quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Fidel, pijamas e novelas.

por Andres Viriato.

Lá se vai ele para o ostracismo, terrível reclusão para quem pontuou quase toda sua existência a partir das lides da caserna. Dizer que Fidel Castro foi o único Chefe de Estado rigorosamente marxista do mundo ocidental, no século 20, como o fez a Rede Globo em seu Jornal Nacional de 19, é omitir importantes figuras do cenário internacional, como, por exemplo, Salvador Allende, no Chile, e Enver Hoxha, na Albânia, para citar apenas dois próceres afins. Isso porque o manifesto comunista veio justamente de Karl Marx, daí serem inidissociáveis o comunismo e o marxismo, que nos dias atuais alimentam apenas quixotescos sonhadores da política mundial.
Indiscutível que Fidel foi o maior exemplo de resistência, obstinação e fidelidade política da história universal. Assassinou impiedosamente os inimigos políticos do regime, e não tinha autorização para fazê-lo, como Mr. Bush Júnior; torturou cruelmente seus prisioneiros políticos, mas para isso também não tinha autorização, como Mr. Bush Júnior. Entre o totalitário e o republicano, Fidel tornou-se um "programado para resistir", enquanto Bush Júnior um "programado para matar".
Mesmo com seus sistemas de educação e saúde considerados modelos para países do chamado Terceiro Mundo, Cuba vive sua extrema miséria, isolada do novo mundo objetivo e distante das imprescindíveis benesses que a tecnologia vem proporcionando ao mundo moderno. O embargo econômico dos Estados Unidos coloca a ilha atrás até mesmo da Albânia, que vem buscando sair da miséria abrindo portas para o mundo ocidental, e do Vietã, ainda comunista mas com todos os viés para o capitalismo, como a China atual.
Mais cedo ou mais tarde cuba cede, seja através de seu novo comandante, Raul Castro, ou do que vier a lhe suceder, pois os Castros já não têm idade para longos vôos. Não acredito, porém, que cuba ceda ao governo republicano de George Bush, que lhe tem sido inflexível. Mas se o democrata Barack Obama chegar à presidência, será não apenas um novo paradigma na principal potência mundial, como poderá abrir uma nova era na política internacional.

Chico Pinto - Lá se foi o último guerreiro genuinamente comunista da política nacional. E dizer que seu MDB transformou-se no PMDB de Geddel, Sarney e companhia repulsiva. Dizem que também Niemeyer é comunista autêntico, mas não concordo. Talvez um comunista híbrido, cultor do capital e da propriedade privada, condições antagônicas às propostas do velho Marx. Na Bahia, pelo menos, Chico Pinto foi o único comunista de valor a chegar ao século XXI. Como será o encontro entre Deus e um comunista autêntico?