sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Consequências imediatas das exclusões...

... sociais no Velho Mundo.

Por Antonio Ribeiro, de Paris

Deportados preparam a volta a França
Enquanto a Comissão Européia reuniu-se a portas fechadas estudando recriminações à política do presidente francês Nicolas Sarkozy de deportar ciganos em situação ilegal no seu país, muitos expulsos já começam preparar a viagem de volta à França. Mais de 8.000 ciganos foram deportados para Romênia e Hungria. Mas ao chegar aos seus paises de origem encontram desemprego e situação onde as necessidades básicas são ausentes. Falta moradia, água ou eletricidade.

avião fretado no Terminal 3 do Aeroporto Charles de Gaulle,
em direção à cidade de Timisoara, na Romênia
 
A maioria das cidades do interior da Romênia e Hungria tem menos infra-estrutura do que muitas favelas brasileiras. Nestas regiões depauperadas, vive a população em singular estado de precariedade. Se a sobrevivência dos habitantes é difícil, a perspectiva de um aumento populacional repentino traz consequências sinistras.

Tome-se o exemplo de Barbulesti, um vilarejo romeno a 55 quilômetros a nordeste da capital Bucareste. A população de 7.400 pessoas aumentou de forma inesperada com a chegada de 200 ciganos deportados da França. A economia local tinha como esteio uma fábrica de açúcar, fechada em 1990. As autoridades locais temem que alternativa dos recém-chegados seja roubar de quem tem alguma coisa ou morrer de fome.

Na França, eu fingia não ter pernas para ganhar esmolas”, conta Marian Cutiaru. Mas é com o que escondia e 300 euros que o governo francês premiou sua volta “voluntária” a Romênia, que Cutiaru planeja fazer o caminho de volta à França. Estima-se que a Romênia levará, no mínimo, uma década de investimentos pesados para começar a conter o êxodo dos seus ciganos – entre 1997 e 2005 quase 15.000 deles foram buscar vida melhor em paises da União Européia.

Os 12 milhões de ciganos europeus, a minoria que mais cresce no Velho Continente e cuja origem milenar é o norte da Índia, ainda não conseguiram adaptar sua prática tradicional baseada na troca de objetos e na agricultura rudimentar com o gigantesco mercado comercial criado pela União Européia. A educação, elemento capital para o sucesso nas sociedades modernas, pouco atrai a comunidade nômade. A sua integração representa um dos maiores desafios da UE.