Por Francisco Petros e José Marcio Mendonça
Primeiras leituras: a decepção dos programas eleitorais
Pela primeira amostra ontem, em dois tempos na televisão e em dois tempos no rádio, o eleitor que estiver dependendo do que candidatos e partidos apresentam no horário eleitoral obrigatório para decidir em quem votar, vai ficar numa enrascada.
Obviamente descontando-se os partidos com menos recursos, tecnicamente os programas são de alta qualidade, de imagens, de tomadas, de cena, de “de direção” de atores, de tentar fazer que suas análises de promessas tenham algum cunho de “cinema verdade”.
Mas só fica, de fato, a maquiagem. O conteúdo...
Benett
Não é propriamente um programa político, está mais para um bom comercial. Não é à toa que os números preliminares de audiência, levantados pelos medidores eletrônicos ligados em tempo real, já registraram perda de telespectadores pelas principais televisões no horário dos políticos.
Segundo registrado pelo colunista Lauro Jardim, no portal da revista “Veja”, às 12h59, imediatamente antes do início da propaganda obrigatória, Globo, Record e SBT marcavam 8, 7 e 5 pontos, respectivamente, de acordo com dados prévios do Ibope para a Grande São Paulo. Entre as 13h e as 13h50, quando o horário eleitoral terminou, a Globo e Record passaram a marcar 5 pontos cada, o SBT 3 pontos, a Band 2 pontos e a Cultura apenas 1 ponto.
Em comparação com a audiência que as TVs abertas registraram na Grande São Paulo ontem (segunda-feira), no mesmo horário, tem-se o seguinte quadro: a Globo caiu 52%; a Record perdeu 30%; o SBT caiu 47%; e a Band, 40%.
Normalmente os primeiros programas despertam mais atenção, por curiosidade. A tendência é cair mais ainda daqui para frente.
Amarildo
Um detalhe curioso: Lula foi quase um “dono” do programa do PT no rádio. Na televisão, sua exposição foi mais discreta. Chegou-se a aventar a possibilidade de o ex-presidente funcionar como uma espécie de “âncora” do programa de Dilma na tevê. Ontem cumpriu este papel apenas no rádio.
Mais interessante ainda: na tevê, Lula reconheceu que há insatisfação com o governo Dilma (coisa que ela mostrou que não admite, como na sabatina da Globo) e prometeu que a presidente fará um governo melhor no segundo mandato.
Se somarmos a isto o fato de todos os candidatos prometerem mudanças, pode acontecer no Brasil algo inusitado em uma eleição em todo o mundo: uma disputa com três candidatos de oposição e nenhum francamente governista.

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