quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O pior do Futebol.

A foto aí de cima pode dar a impressão de que o post se trata de alguma exposição sobre motocicletas, mas não. É sobre futebol mesmo. Mais concretamente sobre o lado obscuro do amor pelo esporte. 'Pasión en las gradas' (Paixão nas arquibancadas) é o resultado de cenas de violência, racismo e intolerância praticados por torcidas de todo o mundo.
A mostra, em cartaz na Fundação Caixa Madri, em Barcelona, reúne 400 fotografias, além de objetos lançados nos gramados, entre eles esta motocicleta, jogada (depois de ter sido queimada!!!???!!) no campo do estádio de San Siro, em Milão, durante uma partida Inter de Milão-Atlanta.
O cartaz que vocês vêem no fundo da foto foi levado pelos torcedores do Lazio ao Estádio Olímpico de Roma no dia 29 de Abril de 2001. Chamar o time de futebol de ‘Squadra de negri’ (Equipe de negros, em italiano) foi a maneira que eles encontraram de potenciar todo o racismo da torcida, - Cafu, por exemplo, já foi vítima -, também conhecida pelo preconceito em relação aos judeus. Em 1996, os seguidores mais radicais do Verona 'enforcaram' este manequim negro para protestar contra a contratação do jogador holandês Ferrier. A pressão foi tamanha que clube desistiu de contratá-lo. Cinco anos depois, o jogador de Camarões, Patrick Mbomà, que jogava no Parma, acabou não sendo levado para o Verona pelo mesmo motivo.
Em 2002, a torcida azulgrana lançou uma cabeça de leitão no Camp Nou, durante um Barça-Madri. A vítima era o jogador português Luis Figo, que começava então sua segunda temporada com o time madrilenho. A que se vê na mostra é uma réplica em formol.
Considerado um 'traidor' por ter trocado uma equipe pela outra (mania que os torcedores têm de achar que um jogador é traidor porque muda de time, como se ele tivesse a obrigação de jogar a vida inteira num mesmo clube. Trabalho é trabalho. Acaso as pessoas não mudam de emprego?), Figo também foi retratado como uma prostituta pelos azulgranas, que levaram uma boneca inflável para o estádio e em suas costas pintaram o número 10.

Essa partida, aliás, foi interrompida durante 16 minutos devido à quantidade de objetos lançados no gramado, entre eles garrafas, bolas de golfe e até um celular. Para a mostra, como não, também foram trazidas verdadeiras armas que só de olhar e imaginar o uso que tiveram (ou poderiam ter tido) dá medo. A fotografia já diz tudo: correntes, facas, um revólver etc etc etc.
Há gosto pra tudo. Esse caixão pertence a um torcedor, que mandou construí-lo com as cores do time alemão Borussia Dortmun.

Na exposição também se pode ver uma série de fotografias sobre a tragédia no estádio de Heysel, em Bruxelas, durante a final da Copa da Europa, em 1985, entre Juventus de Turin e Liverpool, que acabou com 39 pessoas mortas; e relembra os diversos enfrentamentos - graves - entre as equipes de Honduras e El Salvador durante as três partiddas classificatórias para a Copa do Mundo de 1970.
Aterrorizante. Depois de ter passado por Alemanha e Suíça, a mostra bem que poderia ir ao Brasil. Não creio que mudasse a situação por aí, mas enfim, um pouco de conscientização não vai mal...
por Ana Beatriz Marin em seu blog Mosaicos de Barcelona