A luta continua ou Não vamos nos dispersar
Com a aprovação, mesmo que "capenga", do projeto Ficha-Limpa, nós, brasileiros (politicamente conscientes), provamos que, unidos, podemos evitar que façam de nosso país uma casa de mãe Joana.
Vamos esquecer caras-pintadas, estudantes e sindicalistas, e vamos pensar em nós, que não estamos no bolso do PT e trabalhamos, pagamos todos (e os mais) os absurdos impostos e agora demos uma prova de que, unidos, podemos brecar a sanha de um bando de picaretas que pensam que o país pertence a quem se movimenta nos altos escalões da vida pública.
Que tal manter a mobilização e diversificar as reivindicações? Começando pelo voto obrigatório, o que não existe em nenhuma democracia que se respeita. Os espertos têm medo do verdadeiro eleitor, o policitamente correto, aquele não deixaria de votar para ir à praia, jogar seu dominó ou curtir seu lazer, e é esse eleitor que não vota em espertalhões ou políticos medíocres, compradores de voto.
Mais adiante, pode-se acabar com todos os absurdos privilégios nas áreas do Legislativo e do Judiciário. Por que um juiz, um desembargador ou um deputado pode gozar férias duas vezes por ano? E ainda terem 15 salários por ano, com o dinheiro público? Por que eles podem matar ou roubar e ter foro privilegiado, ou mesmo ter como "punição" a aposentadoria compulsória, sem perder um centavo de seus salários? São trabalhadores como todos nós, iguais perante a lei, que não podem sair por aí atirando e atropelando (veja casos do Ceará, Paraná e Bahia) sem que nada aconteça perante a lei e a sociedade.
Quem paga o aluguel ou a prestação da casa própria do trabalhador? Quem paga suas viagens e sua gasolina para ir ao trabalho? E suas correspondências postadas nos Correios? E seus telefonemas? Pois, nós pagamos os (as) nossos (as) e os (as) deles, isto é, sustentamos, com nossos mini-salários, centenas de parasitas de super-salários e outras benesses inexplicáveis, sem que Brasília seja o fim do mundo ou uma cidade perdida no meio do cerrado.
Se prestarmos bem atenção, nosso Código Penal, vetusto e obsoleto, é responsável por grandes absurdos que inclusive estimulam a criminalidade, porque promove a perspectiva da impunidade e da frouxidão na aplicação da lei. Por que não passa sua reforma, assim como a política e a tributária? E que tal não mais ter de trabalhar 148 dias por ano somente para pagar impostos, que dificilmente voltam para a sociedade em caráter de benefício.
Pois é, o espaço é restrito para citar todas as mazelas ao alcance de nosso raio de ação. E com os políticos que temos, não podemos esperar que nada disso se resolva se não tomarmos a dianteira, em benefício não somente do país, mas de nossos filhos e netos.
Podemos nos antecipar, antes que tomem nosso Brasil de assalto e nos transformem em cidadãos de terceira categoria.
(*) Antônio Luís Almada é jornalista baiano.
