segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Idas e vindas da palavra dada

Por Wanderley Nogueira em seu blog

Ronaldinho não vem
As paredes têm ouvidos. Certamente, você já ouviu isso. Essa expressão não é nova. É uma espécie de alerta para os perigos de sermos escutados sem saber. A frase é encontrada em todos os idiomas. Dizem que começou assim: “as paredes tem ratos, e ratos tem ouvidos”. Mas, há outros: “aquele campo tinha olhos, e a madeira tinha ouvidos”.



caricatura de Baptistão

Na Europa existem castelos que escondem dutos e aberturas pelas paredes, construídas para possibilitar a audição, em outras salas, de encontros políticos a portas fechadas.

Os “pais” da expressão são muitos ao longo da história. Há quem afirme que teve origem no dia de São Bartolomeu, no qual ocorreu a célebre matança do tempo de Catarina de Médicis. A rainha era muito desconfiada e, para poder escutar melhor as pessoas de que suspeitava, mandou instalar por dentro das paredes do Louvre tubos acústicos que permitiam perfeitamente a audição.

Lembram do ex-ministro Rubens Ricupero? Ele estava no estúdio da Globo e conversava com o jornalista Carlos Monfort e enquanto aguardavam o momento da entrevista conversavam de maneira descontraída . O microfone já estava na lapela do paletó e toda a conversa foi transmitida por uma antena parabólica. Fez revelações indiscretas e enfrentou uma situação insustentável. Pediu demissão.


caricatura do iraniano Vahid Jafari

Muitas pessoas aprenderam que assuntos importantes não devem ser conversados em elevadores, nos taxis, no banheiro ou em aviões.

Ronaldinho Gaucho, Alexandre Pato e Thiago Silva, estão a bordo de um avião da Emirates, com destino a Dubai. Conversavam baixinho. Mas poltronas também tem ouvidos. Num determinado momento, Ronaldinho Gaucho disse que ” não tem jeito, não dá. Não vou sair do Milan, não vou voltar para o Brasil agora”.

Falou, tá falado…