Oui, a França tem um Lulinha
Entrevistado pelo programa matinal da emissora de radio francesa Europe 1, o ouvinte parisiense vocifera: “Non, non… et non! A França não é uma República bananeira nem é a terra de Omar Bongo!” Bem, está longe, mas tem seu Lulinha.
Ou uma versão embalada em ternos conspicuamente bem cortados, capaz de produzir argumentos articulados e desafiadores. Vereador por Neuilly-sur-Seine, suburbio chique de Paris, ele tem 23 anos e cursa o segundo ano de Direito. Seu maior atributo político, no entanto, figura na Certidão de Nascimento. Trata-se de Jean Sarkozy, o filho caçula do presidente da França.
Acusado de beneficiar-se de nepotismo, o jovem ganhou o apelido de “Príncipe Jean” no país cujo Antigo Regime monárquico terminou com o rei guilhotinado sob júbilo popular em praça pública.
Jean Sarkozy está prestes a assumir a presidência do EPAD, a estatal responsável pela política urbanista do La Defense, distrito financeiro nos arredores de Paris. O espaço de 1,5 quilômetro quadrado que mais cresce na Europa e tem um projeto de renovação orçado em 1,5 bilhão euros de investimentos públicos, abriga mais de 1.500 empresas — 14 entre as 20 mais lucrativas da França — e que empregam 150.000 funcionários.
A medida do mérito dispensa o número de anos e não se pode criticar alguém em função da sua paternidade. O caso de Jean chama atenção pelo ineditismo. Jamais na história da V República francesa um jovem universitário e inexperiente foi dar expediente em posto tão elevado de organismo estatal.
Este tipo de cargo, na grande maioria das vezes, é disputado palmo a palmo entre experientes ex-alunos da Escola de Administração Pública francesa.
A questão é sensível na França. Não há ponto no planeta onde as reações são tão virulentas quando há suspeita de que o mérito passa pela consanguinidade dinástica .
charge de Rico
“Qual é o mérito de Jean Sarkozy além de ser filho de papai?”, pergunta. Jean responde: “O que quer eu faça ou diga, sou criticado.”


