O espírito de Minas
No início da campanha, quando as candidaturas não estavam nem oficializadas, o senso comum dizia que a sucessão presidencial poderia ser decidida em Minas, segundo colégio eleitoral do país, com seus mais de 14 milhões de eleitores.
O raciocínio era simples : igualdade no centro-oeste, grande vantagem de Dilma no norte e no nordeste e no Rio, compensados pela vantagem de Serra em SP e no sul. Os mineiros alterariam a balança. Marina Silva, a inesperada, alterou o equilíbrio.
Em Minas, Dilma fez 1,7 milhão de votos a mais do que Serra e não levou no primeiro turno. O espírito de Minas falhou. No segundo turno, porém, ele voltou a levitar e a assombrar tucanos e petistas.
Para quem está estranhando o empenho de Aécio por Serra no segundo turno e para quem acha também que tudo não passa de um jogo de cena do senador eleito : Aécio não tem outra saída, para seu futuro político, do que se agarrar ao PSDB.
Não dá para fundar outro partido nem há espaço para ele nas legendas de maior peso como o PT, o PMDB, o PSB. Terá, então, de mostrar serviço aos tucanos e não deixar que Alckmin, totalmente empenhado na campanha de Serra, fixe uma imagem nacional superior à dele. Os dois disputam a futura liderança nacional do partido, mesmo com Serra presidente.
A grande pergunta para a oposição é : qual foi o acordo que fizeram Serra e Aécio em relação a um futuro governo Serra e principalmente em relação a 2014 (ou 2015) ? Lá atrás se dizia que Serra havia oferecido a Aécio, para ser vice, o comando da área social do governo e a desistência da reeleição, com um mandato de cinco anos. (Lula é quem não vai gostar nada de um acordo desses, se vier - e se Serra vencer.)
Rico
Qualquer que seja o resultado da eleição, mesmo com a vitória de Dilma (o que ainda parece o mais provável, segundo as cada vez mais discutidas pesquisas), Lula terá cometido seu mais brutal erro político em Minas Gerais. Erro que no limite pode custar caro a Dilma.
Ao impor ao PT mineiro a candidatura de Hélio Costa, do PMDB, para ajudar Dilma, não conseguiu seu intento no primeiro turno (não teve os 2,5 milhões, 3 milhões de vantagem), não derrotou Aécio, destroçou o PT e humilhou os principais líderes locais do partido. E agora, quando Minas voltou a ser o provável centro de decisões, há muitas indefinições, divisões e mágoas na aliança governista local.


