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Viva o povo brasileiro!
Havia resolvido, por questão de princípio e senso estético, não me pronunciar sobre o entendimento “situacional” que o Presidente da República tem a respeito do povo brasileiro. A ideia era plagiar a revista Piauí quando do passamento de Michael Jackson: “nenhuma linha a respeito”. Extraordinário!!!
Ocorre que divisei aqui na minha estante o livro Viva o Povo Brasileiro de João Ubaldo Ribeiro e logo pensei: viva este povo que será retirado, pelo presidente Lula, da “m... ” (sic) em que se encontra. Aliás, nesse universo, o da “m... ” (sic), ninguém mais competente que ele, Inácio da Silva. O “cara” deixou a configuração “uma atrás da outra” e passou para “uma em cima da outra” tal a quantidade que produz.
Para quem não soube, não leu ou se esqueceu, vou relembrar o fato. Em novembro do ano passado, num evento de campanha no estado do Maranhão, Inácio afirmou que o povo brasileiro vive na “m... ” (sic) e, emocionado, prometeu tirá-lo de lá.
Por vezes fico enternecido com tamanha sinceridade, mas é uma pena que a maioria dos eleitores não perceba tal circunstância da mesma forma que percebo. Após sete anos de governo (isso mesmo, sete anos) o chefe reconhece que seu povo, aquele que o elegeu e reelegeu, está na “m... ” (sic).
Um meio amigo, com registro na OAB, acredita que estamos assim por conta da herança maldita de 45 anos de governos anteriores. Esse pessoal desinformado ou mal intencionado repete, anos a fio, a mesma lengalenga esquecendo que foi durante tal período que o atual presidente saiu da condição nada agradável em que nasceu, no sertão pernambucano, para ascender ao posto máximo da república, apesar da ferrenha ditadura por que passamos.
No período em questão, parte significativa da população brasileira emergiu sócio-economicamente à custa do trabalho, sacrifício e das oportunidades oferecidas. É certo que uma minoria alcançou o “papel higiênico” salvador, montada em oportunismos. Não foi o caso do Lula!
O povo está mesmo na pior: perdemos a saúde com a presença da dengue, da meningite e da gripe suína e com a ausência de leitos, remédios e vacinas. Só não faltam ambulâncias superfaturadas, num escândalo pouco lembrado.
A educação foi para o “beleléu” e a escola pública virou espaço para a prática da violência e comercialização de drogas, sem falar da estúpida manipulação dos alunos em direção a questionáveis conceitos marxistas. Nem mesmo o provão do ENEM livrou-se do atoleiro geral.
O povo está assim porque a reforma agrária, ao contrário do que se esperava, em nada caminhou nos últimos anos. Não é interesse do governo desmobilizar o movimento dos sem terra, posto que lá se estabelece o conveniente emprego de práticas guerrilheiras – recrutamento de contingente, doutrinação, invasão de propriedades, enfrentamento urbano, inimputabilidade jurídica.
Contra todas as evidências, o presidente garantiu tirar o povo da “m... ” (sic). Acredito! Dentro de um ano o Sr. Inácio da Silva, por enquanto filho do Brasil, deixará o cargo e também o poder – espero – o que será suficiente para que o país e seu povo voltem a respirar um ar menos carregado de tamanha boçalidade.
(*) André Carvalho não é jornalista, é "apenas" um cidadão que observa as coisas do dia-a-dia. Um free lancer. Ou segundo sua própria definição: um escrevinhador. Seus sempre saborosos textos circulam pela web via e-mails.

