sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Prestatenção!


Por André Carvalho (*)
Em 10 de outubro de 2010
btreina@yahoo.com.br



ÊH MISERÊ
PRESTATENÇÃO: assim diz meu amigo Helládio, quando indignado com a falta de discernimento dos que o rodeiam. Pois bem! Preste bastante atenção é o mínimo que digo e sugiro, aqui e alhures, aos que me cercam e aos que me escutam, após a recente declaração do Excelentíssimo Senhor Presidente da República Federativa do Brasil, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, ao perceber que, nas entranhas do partido dos trabalhadores e do presente governo, seu poder esvaiu-se como se esvai uma ressaca. Dolorida, embora, rapidamente.

Profunda, como certas ressacas, a declaração é reveladora do caráter do líder Inácio e dos anseios de seus companheiros. Vamos a ela:

 "tem gente que fica falando aqui como se eu já tivesse ido embora, mas ainda tenho quatro meses e alguns dias de governo. Alguns falam como se eu já tivesse ido. Tem gente que se mata para ser presidente por um dia e ainda tenho quatro meses e alguns dias. Ainda tenho a caneta para fazer muita miséria nesse país”.

O “aqui” traz para bem próximo de si os sujeitos da trama. Ao lado do presidente estão seus aliados, não seus opositores.

Seguindo na análise e decompondo o contexto, concluo que o insigne, sem qualquer rigor histórico, confirma a luta intestina de muitos para ser presidente como se este não houvesse sido seu caso. Um “cara” que pisou em tudo e em todos para chegar lá, mesmo após quatro acachapantes derrotas, duas delas ainda no primeiro turno, para FHC, a quem não perdoa, talvez por isso. ou, quem sabe, pela heterogeneidade no pensar.

É revoltante que, não satisfeito com o mal que perpetrou em seus quase findos dois mandatos, quando dividiu e antagonizou a sociedade brasileira, insuflando as massas, ao culpar as elites por qualquer problema que surgisse, Lula, agora, ameaça produzir mais miséria com “canetadas”. Fosse com caneladas ou patadas faria mais sentido.

Esperto e ganancioso aliou-se às elites, começando por seu vice-presidente e por seu advogado e parceiro Luiz Eduardo Greenhalgh, sem contar os suplicys matarazzos e, sem jamais especificar o que entende por elite ou mesmo caracterizá-la de forma coerente, tocou fogo no país usando como combustível as diferenças sociais, como se elas somente aqui existissem, ou não houvessem sido tratadas pelo governo anterior, do qual roubou o “Bolsa Escola”, para encobrir o fracasso do “Fome Zero”, dirigido por seu amigo e correligionário José Graziano da Silva.

Alguns dos generais – não todos – que governaram o país durante os tenebrosos anos de ditadura militar exerceram o poder à base de “canetadas”, denominadas Atos Institucionais, espalhando misérias jurídicas, políticas, físicas e emocionais aos quatro ventos. Contudo, nem mesmo eles odiaram tanto seus adversários quanto o Inácio odeia os seus.

Cidadãos que viveram os tempos de chumbo rememoram, hoje, os tais “Atos” sempre que o governo, capitaneado pelo presidente, fala em extirpar partidos, censurar a imprensa, re-estatizar a produção, enquanto aparelha o estado com os seus, persegue opositores e domina, via nomeações e “cala-bocas”, os demais poderes republicanos.

O Brasil, e por extensão a América Latina, agradecerão se o todo poderoso usar a caneta não à semelhança dos generais golpistas e sim como o fez Getúlio Vargas, outro ditador carismático eleito pelo voto popular: numa carta testamento que selou o fim de sua existência entre nós.

O Brasil, país jovem e de baixa instrução, não pode conviver com fazedores de opinião desonestos e tendenciosos, estejam eles nas igrejas, nos esportes, na política, nos sindicatos ou nas elites. Os senhores do radicalismo nos levarão, não muito distante no tempo, ao tempo da convulsão social.

Não custa crer no inacreditável!

(*) André Carvalho não é jornalista, é "apenas" um cidadão que observa as coisas do dia-a-dia. Um free lancer. Ou segundo sua própria definição: um escrevinhador. Seus sempre saborosos textos circulam pela web via e-mails.