quinta-feira, 22 de outubro de 2009

André Carvalho: E o Nobel da Paz vai para ...!





Por André Carvalho (*)

btreina@yahoo.com.br






Assim não dá
Assim não dá, assim não pode!!! Passaram uma rasteira no Lula e no Brasil. O Premio Nobel da Paz, edição 2009, o mais cobiçado galardão da face da terra, foi concedido ao Presidente dos Estados Unidos da América, Senhor Barack Obama.

A decisão do parlamento norueguês frustra setenta por cento da população brasileira, algo em torno de cento e quarenta milhões de pessoas, que acreditavam piamente na escolha do Lula. Dentre estes, uns trinta milhões de fanáticos tinham plena convicção de que a honraria era uma barbada e só não havia sido anunciada até então para não confundir os compatriotas, ainda emocionados com a escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016. Uma coisa de cada vez para não bagunçar a cabeça do povo.

Obama foi escolhido por seu trabalho em prol do desarmamento e pela paz entre os povos. Ele vem desarmando tudo à sua volta, exceto o Afeganistão, o Irã, a Coréia do Norte, o Haiti e a Faixa de Gaza. A estratégia do afro descendente mulçumano americano (olha o politicamente correto ai, gente) não foi percebida por nenhum de nós, nem mesmo pelo competentíssimo Marco Aurélio Garcia, assessor do governo para assuntos externos.

Ao nomear Lula como “o cara”, Obama desarmou nosso presidente na guerra pelo prêmio Nobel colocando-o num pedestal imaginário de grandes estadistas da humanidade e retirando qualquer originalidade de uma possível escolha pelos nórdicos.

O maior desarmamento, contudo, Obama conseguiu junto à esquerda festiva brasileira, sempre muito bélica em relação aos Estados Unidos, e que hoje empresta dinheiro para o FMI. Migramos do conhecidíssimo “fora FMI” da época em que o Partido dos Trabalhadores era oposição para o “somos FMI” dos dias atuais. Haja desarmamento!!! Há muito não vejo, nem mesmo nas invasões do MST, uma placa “Yankees go home”.

Para os brasileiros, na verdade, esse prêmio pouco importa. Nosso negócio é futebol. Desconheço quem cite os últimos cinco Nobel da Paz. Difícil, não é mesmo? Vou avivar sua memória: Wangari Maathai do Quênia; Mohamed Elbaradei do Egito; Muhammad Yunus de Bangladesh; Al Gore dos Estados Unidos e Martti Ahtisaari da Finlândia. Lembra deles? Pois é.
Em compensação, sabemos de cor e salteado a escalação do time que jogou a final da copa do mundo de cinquenta e oito, quando derrotamos a Suécia por cinco a dois: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Zito, Orlando e Nilton Santos, Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagalo.

Um amigo meu, petista de quatro costados, afirma categoricamente que Lula não foi escolhido porque os noruegueses, em conchavo com a Academia de Estocolmo, aproveitaram a oportunidade para vingar aquela final. Como Lula só pensa em futebol... É possível, é possível!!!

Não se desesperem companheiros petistas, porque no ano que vem LILS será agraciado, com certeza. Um cara importante como ele, que repete a mesma ladainha onde quer que vá – precisamos acabar com a fome no mundo, precisamos acabar com a fome no mundo – certamente receberá o prêmio. Até mesmo para calar sua voz, posto que os últimos dez ou quinze agraciados sumiram do cenário internacional sem deixar pistas.

Creio que temos chance de ganhar também o Nobel de Literatura, pelo conjunto da obra discursiva do presidente e pelos artigos que publica – só não sei se os escreve – em muitos jornais do país.

Para quem esperou vinte anos por uma vitória eleitoral, 2010 está pertinho.

(*) André Carvalho não é jornalista, é "apenas" um cidadão que observa as coisas do dia-a-dia. Um free lancer. Ou segundo sua própria definição: um escrevinhador. Seus sempre saborosos textos circulam pela web via e-mails.