Por André Carvalho
Em 15 de maio de 2010
Desgosto, euforia e infarto
Sei de um cidadão que na “terceira” idade e durante o governo Fernando Henrique recusou-se a tomar vacina contra a gripe achando que o maldoso presidente e seu ministro da saúde, o atual candidato José Serra, queriam na verdade matar uma leva de aposentados para resolver os graves problemas de caixa da Previdência Social. Em sua imaginação a vacina potencializaria o quadro gripal levando-os – ele e os demais colegas de merecido ócio – para a cova. Reforçava a tese do “extermínio” uma declaração do presidente sociólogo taxando aqueles que se aposentam jovens, de vagabundos.
No governo Lula, muito mais “confiável” do que o anterior, meu amigo passou a se vacinar e está aí, cheio de saúde, disposto a borrar o título de eleitor de batom e “botox” nas próximas eleições.
A Previdência Social continua com déficit crescente, algo como 32,4 bilhões de reais projetados para 2011, e agora sou eu que acredito numa trama do atual governo, com os outros poderes da república, para reduzir o número de aposentados e pensionistas, levando-os à morte por desgosto, euforia ou infarto, não necessariamente nesta mesma ordem.
No caso da vacina, não havia indício de maldade do governo. Agora as artimanhas são claras, apesar da maioria dos aposentados não perceber. Vou abrir o jogo:
Segundo o Ministério da Saúde o número de hipertensos cresce de maneira desmesurada, mais ainda na faixa etária acima dos 65 anos onde se encontra o grande contingente de aposentados. Para resolver o problema, dentre outras panaceias, o Ministro Gomes Temporão receitou a prática do sexo, se possível, cinco vezes por semana. Somente aí, o ministro deve ter matado, de desgosto, alguns milhares de aposentados, já aposentados.
Não deve ter sido coincidência a justiça quebrar a patente do Viagra, conhecido agente potencializador, de forma a reduzir seu preço e socializar o consumo através da produção de genéricos. No mesmo compasso o legislativo majorou em 0,7 pontos o percentual de aumento das pensões e aposentadorias de maneira a sobrar um dinheirinho no final do mês. Ninguém duvida que os velhinhos vão “cair matando” de maneira genérica. Acho que as decisões da justiça e do congresso levaram e continuarão levando a óbito, por euforia, outros milhares de aposentados.
Contudo, o mais perverso é o seguinte: Viagra e seus semelhantes são contraindicados para hipertensos. Está na bula segundo garante um idoso amigo meu que, assustado com o seu 14 por 9 de pressão sanguínea, desistiu do milagre. Significa dizer que os mais apressados, aqueles que não leem bula, morrerão de infarto.
Ainda há um grupo enorme de cidadãos em idade provecta, com pressão de menino e dinheiro no bolso, porém sem uma velhinha companheira que justifique o uso da pílula mágica. Estes, também morrerão de desgosto.
Não são apenas os velhinhos que o governo está matando. As mais idosas também estão morrendo, umas de cansaço – puxa, lá vem o Odorico outra vez! – outras de desgosto – Bastião, nem com o Viagra, Bastião? E por falar em Odorico, lembrei-me do bem amado Paraguaçu. No ritmo que as coisas andam, pode faltar cemitério. Não sei se dona Dilma, a mãe do Pac, previu o déficit cemiterial, que é, no fundo no fundo, uma questão de infra-estrutura.
Agora falando sério, bem que o governo podia implantar um programa para subsidiar o remédio, como já faz com os contraceptivos. Seria o “Viagra no Bolso”, por exemplo. Que tal uma parceria público privada, com um fabricante de cuecas co-patrocinando o programa, pois muitos velhinhos voltarão a usá-las?
Meu medo é que depois do recente encontro entre os presidentes paraguaio e brasileiro nosso governo distribua um genérico “fronteiriço” de forma a ajudar a economia do país “irmão”. A propósito, Fernando Lugo, que já foi padre e bispo, engravidou algumas compatriotas antes de assumir a presidência do Paraguai. Isso... entre uma missa e outra.
Até parece que o cara era piloto de teste do Viagra de lá.

