para a charge on line
Texto de Antonio Luiz Almada (*)
Eles que se cuidem!
Meu pai não era louro nem tinha olhos azuis, mas eu sou um produto em crise. Já não posso ver, nos jornais nacionais de rede, um banqueiro europeu ou norteamericano dando entrevista, que tasco para minha mãe, que me faz sala nessa hora, com seus 85 e avançado Alzheimer:
aquele é o Anticristo!
Como duvidar, se foi sentenciado pelo home daqui para o homem de lá, com manchetes na imprensa mundial?
Então, mergulhei no fundo da questão: jamais tivemos um presidente louro, nem de olhos azuis, daí nossa felicidade tropical e incontestável vitória na luta contra a corrupção e as marolinhas.
Claro, numa crise dessas a vitória é gradual, configura-se após batalhas e mais batalhas e começa no meio do cotidiano. Por exemplo, acabo de denunciar um condômino do prédio onde moro, que anunciou sua pretensão de candidatar-se a síndico. E por quê? É louro e tem os olhos verdes.
Essa raça tem que procurar o seu lugar! Imagine o Gabão, o Sudão ou a Somália povoados por louros de olhos azuis? Teríamos um continente africano miseravelmente corrupto, com uma minoria abastada de bônus e “subprimes”, e um mercado financeiro exportando recessão e tsunamis para todo o planeta.
E estou de olho, pois se Evo Morales ou Hugo Chavez resolverem pintar os cabelos, acaju que seja, vou iniciar daqui um movimento pró-moreninho-indinho-crioulinho, e que eles vão cheirar e mastigar em outro lugar.
Depois do sábio pronunciamento de nosso mestre maior foi que passei a entender o porquê da justeza de nosso mercado financeiro, da lisura de nossos políticos e da grandeza de nosso Judiciário.
Imagine um Sarney, um Maluf, um Collor, um Luís Estevão, um Lalau, e milhares mais, todos louros e de olhos azuis? Como justificar nossos votos e solidificar nossa certeza de que estamos no caminho certo e nada nos deterá na Rodada de Doha, justamente no Qatar, país de pele negra e cabelos crespos?
É por isso que - perdão, católicos! – não acredito que Jesus Cristo tenha sido louro e de olhos azuis. A maioria dos antropólogos e pesquisadores já disseram que ele tinha um pé na cozinha, como o nosso ex-presidente FHC.
Quanto ao Lulinha paz e amor – ou o Lulão, terror dos gringos - ele bem sabe que tanto nas fronteiras mexicanas quanto nos aeroportos da Europa, jogam duro com nossos morenos porque seriam uma ameaça ao emprego de louros e arianos nos mercados europeus e norteamericanos. O presidente está certo, eles que se cuidem!
(*) Antônio Luis Almada é jornalista.
(*) Antônio Luis Almada é jornalista.

