, como diálogo ou título, expediente comum a Carlos Estevão, o cartum é conhecido como piada muda.
O problema é que além de nem todas essas definições serem suficientemente claras, elas são arbitrárias. Existem para serem derrubadas até que se encontre algo melhor. E fluidas, porque ao intercambiarem seus elementos, misturam seus conceitos, tornando-se mais parecidas umas com as outras.
É comum ouvir as pessoas falarem que o Chico Caruso é um caricaturista de mão cheia, o que não deixa de ser verdade. Lan, mais do que chargista político, é um ilustrador (ilustração: aquele desenho que diz em traços o que o texto diz em palavras) brilhante no uso da cor, cartazista e capista.
A verdade é que, assim como as definições acima, o talento também é intercambiável, e quem é bom fazendo cartum também deve ser bom fazendo quadrinhos, caso do Henfil,
e vice-versa. Os exemplos são intermináveis, como sempre foi a disposição do público para o desenho de humor. "
O texto acima foi transcrito do digestivo cultural