Por Antonio Ribeiro
Em seu De Paris
De Dilma, os europeus querem saber mais sobre o futuro
A imprensa européia tratou a reeleição de Dilma Rousseff quase como um rito democrático protocolar. Mesmo a revista britânica The Economist que na semana anterior tinha aconselhado o voto em Aécio Neves lembrou que nas últimas três décadas, apenas três presidentes na América Latina não conseguiram se reeleger.
Arte de Newton Silva
A percepção pode causar espanto em quem acompanhou de perto a eleição mais acirrada da história republicana. A vitória de Dilma teve uma margem de apenas de 3% dos votos. Ela tampouco reflete a violência do debate no qual foi usada uma das armas mais pesadas do arsenal da infâmia. Lula, principal porta-voz do PT, para desqualificar o adversário que acabou colhendo mais de 51 milhões de votos, o acusou de pertencer a partido semelhante aos “nazistas”.
Arte de Sponholz
Tampouco levou-se muito em conta que a mentira encontrou condições climáticas e campo fértil para brotar viçosa e conquistar corações e mentes, sobretudo, dos mais inocentes. Os europeus conhecem de cor o discurso do medo e, por mais das vezes, dedicam solene indiferença. O estadista prussiano Otto von Bismarck sustentava no século XIX que as guerras, as eleições e as caçadas eram momentos propícios para as lorotas deslavadas.
Os europeus de um modo geral estavam mais interessados nas eleições na Ucrânia para saber se os eleitores do leste iriam escolher deputados mais favoráveis à União Européia ou à Rússia de Putin. No domingo, enquanto o Brasil fervia, as emissoras de radio e TV na França levavam ao ar mais boletins sobre as legislativas na Tunísia onde os islamistas perderam a eleição.
Arte de Amarildo
No Velho Continente, a curiosidade maior não é bem como Dilma manteve o poder, mas de que maneira irá governar com situação até então inédita. Ou seja, o país nitidamente divido em dois. Se adicionados os 32,3 milhões de eleitores que não quiseram votar em Dilma ou Aécio, é praticamente impossível se ter algum sucesso fazendo de conta que se obteve unanimidade na preferência nacional.
Arte de Miguel
O vespertino francês Le Monde pergunta quem será o ministro da economia capaz de tirar o país da estagnação cuja previsão de crescimento para 2014 é perto de zero e a inflação acumulada em 12 meses, bate em 6,75%? O principal diário da Alemanha, o Allgemeine Zeitung, afirma que a reeleição de Dilma não põe fim nas investigações de corrupção na Petrobrás e que, finalmente, depois de 12 anos, a oposição parece ter acordado além de ter doravante um cacife de votos formidável.

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