Por André Carvalho (*)
Escrito em 19 de outubro de 2010
btreina@yahoo.com.brA FERA, O CARA E AS BESTAS.
A candidata da esquerda visitou, na semana passada, a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil. Ponto! Em resposta ao espanto de muitos, a senhora Dilma declarou que “um processo recente a fez voltar para o caminho da religião”, o qual não trilhou na maioria dos seus anos de vida. Desconfio que o processo recente, a que se referiu a candidata, tenha sido o eleitoral que pregou uma peça derrotando-a no primeiro turno da eleição presidencial.
Não sei se ajoelhou, mas pareceu rezar. Rezou baixinho para ninguém ouvir, o que é compreensível. Pergunto: o que terá rezado? Rezou pela cartilha do PT? Um pai nosso evocando Lula? Uma ave maria pensando nas homônimas que, após a visita, lhe renderão votos? Ou rezou um creio em deus pai todo poderoso, já pensando em Zé Dirceu, o santo maior que daqui para frente se sentará à sua direita, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos?
Pelo histórico do Zé, sentenças de morte não faltarão a começar pelos aliados do PMDB, uns “apóstolos” que, acreditam, rezarão em cartilha própria.
Todavia, poderá Dilma haver blasfemado contra Deus que, contrário à sua prepotência, tirou-lhe a vitória fácil e imediata, desmascarando-a em sua arrogante certeza. Dizem, sem que eu acredite, que dias antes da eleição a cidadã comentou que nem Cristo lhe tirava a vitória.
A revista Veja, na recente edição 2.186, traz uma entrevista com Gaby Amarantos, cantora paraense de tecnobrega, apelidada “Beyoncé da Amazônia”. A artista revela que gostaria de ser freira, mas desistiu quando soube que não poderia usar maquiagem. Será que dona Dilma, com seu atual fervor cristão, também queria ser freira, desde criancinha, desistindo quando soube que não poderia usar metralhadora?
Será dona Dilma nossa Joana d'Arc ou apenas uma alquebrada Maria Quitéria? Ou, talvez, a Joana Angélica moderna? Se o criador tivesse mais estudo haveria de transformar sua criatura na Anita Garibaldi nordestina, o que seria catastrófico. Nem tudo o que ocorre é o pior, felizmente!
Como santuário é lugar de agradecimentos e promessas, na saída, a candidata prometeu uma estação do trem bala. Não deu detalhes, o que certamente faria o presidente, caso estivesse por lá. A tirar por seus sete anos e meio de governo, Inácio prometeria uma escada rolante ligando a plataforma diretamente à sala dos milagres de maneira a facilitar a vida dos romeiros, essa gente sofrida e maltratada pelas “elites” brasileiras. Nada que um PAC mentiroso e bem divulgado não resolva.
Em contrapartida, milhões de votos no número treze do azar e na cor do demônio, o vermelho!
O mundo das trevas tem seus personagens e meandros que pairam acima das circunstâncias. Quando vejo a senhora candidata na igreja, ou paparicando os evangélicos, a mando do pai Inácio e de seus demoníacos conselheiros, enxergo claramente o trinômio a fera, o cara e as bestas. Quem são as bestas? Elementar, meu caro... eleitor.
Glória ao deus nas alturas do planalto central do Brasil e bolsa família aos eleitores de vontade boa.
(*) André Carvalho não é jornalista, é "apenas" um cidadão que observa as coisas do dia-a-dia. Um free lancer. Ou segundo sua própria definição: um escrevinhador. Seus sempre saborosos textos circulam pela web via e-mails.

