Texto do jornalista Antonio Luis Almada (*).
Quem aposta nas reformas?
Vem aí mais um novo ano e as propostas de reforma na vida pública brasileira permanecem no limbo. A reforma política, anunciada há décadas, não sai porque, se efetivada em modelo civilizado, manda para o inferno a maioria de nossos imprestáveis políticos. Dela constaria, por exemplo, o voto distrital misto, que forçaria o deputado a fazer o que ele menos gosta, que é trabalhar pela comunidade que o elegeu, além do fim da obrigatoriedade do voto, que instituiria o voto democrático, do livre arbítrio, e fulminaria os currais eleitorais, principalmente no interior do país. Isso sem falar nos abomináveis partidos nanicos, criados e alimentados por pilantras em busca de vitrines e negociatas de gabinete. Mas para compensar, o valoroso Congresso Nacional está aprovando uma enxurrada de mais 7.343 vereadores para as Câmaras Municipais de todo o país. Nada não, um acréscimo de R$ bilhões no orçamento público, ou, melhor falando, 80% do que o governo federal gasta com o Bolsa-Família. Para que serve um vereador neste país? Já a reforma tributária, é tanto quanto indesejada por governadores e prefeitos, e um dos gargalos está no ICMS, que os Estados produtores querem "na fonte", e os mais pobres querem "no destino". Os prefeitos chiam que vai haver perda no FPM, que é o fundo da sobrevivência da maioria deles, principalmente em municípios emancipados nas coxas, por obra e graça dos carreiristas de plantão. Não fosse a crise, que ainda vai tirar biscoito de boca de criança, e não haveria reajuste no Imposto de Renda. Foi modesto, mas pelo menos, foi. A verdade é que pequenos e médios empresários, realmente os que criam empregos no país, continuam com a dura corda do fisco no pescoço, porque o governo não abre mão de arrecadar e o Presidente Lula obedece fielmente ao ex Fernando Henrique quando se trata de modelo da política econômica. Se um cidadão bem informado ler os textos já propostos para essas duas reformas, verá que estamos a anos luz de um sistema verdadeiramente democrático. Enquanto nos países com sistemas políticos já sedimentados o Estado existe para servir ao cidadão, criar-lhe facilidades para que exerça suas prerrogativas e desfrute com justiça dos benefícios que o país pode lhe propiciar, no Brasil o cidadão é sempre o alvo secundário, transformado em elemento de terceira classe por uma burra e perversa democracia. Até prova em contrário, todos somos um perigo para a intocabilidade do Estado. A principal reforma, porém, continua à espera de um presidente "macho", inteligente e bom de briga: a reforma da educação. Se eles pensam que instituir sistemas de cotas, para pobres e negros, vai levar a qualquer aprimoramento da política educacional, vão cair do cavalo mais adiante, quando a evasão escolar, ou o desemprego de profissionais desqualificados, vai mostrar, na ponta do lápis, o prejuízo financeiro e cultural para o país e para a sociedade em geral. Pior é que não vejo ninguém à frente que pense em apertar o botão da modernidade na base sócio-política nacional. Eles só pensam em economia. (*) Antonio Luis Almada publicou neste blog 39 artigos sob o pseudônimo de Andres Viriato.
Vem aí mais um novo ano e as propostas de reforma na vida pública brasileira permanecem no limbo. A reforma política, anunciada há décadas, não sai porque, se efetivada em modelo civilizado, manda para o inferno a maioria de nossos imprestáveis políticos. Dela constaria, por exemplo, o voto distrital misto, que forçaria o deputado a fazer o que ele menos gosta, que é trabalhar pela comunidade que o elegeu, além do fim da obrigatoriedade do voto, que instituiria o voto democrático, do livre arbítrio, e fulminaria os currais eleitorais, principalmente no interior do país. Isso sem falar nos abomináveis partidos nanicos, criados e alimentados por pilantras em busca de vitrines e negociatas de gabinete. Mas para compensar, o valoroso Congresso Nacional está aprovando uma enxurrada de mais 7.343 vereadores para as Câmaras Municipais de todo o país. Nada não, um acréscimo de R$ bilhões no orçamento público, ou, melhor falando, 80% do que o governo federal gasta com o Bolsa-Família. Para que serve um vereador neste país? Já a reforma tributária, é tanto quanto indesejada por governadores e prefeitos, e um dos gargalos está no ICMS, que os Estados produtores querem "na fonte", e os mais pobres querem "no destino". Os prefeitos chiam que vai haver perda no FPM, que é o fundo da sobrevivência da maioria deles, principalmente em municípios emancipados nas coxas, por obra e graça dos carreiristas de plantão. Não fosse a crise, que ainda vai tirar biscoito de boca de criança, e não haveria reajuste no Imposto de Renda. Foi modesto, mas pelo menos, foi. A verdade é que pequenos e médios empresários, realmente os que criam empregos no país, continuam com a dura corda do fisco no pescoço, porque o governo não abre mão de arrecadar e o Presidente Lula obedece fielmente ao ex Fernando Henrique quando se trata de modelo da política econômica. Se um cidadão bem informado ler os textos já propostos para essas duas reformas, verá que estamos a anos luz de um sistema verdadeiramente democrático. Enquanto nos países com sistemas políticos já sedimentados o Estado existe para servir ao cidadão, criar-lhe facilidades para que exerça suas prerrogativas e desfrute com justiça dos benefícios que o país pode lhe propiciar, no Brasil o cidadão é sempre o alvo secundário, transformado em elemento de terceira classe por uma burra e perversa democracia. Até prova em contrário, todos somos um perigo para a intocabilidade do Estado. A principal reforma, porém, continua à espera de um presidente "macho", inteligente e bom de briga: a reforma da educação. Se eles pensam que instituir sistemas de cotas, para pobres e negros, vai levar a qualquer aprimoramento da política educacional, vão cair do cavalo mais adiante, quando a evasão escolar, ou o desemprego de profissionais desqualificados, vai mostrar, na ponta do lápis, o prejuízo financeiro e cultural para o país e para a sociedade em geral. Pior é que não vejo ninguém à frente que pense em apertar o botão da modernidade na base sócio-política nacional. Eles só pensam em economia. (*) Antonio Luis Almada publicou neste blog 39 artigos sob o pseudônimo de Andres Viriato.

