Postado em Veja.com em 12SET2014
É mentirosa, hipócrita, sórdida, asquerosa, indecente, imoral e provavelmente ilegal a peça de campanha de Dilma no horário eleitoral inventando o espantoso cenário de que faltará comida na mesa dos brasileiros caso se torne real a proposta da candidata Marina Silva (PSB) de tornar o Banco Central independente.
É tão mentirosa como dizer que correram o risco de ficar sem comida na mesa norte-americanos, alemães, japoneses e cidadãos de dezenas de países cujos Bancos Centrais sejam independentes para tomar decisões TÉCNICAS de combate à inflação e defesa da moeda, sem a interferência da POLITICAGEM, como ocorre no governo Dilma.
Banco Central independente significaria que o presidente e os diretores do BC seriam indicados PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, passariam depois pelo CRIVO DO SENADO e teriam mandatos fixos, não coincidentes com o do presidente, justamente para não ter vínculos de servidão ou gratidão para com quem os designou, e disporem de liberdade para agir conforme mandam a Constituição, as leis e as regras do próprio BC.
UM BC independente é, justamente em sentido oposto ao que mente a propaganda lulopetista, uma garantia mais de que sim, haverá comida na mesa das pessoas, em razão de uma situação em que a inflação é combatida eficazmente e na qual, inclusive por isso, a economia tende a ser mais saudável.
A propaganda de Dilma é asquerosa pelo nível de mentira e demagogia que contém, e ultrapassa os limites toleráveis de decência numa disputa eleitoral.
Para mim, equivale a Collor levando Miriam Cordeiro à TV, em 1989, para acusar Lula — sem fundamento, como se sabe — de ter querido que ela, Miriam, abortasse a filha que o então candidato do PT concebeu durante o período em que foi viúvo.
A propaganda é tão mentirosa quanto hipócrita: como já mostrei aqui, com todas as letras, O PRÓPRIO LULA cogitou de propor um Banco Central independente quando tentava acalmar os mercados, na campanha eleitoral de 2002.
