Ser ou não ´fores`, eis a questão
Como se não bastasse a esculhambação da coerência na Seleção e a desmoralização do entendimento em Teerã, o brasileiro desaprendeu com o noticiário a conjugar o verbo ser.
Ilustração de Edika
Só se fala disso nas bancas de jornal: se “os que forem” condenados, ao pé da letra do projeto Ficha Limpa, indica um tempo futuro – os que vierem a ser condenados -, que diabos Duque de Caxias quis dizer na Guerra do Paraguai com “sigam-me os que forem brasileiros”?
Pela lógica interpretativa que andam fazendo da lei contra os fichas-sujas, o certo seria “sigam-me os que tenham sido brasileiros”. Ou ainda, como diz o pessoal do telemarketing, “os que estejam sendo” brasileiros ou condenados, tanto faz!
Deixando de lado o português safado – ô, língua! -, o importante é guardar o nome do autor da emenda que, na troca de “os que tenham sido” por “os que forem”, livrou da inelegibilidade o Maluf e quem mais tiver condenação anterior à promulgação da lei.
Francisco Dorneles é aquele senador do PP do Rio de Janeiro cortejado por Dilma Rousseff e José Serra como aliado chave nas eleições presidenciais. Um homem público, enfim, à frente do seu tempo verbal! Melhor tê-lo a favor do que contra, né não?
xxx
Esse texto fez-me lembrar das palavras de Fernando Pessoa:
“A sorte de um povo depende do estado da sua gramática.
Não há grande nação sem propriedade da linguagem.”

