terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Charge, Cartum e Caricatura - parte II

Especial [A]Mostra de HumorCharge, Cartum e Caricatura
Cartoon, do inglês, cartão, tem origem num fato histórico. Em Londres, 1841, o príncipe Abbert encomendou uma série de desenhos para os novos murais de Westminster, e os artistas rejeitados, em represália, fizeram uma mostra de humor toda em cartão. A revista inglesa Punch, a mais antiga em humor do mundo, publicou os cartoons, dando novo significado à palavra.
Aqui no Brasil, o cartoon ganhou jogo de cintura e virou cartum, como narra o pai da criança, Ziraldo:
"no Brasil, a gente tinha que grifar, já que era palavra estrangeira. Ficava uma coisa chata. Então eu fui falar com o Aurélio, contei a ele que tinha criado a palavra e ele disse que ia dicionarizá-la. Logo depois, em 1967, um diretor do Jornal dos Sports que estava querendo fazer grandes mudanças me chamou para fazer um caderno de humor. No título já fui colocando a grafia nova: 'Cartum JS'".
O neologismo apareceu pela primeira vez na revista Pererê, de fevereiro de 1964, do mesmo Ziraldo. Parole, parole. Mas quem é quem nesse saco de gatos?
Chico Caruso fez uma distinção bem clara, valendo-se de uma analogia cinematográfica (vai com aspas, mas a citação é de cabeça):
"Se você afasta a câmera, pegando o plano geral, sem detalhes, e a piada é
universal, como a do náufrago, é um cartum."

Então todos aqueles desenhinhos sem palavras do Quino são cartuns, as vinhetas do Borjalo também e as marginais do Mad, feitas pelo Aragonês, idem.
"Se você aproxima a câmera, pegando o chamado plano americano, da cintura pra
cima e localiza a piada, aí é charge."
Fica fácil ver que todas essas piadas políticas, que aparecem nas manchetes ou nas páginas de opinião dos jornais são charges. Os quadrados que Ique, Chico e Paulo Caruso, Angeli, e Claudio Paiva ocupam ou ocuparam nos jornais do Rio e São Paulo foram sempre ocupados com charges.
"E se você fecha a câmera só na cabeça, o close, é caricatura."


Ou seja, aqueles retratos deformados que fizeram o nome do Álvarus, do Cássio Loredano, do Liberati, do Nássara. Agora entendi.

Texto transcrito do Digestivo Cultural