quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Revista Placar e o futebol como ele era!

Crônica
Por Roberto Vieira.
Transcrito do blog de Juca Kfouri

O "Campeonato Nacional" da Placar
A Revista Placar demorava cinco dias para chegar nas bancas de Recife. No sábado. Eu ia com minha mãe até o Mercado da Boa Vista fazer a feira. E ela me comprava o exemplar na banca da Matriz.

Os primeiros exemplares que comprei foram em 1970. Pouco antes das finais do Robertão.
Era um tempo de silencio nas ruas. Falar o nome de Miguel Arraes era proibido nas casas. Pra respirar, restava o futebol. Felizmente minha geração teve uma Revista Placar para ler.

Edição nº 1 - março/70


Mas o que eu queria falar era outra coisa. Era o momento do lançamento do Campeonato Nacional. Logo após a conquista do torneio pelo Fluminense em 1970.

A Revista Placar saudou a criação do Campeonato Nacional. Placar que andava preocupada com a falência dos grandes clubes brasileiros. Placar que defendia um campeonato brasileiro em primeiro plano. Deixando de lado os estaduais deficitários. Algo assim como uma Copa União nos anos 70.


Bahia e + 15

João Havelange sonhava com a FIFA. Não queria briga com as Federações. Atendeu aos pedidos do coronel José Guilherme, presidente da Federação Mineira de Futebol. Ouviu os conselhos do general Oldenor Maia, presidente da Federação Cearense de Futebol. E nem pensou em esquecer as solicitações de Rubem Moreira, seu amigo de tantas horas e presidente da Federação Pernambucana de Futebol.

Nacional, sim! Estaduais? Também!

Minas e Pernambuco ganharam uma vaga no torneio. O Ceará entrou no banquete pela primeira vez. Nada de acesso e descenso. Salvou-se o Vasco, lanterninha de 1969 e 1970.

A distância entre as cidades era problema? A Confederação Brasileira de Desportos (CBD) apelou ao governo federal. A Sadia Transportes Aéreos lançou a ideia do vale-transporte.

Segunda divisão? Antonio do Passo homologou o sistema de indicações. Igual ao sistema da primeira divisão. Deu o nome de Plano-Base ao projeto. O tal sistema de indicação virou moeda de troca nas mãos da Arena.

Onde a Arena ia mal?
Outro clube no Nacional.

Tudo política dentro da política do futebol. Mas a Revista Placar nunca teve nada a ver com a política.



Placar foi simplesmente a melhor e mais revolucionária revista brasileira. Tão expressiva que formou uma legião de leitores pelo Brasil afora. Nos limites da censura. Leitores que aprenderam a ler nas páginas semanais da revista. Leitura tão obrigatória quanto Monteiro Lobato e Júlio Verne. - De vez em quando tinha Chico Buarque na Camisa 12.

Pra quem duvida e não viveu aquela época – como viveu o amigo que vos escreve. Aqui vai uma seleção dos colaboradores da revista:

João Saldanha
Henfil

Juca Kfouri
Armando Nogueira
Lenivaldo Aragão
Sandro Moreira

Luís Fernando Verissimo
Paulo Vinícius Coelho

Celso Unzelte
Plínio Marcos
Lemyr Martins




A Revista Placar nunca negou o passado do futebol brasileiro e internacional. Pelo contrário. Em suas páginas, aprendemos a amar o Santos de Pelé e o Dinamo de Kiev. A Ajax de Cruyjff e o Flamengo do Mestre Ziza. O Boca de Mastrangelo e o River de Pedernera.



Placar que inúmeras vezes homenageou o título do Bahia na Taça Brasil de 1959.

Placar que era tão fantástica. Que muitas vezes era lida com entusiasmo até mesmo por Dona Geraldina. Minha mãe…