terça-feira, 20 de abril de 2010

Belo Monte, sopa de pedra?

Por Celso Ming. Transcrito do blog do Noblat

Belo Monte - Sopa de Pedra?
O resultado do leilão da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, hoje realizado em Brasília, vem carregado de incertezas e de falta de transparência. Elas são tantas que é enorme o risco de que a execução desse projeto seja contestado na Justiça e na política.

Ganhou o consórcio Norte Energia, montado às pressas para evitar um fiasco estrondoso. Sobre algumas das empresas que o formaram pesam suspeitas de incapacidade técnica e no caso da Bertin, que há sete anos não passava de braço de uma empresa de carne bovina, há uma ficha pouco edificante de não-cumprimento de disposições contratuais que presidiram a construção de termoelétricas.

Embora não seja a líder do consórcio, a Eletronorte foi enfiada na execução do projeto, com responsabilidade de 49% sobre o total, na condição de “sócio estratégico”, aparentemente para dar “segurança estatal” à amarração. E a essa mesma amarração, alguns fundos de pensão de empresas estatais tiveram de aderir sem sequer terem tido tempo hábil para examinar a viabilidade financeira do empreendimento e os pressupostos atuariais de sua participação.

É alto o risco de que estejamos diante de mais um caso que lembra a velha história da sopa de pedra, aquela que começa a ser feita só com pedra e que, lá pelas tantas, leva uma verdurinha, um pedacinho de carne, umas batatas e tal. Se for isso, seu custo será superior aos R$ 19 bilhões admitidos pelo edital que convocou o leilão.

Construtoras que desistiram de concorrer avisaram que será difícil construir a usina por um custo inferior a R$ 30 bilhões. Elas estão erradas, dizem os técnicos do Ministério de Minas e Energia. Mas será que grandes empreiteiras renunciariam a participar da construção da terceira hidrelétrica do mundo e de um negócio de uma magnitude que tão cedo não haverá igual no globo terrestre, se não tivessem certeza do seu ponto de vista?


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