domingo, 20 de setembro de 2015

Por que muita gente honesta ainda acredita em Lula?

Por Amilton Aquino em Visão Panorâmica

Por que muita gente honesta ainda acredita em Lula?
A palavra “ética” vem do grego “ethikos”, que significava “portador de caráter”. Para os gregos antigos a ética significava a busca pelo melhor modo de viver e conviver. Em outras palavras, significa que não devemos fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem a nós.

Dito isto, te pergunto como você se sentiria se um de seus mais próximos amigos afirmasse publicamente que você nunca foi gente de sua confiança?

Pois é. Este é apenas um dos muitos exemplos de falta de ética explícita de Lula, documentados com áudio e imagem para todo mundo ver. São inúmeros os episódios ao longo de sua trajetória política. Mentir, caluniar, zombar, pousar de vitima, colocar-se acima do bem e do mal são apenas algumas de suas práticas mais comuns.



Boa parte da nossa população já percebeu tais padrões repetitivos no discurso de Lula. No entanto, muita gente honesta ainda continua admirando-o, alguns de maneira quase religiosa, a ponto de acreditarem que “Lula é uma dessas pessoas enviadas por Deus ao mundo para fazer avançar a humanidade”! Sério. Já ouvi isso de pessoas ditas espiritualizadas. Como explicar tamanha fascinação coletiva em meio a tantas provas de falta de ética?

Bom, a primeira conclusão é a constatação de duas grandes virtudes do Lula: a inteligência acima da média e uma grande capacidade de negociação. De fato o cara é muito esperto. Tem uma habilidade incrível para moldar seu discurso à plateia, ao ponto de ser ovacionado pelo MST de manhã e, poucas horas depois, por uma plateia de grandes empresários. E tudo isso utilizando o mesmo linguajar rasteiro, cometendo incríveis erros de concordância, trocando fonemas e contando as mesmas piadas que o ajudaram a criar o personagem Lula. Sim, ele não passa de um personagem. É impossível que alguém com tamanha inteligência, que por mais de duas décadas alimentou a ambição de chegar à presidência da república, com todo o tempo do mundo disponível e dinheiro, chegar à velhice sem ao menos falar sua língua natal com um mínimo de correção. Inglês então, nem pensar.






E por que Lula nunca se esforçou para melhorar sua educação? Simples: porque isto destruiria o seu personagem. E é este personagem que fala “a língua do povo” que o ajudou a construir o mito Lula. O personagem que se orgulha de não ter estudado e ter chegado aonde chegou.

Uma de suas primeiras providências ao perceber o poder de seu personagem foi incorporar em seu nome o apelido “Lula”. E neste processo de construção do personagem, a mídia, hoje tão hostilizada por ele, teve um papel fundamental. Não só a imprensa, como também toda a classe acadêmica e artística. Quem não lembra do refrão da música dos Paralamas do Sucesso “Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou. São trezentos picaretas com anel de doutor”? Quem não lembra da multidão de atores globais cantando “Lula lá”? Quem não lembra dos comentários de Franklin Martins e tantos outros jornalistas que hoje vestem a camisa do PT preparando o terreno para os esquerdistas do poder de hoje?



E aqui fica muito evidente outra característica marcante de Lula: a autopromoção. Tudo que ele fala, tudo que ele faz, cada gesto, cada palavra tem sempre como objetivo principal o cultivo da adoração ao seu personagem. Nesta construção o “nunca dantes na história deste país” teve um papel fundamental. Quantas mentiras usando este bordão foram repetidas exaustivamente até por pessoas bem informadas?

Ora, basta uma rápida olhada nos livros de história para ver o salto material que a humanidade deu nos últimos 200 anos impulsionada pelo capitalismo. Ou seja, qualquer coisa que você queira comparar com o passado, a tendência é que hoje exista como “nunca antes na história do mundo”. E é aí que Lula aproveita-se do capitalismo criticado por seu partido para atribuir a si todos os méritos possíveis e, de quebra, diminuir os méritos dos demais governantes dos restantes “500 anos de história do Brasil”, sendo que os conceitos de esquerda e direita existem há pouco mais de dois séculos.



Quando ele bate no peito e diz que criou 30 milhões de empregos, por exemplo, na verdade ele está atribuindo a si 99% dos empregos gerados pela economia privada, setor que os governos mais atrapalham do que ajudam. O mesmo vale para os 40 milhões que ele diz ter tirado de baixo da linha da pobreza. O que ele fez para conseguir tal façanha? A unificação de programas criados por seu antecessor? Estímulos ao crédito? Incentivos fiscais a setores específicos da economia?

Sim. O governo do PT fez isso, mas nada muito diferente que outros governos já fizeram. A questão que fica, portanto, é até que ponto tais medidas contribuíram para a tão propalada redução da pobreza e para a geração de empregos?



Nenhum economista pode responder esta pergunta com precisão. Mas me atrevo a dizer que não deve ser nada muito significativo. E mesmo se fosse, ainda assim teria um preço, afinal o que a história nos mostra é que sempre que a política se sobrepõe a economia, o resultado são distorções ainda maiores que vão aparecer mais a frente (e já estão aparecendo). Porém, um dado concreto é que quando observamos outros países com economias parecidas com a do Brasil, percebemos claramente que o progresso da década passada não foi um fenômeno exclusivamente brasileiro. Se hoje os produtos de exportação brasileiros (minérios e alimentos) estão com seus preços valorizados no mercado internacional é justamente porque milhões de pessoas em todo o mundo ascenderam socialmente e passaram a comer mais e melhor.

