domingo, 3 de outubro de 2010

Estamos todos tiririca...

Por André Carvalho (*)
Em 02 de outubro de 2010
btreina@yahoo.com.br



Estou tiririca
Roçou o subsolo da cafajestagem a campanha eleitoral deste ano. As trocas de parceiros revelaram uma sem-vergonhice ímpar na política nacional, ao menos naquela historiada, mesmo sabendo-se ser, a política, arte do contraditório, da troca, do perdão, do interesse “privado” e, após tudo isso, do conchavo e da desculpa esfarrapada. Apesar de tudo, raro consta, em seus anais, a cadeia.

Chafurdou na vala da indecência a relação entre blogueiros, empresários, políticos, bandidos, aloprados, agentes do estado e familiares; bem como se afogaram num oceano de denúncias, as mais graves e horrendas, a Casa Civil da Presidência da Republica, a Receita Federal e o “staff” de campanha da candidata líder, rebocada, ao arrepio da lei, pelo desvario do Presidente Inácio, um ser político atuante onde quer que haja brecha, arranjo e lama.

Antigos correligionários, sabedores dos podres alheios, e, agora, inimigos nas refregas, esfarelaram as reputações, uns dos outros – mesmo aquelas já trituradas – com novas revelações e desfeitas mais comuns aos bandos que aos homens de boa vontade ou índole.

Na Bahia, assim como no prostíbulo, os papéis foram claros, e dois poderosos cafetões, um falecido ainda lembrado e outro mais rouco e “vivo” do que nunca emolduraram as refregas e traições. Nesse universo, até questões familiares de um candidato ao senado vieram à tona, num escândalo envolvendo esposa, filha, ex-marido e pensão alimentícia. Lamentável!

Em São Paulo, o “fenômeno” Tiririca, que segundo o Ibope dispunha, em determinado instante, de um milhão de votos para deputado federal, despertou a reação de alguns partidos que se sentiram prejudicados e consideram ilegal a estratégia do humorista ao fazer campanha usando o nome de seu personagem. Uma grande tolice!!!

Não há, na política brasileira, personagem maior que o atual Presidente da República. Foram sete eleições desempenhando o papel de trabalhador, que há muito deixara de ser. O apelido Lula, que depois virou marca tal qual Tiririca, foi inserido na certidão de nascimento do pernambucano após o advento do marketing político. Há personagem mais claro que este?

Tiririca é um palhaço, assim como Lula por vezes também o é, basta observar o número de bobagens que diz e faz, e as gargalhadas que extrai de seus auditórios bestificados. Além disso, seu comportamento na campanha foi uma palhaçada jamais imaginada por qualquer eleitor equilibrado.

Houvesse saúde pública no Brasil e o Presidente Inácio sairia da cerimônia de passagem da faixa presidencial direto para um manicômio, tal o destempero que vem demonstrando nos últimos dez ou quinze anos.

Que país é esse? Um circo? Propriedade de um palhaço, de um partido? Pelo transcurso dos fatos estou imaginando quem controla a bilheteria. Uma casa civil? Uma central de síndicos? Ou um filhote esperto?

Mesmo constrangidos, devemos admitir que Tiririca nos representa mais do que qualquer outro candidato. Algazarrados e brincalhões por natureza, acabamos transformados, pelos políticos, ao longo dos anos, em palhaços. Uns fantasiados ideologicamente, outros, de forma figurada.

Francisco Everardo Oliveira Silva – nome de certidão do Tiririca – garante que “pior que está não fica”. Fica sim Tiririca! Não necessariamente por sua presença no cenário, pois lhe falta malícia para tanto, mas não subestime a capacidade de muitos outros eleitos, inclusive ao cargo maior.

(*) André Carvalho não é jornalista, é "apenas" um cidadão que observa as coisas do dia-a-dia. Um free lancer. Ou segundo sua própria definição: um escrevinhador. Seus sempre saborosos textos circulam pela web via e-mails.