sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Traduzindo o Baianês! - V

2010 está aí. Como esse sol está azuretado de forte, o Pilórdia resolveu que sua vinda 'a cidade da Bahia ia ser "mamão com açúcar", isso quer dizer que vamos "explicar" o idioma Baianês "falado nas ruas", e sua vida em Salvador vai ficar facinha facinha (fácil, fácil).

Lembrem-se que nossa querida Bahia é a terra da mistura de raças, cores e credos. Misturaê!

Especial Traduzindo o Baianês
capítulo V


Esse "magrinho" aí combinando a camisa com a bebida,
sou eu - quando bebia - acompanhado de amigos,
inclusive o Almada (de camisa branca) articulista deste blog.


Sexta-feira é dia de baiano comer água (beber)

Portanto nesse dia é normal o baiano chamar o amigo para tomar uma (na verdade, umas). Então, não se apoquente ( não se incomode) se ele ou ela chamar voce para um falapau,  tomar uma fubuiaencarcar o dente, comer água, tomar uma rama, beber água que passarinho não bebe, bater uma cerva e te levar para um barzinho, boteco ou cacete-armado (birosca).

Pode ser uma cerva (cerveja) geladinha, um ligante [mistura alcoólica tipo batida que sobe prá cabeça rapidinho], uma meladinha [cachaça com ervas - normalmente tomada para comemorar o nascimento de um bacuri (criança)], um CGC [cachaça com cravo, gengibre e canela, curtida {em infusão} por semanas], ou mesmo uma grade [que é a caixa completa da cerveja mesmo].


acarajé com camarão


lambreta

Aconselho comer alguma coisa, antes e durante a água-dura. O tira-gosto pode ser um acarajé, um abará, uma passarinha (baço de boi frito fatiado), uma lambreta ou um caldo de feijão ou de sururu, tudo isso é bom para dar sustançadar forças, dá tesão). E não se espante se lhe chamarem para jogar um palitinho (porrinha).

Agora, não vá encher a cara (beber demais) e  também não vá ficar dando consumição (preocupação, agonia) aos amigos ou cartar (sacanear, gozar com a cara) com quem não conhece senão pode rolar um furdunço (confusão) da gota.

E também não vá entupir o rabo de cana   e  ficar "encheno" [*1] o saco (chateando) como um corno (prá cacete, demais) pois pode ouvir um vá te catar (vá prá porra, não enche o saco), e aí  o tempo vai fechar(o pau vai comer solto, briga) e no dia seguinte, voce vai tá pedindo prá morrer (com uma vergonha imensa) do que aprontou.





Outra coisa, se fôr beber liso, leso e louco (duro, sem grana) e tentar dar birroespeto ou dar um beiço (sair sem pagar a conta) cuidado que pode entrar num esparro (entrar numa fria)  e aí fuder a porra toda (confusão, olha ela aí de novo).

E se ouvir alguém dizer, vou ver miguel, não ligue não, ele/ela vai apenas ao banheiro, provavelmente, tirar água do joelho (fazer xixi, urinar) ou verter água (idem).

Reiterando o que disse mais acima, se beber demais  e ficar cheio do pau, ficar lavado, pronto (bêbado) tá se "arriscano" a chamar cachorro de cacho, jesus de genésio,  telepatia de tia de pelé (trocar as palavras), dar rasteira em cobra (cambalear, trocar as pernas) e pior, dar o vexame de chamar hugo ou chamar raul (vomitar), ou um vexame pior ainda, morgar (dormir) na cadeira.



cocadas


Outra coisa, quando começarem a pedir a saideira,  a ideira a antepenúltima, a de cortesia, a de Jair, é porque já vão pedir a  dolorosa (a conta).

E se voce fõr, ou queira,  sair no lixo (sair depois que a festa termine, que o bar feche, o último) e aí , só jogando o barro na parede (indireta), jogando um agá (conversa convincente) prá sair a última derradeira. Só não vá ficar uzeiro e vezeiro (acostumado) que pega mal e voce vai ficar com moral de jegue (sem moral, sem respeito).



praia de Busca Vida,  na estrada do côco

E se no dia seguinte amanhecer de ressaca, não conte conversa (não pense duas vezes, não vacile), dar um mergulho ( vá a praia) e tome uma água de côco, bem geladinha.

Juízo!


[*1] - Baiano que é baiano engole a letra "d" do gerúndio :
- Qué que cê tá fazeno? - eu tô durmino
- caminhano e cantano e seguino a canção,
- onde você tá "ino" ? tô "ino" na lavagem do Bonfim.


Fontes:
Expressões e terminologias
- Entreouvidos nas ruas, becos, bares, botecos e cacetes-armados;
- Dicionário de Baianês, de Nivaldo Lariú

Texto de apoio
- de minha autoria ( Eita!)