quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A estrela (de) cadente

Texto de Andres Viriato.
A velha "capacidade de indignar-se", tão citada pelos teóricos políticos, é fichinha diante do inevitável enojar-se, sentir asco e repelência pelo que vem acontecendo neste governo da estrela vermelha. O caso dos cartões corporativos será apenas mais um daqui a pouquinho, quando outro escândalo virá sucedê-lo e, pior, tudo ficará como dantes em todos os abrantes.
A sensação que tenho é de que o crime compensa na vida pública brasileira. Passada a palhaçada dos interrogatórios das CPIs, os réus voltam a ser mocinhos, reassumem suas funções, ninguém devolve nada do que furtou descaradamente dos cofres públicos e o povo - o chamado povão- ainda aplaude e vota novamente no facínora.
Em pouco tempo a política do abafa e do "estamos conversados" que reina no Congresso Nacional, pardieiro público (que me desculpe a séria minoria), pântano moral de nossa vida pública, leva tudo para o limbo do "fizemos nossa parte"...
A lama que respinga para todas as direções fragiliza as principais instituições do país e isso é um perigo para a consolidação da democracia. Apesar de nada comandar nem ter qualquer aptidão para administrar coisa alguma, temos um presidente esperto.
Qual o problema? Ele governa para as elites do poderio econômico - nunca os ricos ficaram tão ricos e os banqueiros lucraram tanto - e para as classes C e D, pingando-lhes no pires a ilusão de uma vida consumista sem esforço. E são, justamente, as duas fatias do mercado eleitoral que elegem qualquer mortal, pela força da grana e pela maioria esmagadora. No meio, a classe média, a que mais aciona a consciência política, espremida e arrochada. Quem sabe para onde vamos?

A maré e a barragem - Foi a única explicação convincente que até agora recebi sobre a mortandade de peixes nas áreas de Santo Amaro, Saubara, Cabuçu e adjacências, à qual biólogos e técnicos atribuíram ao fenômeno maré vermelha.
Nascido e criado em Saubara, onde a família era dona de grande parte das terras, Francisco Borges Reis, o Chico, é pescador e caçador, com passagens inclusive pelo Rio Amazonas em busca de tucunarés.
Discutiu com biólogos, técnicos do Estado e de empresas privadas, mas não conseguiu - nem conseguiria - convencê-los de que a causa da mortandade dos peixes foi justamente a enxurrada de água doce que a barragem de Pedra do Cavalo despejou no mar.
Simplesmente, as comportas foram abertas ante o grande volume de chuvas na área, comprometendo a oxigenação da água salgada.. Segundo Chico, fosse problema de algas - e na área não há algas, ele prova - não teriam morrido apenas xangós, peixes miúdos, semelhantes ao xixarro. E garante que houve pescador que viu indivíduos estranhos atirando em urubus que desciam para comer os peixes, para tentar provar que os peixes estavam envenenados.

Andres Viriato