segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Droga? Basta uma.

Escrito por André Carvalho, em 14 de dezembro de 2007
btreina@yahoo.com.br
Samba Zero

A primeira reação foi de estupefação; em seguida de incredulidade; depois um sorriso e, por fim, sonoras gargalhadas. Por mais que evite sempre termino na galhofa a apreciação dos acontecimentos emanados pelo governo federal. As coisas são engraçadíssimas! Refiro-me agora à solenidade ocorrida dias atrás, em que foram destinados, via Petrobrás, doze milhões de reais para as escolas de samba do Rio de Janeiro. Da solenidade participaram o metamórfico ambulante Lula, a ítalo-brasileira Mariza e o afro-baiano Gil, além de duas dezenas de engravatados senhores, representantes eméritos dos grêmios recreativos cariocas. Senti falta somente de afro-descendentes do sexo feminino, em sumários trajes e desmedidos saltos, a rebolar as portentosas ancas como sempre ocorre em eventos ligados às escolas de samba.

Seguindo a linha estratégica do governo acredito que temos aí mais um PAC. Desta vez do samba, cuja marca bem poderia ser Samba Zero. O risco é a aceleração do PAC bagunçar o andamento dos desfiles. Não creio muito, eis que seria o único caso de PAC acelerado.

O enredo da dotação intui que com os doze milhões arranjados pelo governo, o crime organizado perderá poder e prestígio nas escolas de samba e por extensão, na sociedade carioca. Isso foi dito em alto e bom som pelo governador Sérgio Cabral, porta voz do encontro, mal terminada a reunião. O bom baiano também se pronunciou, mas de uma forma tão alegórica que entendi somente o a!, ah!, é!, é!, eh!!!!.

Ou é muita incompetência ou uma deslavada jogada eleitoreira.

Doze milhões de reais representam apenas trinta por cento do gasto anual das escolas, sendo que os demais setenta, virão de outras fontes, contraventores e bicheiros incluídos. O governo não sabe, mas quem tem maioria, manda. Quem abastece mais, manda mais. É a lei do mercado. Os bicheiros continuarão dando as cartas. A única diferença é que deixarão de gastar esses doze milhões patrocinados, “inocentemente”, pelo governo. É uma bela compensação pela retirada das máquinas caça-níqueis.

A opção para tamanha incompetência só pode ser a tese de injetar dinheiro com o propósito de angariar, na comunidade do samba, apoios e votos, bem como percentuais de aprovação nas pesquisas de intenção que recomeçam a habitar o cenário político do país e que influenciam, sobremaneira, os eleitores menos esclarecidos e majoritariamente estabelecidos.

A inabilidade da turma do Palácio do Planalto é de rachar corações. O precedente está aberto. As escolas de samba de São Paulo merecem também uma graninha, pois lá, o crime organizado atua forte e em alguns casos, comanda. E o que dizer do Corinthians? Alugado e dirigido pela máfia russa, como desconfia a Polícia Federal, o time do presidente terá que ser objeto de profundas injeções de recursos governamentais, no mínimo, para se fazer justiça com a “galera”, formada principalmente, por órfãos do estado. Justiça mais que social, daquelas que tanto gosta o transmudador ambulante Lula, pela profusão de votos que rende.

Sugiro que o governo patrocine e organize, via empresas públicas e agências de publicidade, (onde detem, com Duda e Valério, comprovado “know-how”) festas “rave” e bailes “funks” de forma a reverter a influência do crime organizado nessas paragens, reduzindo, até a extinção, o consumo de “ectasy”, cocaína e outras drogas menos votadas. Tenho até um “slogan” que cedo aos “marqueteiros” de plantão:

Droga? Basta uma.