Portanto, não foi Lula que mudou o Brasil. O mundo é que puxou o Brasil. E mesmo com a “grande inovação” de estímulos ao crédito do governo do PT nossa economia só conseguiu crescer na média mundial e bem abaixo da média dos emergentes, com o efeito colateral de elevar o nível de endividamento das famílias brasileiras de 20%, em 2002, para 54%, em 2013, uma das razões do baixo crescimento atual, responsável por nos colocar muito abaixo da média mundial no governo Dilma.



E então finalmente Lula descobriu a influência do contexto internacional para explicar o fiasco do nosso PIB. Nas comparações descontextualizadas com o governo FHC, o contexto internacional sempre foi escondido para baixo do tapete, vale lembrar. Agora ele é o culpado, mesmo que os EUA já esteja crescendo mais que o Brasil, assim como a Europa que já começou a se recuperar em 2013.

Tais comparações desonestas usadas e abusadas por Lula aonde quer que vá trazem consigo sempre o objetivo perverso de desconstruir seu principal adversário, o PSDB, o partido que é reconhecido pela maioria dos economistas como responsável pelas poucas reformas que possibilitaram que o Brasil fosse indicado aos investidores internacionais como um dos quatro BRICs, ainda em 2002. Ou seja, um país com um grande potencial de crescimento, com uma macroeconomia bem definida e pronto para se tornar um nova superpotência do século XXI. Ou seja, Lula foi o primeiro presidente desde os anos 80 a assumir a presidência sem ter como principal desafio derrotar “o dragão da inflação”. Mesmo assim, não deu seguimento as reformas estruturais agendadas por FHC e, consequentemente, não conseguiu reduzir um centavo do famigerado “custo Brasil”.



Um terceiro objetivo das falas de Lula é o acirramento político. Ele está sempre cultivando a divisão da sociedade entre seus defensores incondicionais e seus fatídicos adversários, pintados sempre como “conspiradores” e “golpistas”. Ao vender a tese furada de que é vítima de uma suposta “mídia golpista”, Lula faz seus eleitores se sentirem parte de um grande exército na luta do bem (ele próprio, “o defensor dos pobres”) contra o mal (o PSDB, o representante dos ricos). E é justamente neste terceiro objetivo que ele consegue manter cativa a maior parte do seu eleitorado, afinal o acirramento político transforma o debate em uma disputa de torcedores de futebol, ao mesmo tempo em que diminui o racionalismo, algo que lhe interessa, uma vez que nos últimos anos os petistas têm sido surrados nos debates espalhados pela Internet.

Para a verdade não vir à tona no debate, a primeira estratégia do lulismo é sempre desqualificar o seu oponente. Não importa o conteúdo que está sendo apresentado. Se um petista encontrar alguma coisa que coloque em xeque a honra do seu adversário, a “vitória” no debate está assegurada! Daí as várias tentativas de retaliação com dossiês comprovadamente forjados. E Lula, como sempre, nunca sabe de nada.



Na pior das hipóteses, Lula aposta na percepção de que o eleitor veja que, diante da impossibilidade de provar sua inocência, que seus adversários são ainda piores. E infelizmente é esta a crença que parece predominar entre as pessoas de bem que ainda apoiam Lula e o PT. É esta crença também a responsável por tornar as pessoas mais tolerantes com seus comprovados casos lamentáveis de falta de ética explícita, os quais de tão corriqueiros nem sequer chocam mais.

Uma quarta estratégia de Lula é um pouco mais sutil: dar uma no cravo e outra na ferradura. Ou seja, ele faz uma afirmação em uma direção e, mais adiante, na direção contrária. Assim, aconteça o que acontecer, ele vai estar sempre “certo”. Por exemplo: primeiro Lula afirma que não existe divergências entre ele e Dilma. Mas, logo em seguida, ele completa: “se houver, ela é quem está com a razão”. Em outras palavras, ele mais uma vez joga toda a responsabilidade para Dilma sobre os erros que ficam cada dia mais evidentes na gestão do PT (inclusive na sua) e ainda posa de “cavalheiro” por supostamente apoiar as decisões mesmo que equivocadas da dama Dilma.



Aliás, nos últimos dias ele começou a dar umas cutucadas na Dilma, o que reacendeu ainda mais o coro dos seus devotos por sua volta. Na semana passada, ele chegou a dar um puxão de orelhas no secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, aconselhando-o (e por extensão toda a equipe econômica de Dilma) a “soltar mais o crédito”. Ou seja, ele continua achando que a expansão do crédito sem limites é solução para tudo. Não importa se o povão vai comprometer 50% ou 100% de suas rendas com dívidas durante anos, roubando assim o potencial de crescimento do futuro, como já acontece hoje, fruto da expansão desenfreada do seu governo. E o mais irônico disso tudo é que pouco antes Lula tinha admitido que a inflação está alta. Ou seja, ele propõe justamente colocar ainda mais lenha na fogueira com mais crédito. Sabe tudo de economia! O secretário criticado, presente no momento do puxão de orelhas, teve que ficar caladinho e ainda aplaudir, pois Lula está acima de tudo e não pode ser confrontado, mesmo dizendo as maiores asneiras.


Enfim, existem ainda muitos outros padrões mais sutis nas falas de Lula, mas vamos ficar nestes mais visíveis. De modo que só encontro duas hipóteses que explicam hoje alguém ainda defender Lula e por extensão o PT:

1) A pessoa não tem consciência sobre os “maus feitos” de Lula (afinal a “mídia golpista” não repercute como deveria seus desvios éticos) e acredita piamente que o progresso mais rápido verificado na última década foi resultante da “capacidade administrativa” de Lula;

2) A pessoa tem consciência dos desvios de caráter de Lula, mas procurar relevá-los, pois foi convencida pelo marketing do PT que seus adversários são ainda piores.

Para ambos os casos o único remédio é informação.

*Artigo postado em 08JUN2014