sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Ufa, não somos os últimos!

Sandra Paulsen, casada, mãe de dois filhos, é baiana de Itabuna. Fez mestrado em Economia na UnB. Morou em Santiago do Chile nos anos 90. Vive há quase uma década em Estocolmo, onde concluiu doutorado em Economia Ambiental. Este artigo foi retirado do BlogdoNoblat
Olimpíadas: acumulando frustrações
Das doze medalhas de ouro esperadas, até agora, a Suécia ainda não ganhou nenhuma em Pequim, no que vem sendo chamada de “a pior performance sueca numa olimpíada desde 1904”, quando, aliás, o país nem participou.
Agora, a situação não é nada boa e o pior de tudo é que os suecos estão em último lugar na comparação com os demais países escandinavos (Dinamarca, Noruega e Finlândia). Tudo isso, é claro, motiva gozações na vizinha Dinamarca, onde os jornais citam, sem dó, o que um jornalista sueco escreveu em seu blog sobre os jogos: “Se querem ouvir o hino nacional sueco, então procurem no YouTube”.
Primeiro, foi a queda de Susanna Kallur, logo no início da corrida na semifinal dos 100 metros com barreiras. A atleta, que jamais havia caído antes numa prova, saiu da pista em lágrimas.
Depois, foi o maiô de Therese Alshammar, cujo zíper quebrou e não quis subir, justo antes da semifinal dos 50 metros nado livre, acabando com o sonho sueco da medalha de ouro na natação.
Ara Abrahamian, grande esperança para a medalha de ouro na luta livre, protagonizou um escândalo quando, eliminado da final, venceu a luta pelo bronze e depois jogou a medalha no chão, em protesto pelas decisões dos juízes.
As meninas do futebol lutaram bravamente, mas perderam frente à Alemanha.
Na classe Star, na vela, até quarta-feira passada os suecos esperavam que Fredrik Lööf e Anders Ekström fossem os vencedores, já que se encontravam numa posição de grande vantagem frente aos demais competidores. Na quinta, os velejadores suecos chegaram a se jogar na água após a prova, comemorando o que pensavam ser a medalha de prata. Só que havia um erro no painel: chegaram em décimo, e não em nono lugar, como indicado. O protesto formal não foi nem aceito e, no final, os frustrados suecos ficaram mesmo é com o bronze, atrás dos britânicos e dos brasileiros Robert Scheidt e Bruno Prada.
Por fim, Stefan Holm traria para casa o ouro no salto em altura. Acabou ficando com o quarto lugar, sem medalha, provocando manchetes como a do jornal City Stockholm: “Aqui morreram os jogos olímpicos”.
Os maus resultados vão-se acumulando e a frustração aumentando a cada dia. As esperanças, para evitar o que os suecos consideram um fiasco total, estão, agora, depositadas no salto em distância de Carolina Klüft, de quem se espera a marca dos sete metros (Nota do pilórdia: Na prova em que a Maurren Maggi conseguiu a medalha de ouro, a sueca não alcançou o pódio).
Outras possíveis medalhas poderiam vir do ciclismo, da canoagem, do tênis de mesa e do tae kwon do, mas esses são, todos, esportes que não contam muito para os suecos em geral.
Só uma vez na história das participações suecas em olimpíadas, em Seul 1988, o país ficou sem medalhas de ouro. Mas naquele ano, os suecos pelo menos voltaram para casa com um total de onze medalhas, entre prata e bronze. A conclusão é que o número oito, o número da sorte na China, definitivamente não traz sorte à Suécia.
Nota do Pilórdia: Até este momento a Suécia conquistou 5 medalhas , sendo 4 de prata (duas no ciclismo , uma no hipismo e uma no tênis) e 1 de bronze na vela.