quinta-feira, 5 de março de 2009

Bobagem, sexo é vida.


Escrito por Antonio Luis Almada (*), especialmente para este blog.


Bobagem, sexo é vida.
- Vocês querem camisinha? - poderia ter mercado o Presidente Lula, do alto de seu camarote no sambódromo carioca, despachando preservativos para a multidão. Na Quarta de Cinzas veio a resposta da Igreja Católica, pelos cardeais de São Paulo e de Salvador, nas entrelinhas de sempre, mas sem perder a veemência dos santos homens.
Ser rigorosamente contra qualquer método anticonceptivo é cláusula pétrea do dogma romano, que apregoa o sexo exclusivamente como meio de reprodução, abalroando fundamentos científicos e/ou filosóficos mundo afora. Em outras palavras, os casais legalmente formados sob os altares católicos, também mundo afora, não poderão desistir de aumentar a prole enquanto o fogo arder, sob pena de praticarem o libidinoso sexo para fins pervertidos.
Pode? Imagine Donas Marias nas periferias das cidades, na mais longínqua zona rural ou nos tórridos infernos africanos, com a prole já além da conta, tendo de entender de ovulação, ciclo menstrual e regras de fecundação, para praticarem o sexo livre sem risco de trazerem mais filhos para este mundo.
E como na maioria das mulheres o ciclo menstrual é irregular, a perigosa tabela sempre falha, e tome-lhe mais filho! Cresce a mortalidade infantil, o índice de marginalidade entre jovens, a fome, as DST, mas... tome-lhe mais filho!!!
Enquanto não pular da Arca de Noé, a Igreja Católica vai continuar perdendo espaço e adeptos em todo o mundo. Hoje, famílias numerosas, para manterem uma vida socialmente digna, precisam inicialmente de um respaldo financeiro que contemple assistência total a todos os seus membros, coisa que nem o Estado nem a Igreja oferece, principalmente em países do chamado terceiro bloco. Não é uma regra absoluta, mas quase isso.
Sou dos que acreditam que a evolução do homem somente ocorre pelo aperfeiçoamento de seus elementos - corpo e alma - e esta só se dá pela saturação, ou, em outras palavras, pela realização de todos os seus desejos.
A perversão maior está em negar essa satisfação ao próprio corpo, um "pecado" contra a própria Natureza, daí a busca furtiva do prazer sob o manto da escuridão, como ocorre no seio da própria Igreja.
Quando o sexo tornar-se banal e desnecessário, lá pelos últimos andares de sua escada evolutiva, o homem saberá aplicar sua energia criadora não liberando-a pelos órgãos sexuais, mas transformando-a em energia consciente e purificando-se pela subida de Kundallini, quando ele estará pronto para assumir a estatura de um Cristo.

(*) Antônio Luís Almada é jornalista.