quarta-feira, 5 de março de 2008

Juízo, Senhores!

Texto de Andres Viriato.

Juízo, Senhores!

Jornalista que cobre a área policial encontra, quase sempre, no livro de ocorrências das delegacias, o termo "briga de vizinhos", às quais, se não resultam em morte, delegados e agentes dispensam pouca ou nenhuma importância. A lembrança me vem agora com o affaire Equador-Colômbia-Venezuela, que devem ter muito mais o que fazer do que gastar tempo e dinheiro, que não têm, e vidas humanas em querelas que só serviriam para quebrar o velho ritmo pacífico deste torrão latino-americano.
Sufocada por uma guerra de guerrilha que tem lhe tirado o sossego há mais de uma década, a Colômbia, segundo maior em dimensão e terceiro mais rico da América do Sul, não hesitou em pular a cerca equatoriana e aproveitar a rara oportunidade de eliminar um grande líder das FARCS, o velho Castro, segundo nome da elite guerrilheira local.
Pegou mal, invasão de território fere leis internacionais, mas nada que as vias diplomáticas não amenizem e solucionem. É bom lembrar que constantemente o Brasil teve - e ainda tem - seu território amazônico violado, tanto por traficantes quanto por exploradores de flora e fauna, mas nem por isso carregou sua bereta e ameaçou apertar o gatilho. Recorreu às vias diplomáticas e revelou sua posição de, a partir de então, abater os intrusos.
Pois bem, a quem interessa uma guerra fronteiriça no Continente? Sem dúvida, a Hugo Chavez, um pseudo caudilho esperto e sem escrúpulos, que vai usar a força do ouro negro para estender sua dominação Venezuela afora.
Quem é Rafael Correia e o que é o Equador? Um poço de petróleo e muita miséria, condição que favorece ao pretensioso Chavez, espécie de braço financeiro das FARCS e inimigo ferrenho do presidente Álvaro Uribe.
Com bodoques ou bacamartes, em caso de um conflito armado o Equador só tende a perder - se é quem tem algo a perder. Com forte apoio dos Estados Unidos, a Colômbia terá como resistir a qualquer tentativa de invasão bélica de seu território, e tudo resultará numa guerra de guerrilha interminável.
Minha conclusão é que nunca a América do Sul teve tanto "cavalo doido" em posição de comando, e se o populismo dá lugar ao desvario, caso do aventureiro Chavez, o perigo é iminente e o inesperado pode acontecer.
Logo agora que a América do Sul começa a dar sinais de crescimento econômico e evolução em seus índices sociais? Ora, senhores, juízo! Reúnam-se os três presidentes e vão discutir a questão, diplomaticamente, no paraíso de Galápagos, e vejam que não vale à pena ensanguentar o paraíso de paz que sempre foi o continente.
Já basta o verdadeiro massacre que os espanhóis, principalmente eles, promoveram na América Latina, dizimando milhões de vidas nos velhos tempos do colonialismo usurário.