A festa que as normas abafam
É hoje. Hoje é dia de escolher pessoas em que você confia para prefeito e vereador, sair de casa com os números anotados e votar. Não caia na besteira de achar que são todos iguais. Não são: Pedro Simon é um, Severino Cavalcanti é outro. Não escolha um candidato porque tem nome engraçado, tipo Zé Mané do Pau Torto. Quem vai achar graça é ele, e quem vai pagar-lhe o salário é você. Pena que num dia de festa democrática as normas que engessaram a campanha criem um clima que é tudo, menos festivo. As cidades parecem sem vida, já que tudo é proibido (qual o mal que pode ocorrer se, em um dia a cada dois anos, as ruas estiverem cobertas com o papel dos santinhos dos candidatos?). Proibição, já dizia o lema das barricadas de 1968, é coisa ruim – tão ruim que nesta eleição impediu boa parte do eleitorado de escolher direito seu candidato a vereador. Não, não dá para escolher um candidato a vereador naqueles dez segundos de televisão em que uma pessoa promete lutar por alguma coisa. É preciso fazer com que os candidatos cheguem aos eleitores – com papel, com propaganda, com alguma coisa que mostre o que são, ou fingem ser. É preciso aproveitar melhor o tempo na TV – e isso obriga à reforma política, que elimine uma batelada de partidos de aluguel e tire da TV os candidatos que dizem chamar-se Barraco Obrahma, ou coisa parecida. Porque não há horário gratuito que aguente a infinidade de Rôla Neles que só estão lá para ocupar espaço e tentar ganhar na loteria. Em Salvador, a coisa foi engraçada. O presidente não podia se manifestar, já que dois dos candidatos são ligados a seu esquema: o prefeito João Henrique, PMDB, que tenta a reeleição, é apoiado por Geddel Vieira Lima, ministro de Lula, e Walter Pinheiro, PT, tem o apoio do governador Jaques Wagner, o favorito de Lula. Fora isso, Lula detesta o petista Walter Pinheiro, que criticou seu Governo na época do Mensalão. Qual a saída? Uma edição de TV. A equipe de Pinheiro pegou um discurso de Lula a favor de Jaques Wagner, de dois anos atrás, e editou-o de tal maneira que parece que o presidente dá apoio ao candidato de hoje. Problemas éticos à parte, saiu muito bom. Enganou direitinho.
