Eu também não sei de nada
Não fosse minha ferrenha resistência aos irresistíveis apelos ergofóbicos deste blog, não estaria mais aqui digitando ilações para alimentar chips e plaquetas que ainda me suportam. É que, depois do governo do PT e da consagração de Paulo Coelho como escritor-guru das hordas universais, assalta-me a terrível sensação de que nada mais vale a pena, só mesmo involuntária força hercúlea para respirar incondicionalmente.
Não fosse minha ferrenha resistência aos irresistíveis apelos ergofóbicos deste blog, não estaria mais aqui digitando ilações para alimentar chips e plaquetas que ainda me suportam. É que, depois do governo do PT e da consagração de Paulo Coelho como escritor-guru das hordas universais, assalta-me a terrível sensação de que nada mais vale a pena, só mesmo involuntária força hercúlea para respirar incondicionalmente.
Nem mesmo lendo as últimas notícias me animo, e penso na sábia e original frase de minha avó: "Este mundo está perdido". E estaria mesmo, se ela visse o encorpado Ronaldo trombando com musculosos zagueiros alemães para depois posicionar-se em decúbito diante de dois travestis; ou um impiedoso sargento impondo táticas de guerra a seu pelotão, para depois enfornar robalos em inusitado campo de batalha.
Claro, tudo isso pode parecer irrelevante frente aos graves problemas constitucionais por que passa o Brasil, mas temos mais com que nos preocupar ultimamente. Com a banalização da corrupção e da roubalheira na vida pública, precisamos estar atentos aos repentinos sobressaltos sociais, principalmente agora que o SUS passará a oferecer cirurgia gratuita de mudança de sexo. Aí, sim, a dança da galinha passará a ser tradição dentro e fora do Congresso, o que pode ser institucionalizado via projeto da senadora Ideli Salvati.
É certo que nada disso significa muito para a salvação da Amazônia, mas revela algum progresso nesses quase 20 anos de Constituição. Afinal, de 88 para cá, só Ulysses Guimarães e Dona Mora não puderam ver quanto representam os mais de 2 mil itens que compõem nossa Carta Magna.
Foi justamente com base em uma de suas cláusulas pétreas - a educação é um dever do Estado - que o governo criou as cotas raciais e sociais, numa demonstração de que a pétrea-mãe - todos são iguais perante a lei - é relativa e tem tudo a ver com as pesquisas que Dona Dilma manda realizar em Brasília.
Se analisarmos sem má vontade esses 20 anos de Constituição-cidadã, vamos constatar que o Brasil ganhou duas Copas, o Cristo Redentor passou a ser maravilha do mundo e a Saúde não extinguiu o parto sem dor, permitindo a cesariana tal como sempre foi nos hospitais públicos. Não é porque Clodovil elegeu-se deputado federal que tudo estará perdido, pois novas medidas saneadoras estão a caminho, para que tribos ainda desconhecidas do alto Amazonas não sejam socializadas pela Funai sem autorização do Ibama.
Tenho saudade de minha avó. Quando ela me dizia que "tatu com dois rabos, corta-se um", parecia preconizar a eleição de Lula e o que viria depois. Mas aí, foi rabo demais, não há pet shop político que possa, neste momento, resolver o imbróglio. O homem já se auto-comparou a tudo (pouco) de mais ou menos bom que tivemos, de José de Anchieta para cá, numa clara prova de que rabo demais é topete traseiro.
Recolho-me a passageira ergofobia, e quando meu editor começar a me cobrar o texto da semana, recorrerei a indiferente e despropositada sabedoria presidencial: não sei de nada...
*Nota do Editor: Parece que a ergofobia é contagiosa, está se alastrando que nem fogo no mato seco.
