quinta-feira, 14 de outubro de 2010

André Carvalho e as eleições


Por André Carvalho (*)
Em 03 de outubro de 2010
btreina@yahoo.com.br


Meus votos
O voto é secreto, eu sei, mas como não sou homem de segredinhos decidi declarar cada um deles, logo agora, fechadas as urnas. E tem mais: tudo às claras para não deixar margem a dúvidas, o que me leva a explicar minhas escolhas, uma a uma, tintim por tintim, e, em seguida, se necessário, entrar nos detalhes.

Para Presidente da República sufraguei Dona Dilma por várias razões. A primeira delas é a sua simpatia macro guerrilheira (eu disse macro e não narco) capaz de garantir o exotismo das nossas opções, o que encanta os povos acima do equador importantíssimos para nossa economia. O fenômeno vem desde Collor, o caçador dos marajás com aquilo roxo, passando por Itamar, de topete esvoaçante, e por Lula, o operário de dedinho amputado, até chegar, agora, à primeira “presidenta”, como gosta de afirmar o pai da pátria.

Muito me agrada também, a excêntrica sofisticação do candidato a vice-presidente, o Temer. Olha que prenome bonito: Michel! Repita aí. Sem afetação. Micheeeel! Nunca na história deste país beiramos algo parecido. A República já teve, em seus mais altos escalões, João, José, Itamar, Ribamar, Floriano, Deodoro e Artur. Mas Michel, jamais! Sinal dos tempos, com certeza.

A obsessão da candidata em exterminar a imprensa maldosa pesou na decisão. Vou passar a ler Tio Patinhas e os Irmãos Metralhas, muito mais saudáveis que as páginas amarelas ou Diogo Mainardi. Por fim, me sensibilizei com o arco de alianças que a mulher guerrilheira e sua facção costuraram com políticos “honrados” como o Collor, Sarney, Jucá, Gaguim e Jader Barbalho.

Para o Senado votei em Lídice da Mata que foi a melhor prefeita da história de Salvador e que, em seus quatro anos de mandato, recapeou duas avenidas e construiu um viaduto com mais de trinta metros de extensão. Houvesse mais tempo, outro mandato, por exemplo, e certamente a prefeita asfaltaria outra avenida.

Fechei a dobradinha no time de Lula votando no Pinheiro, do Partido dos Trabalhadores, que se mostrou um profundo conhecedor da história política baiana, ao afirmar, em defesa de sua candidatura e da parceira Lídice, que a Bahia jamais teve uma boa representação no Senado Federal. Concordo. Ao longo dos anos tivemos na casa senatorial um exército de incompetentes: Rui Barbosa, Otávio Mangabeira, Josaphat Marinho e Aloysio de Carvalho Filho, entre outros. Só gente ruim!!!. Agora é que a Bahia ficará digna e competentemente representada com Mata e Pinheiro: uma floresta de sabedoria.

Para governador votei no cara do Psol, pois desejo o socialismo implantado em minha terra. A igualdade e a justiça social que os comunistas alcançaram em todos os cantos do mundo por onde passaram, são fantásticas. Quero igualdade, mas igualdade por cima. Para Antonio Carlos Brasileiro Jobim só haveria justiça social no mundo, quando todos morassem em Ipanema. Como sou bairrista, quero morar aqui mesmo, em Salvador, no trecho da Avenida Sete de Setembro conhecido por Corredor da Vitória, no lado que margeia o mar. Afinal, igualdade é igualdade. Ou não é?

Outra coisa que me agradou no Marcos Mendes o candidato do Psol, foi sua agressividade, bem semelhante à que Lula apresentou em suas cinco primeiras campanhas. Na “porrada” Inácio chegou lá. Meu escolhido, também poderá chegar.

Para deputado federal tasquei Popó, um ilustre baiano que derrotou, nos ringues, toda a arrogância norte americana sagrando-se campeão mundial de boxe, numa categoria bem leve, tipo manequim. Lá em Brasília, tem muita gente merecendo levar uns socos. Popó é mestre nisso.

Fechando a chapa fui de Leo Kret, um “traveco” eleito(a) vereador(a) nas eleições passadas que imagino, proporá agora, se eleito(a), a extensão da parada gay para cinco dias, tal qual o carnaval. Acho justo até por que um difere muito pouco do outro. Não sou carnavalesco e muito menos “simpatizante”, mas adoro um feriado.

Enquanto cidadão fiz a minha parte...Cruz credo!!!

(*) André Carvalho não é jornalista, é "apenas" um cidadão que observa as coisas do dia-a-dia. Um free lancer. Ou segundo sua própria definição: um escrevinhador. Seus sempre saborosos textos circulam pela web via e-mails.