quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Meu voto é de qualidade

Escrito pelo jornalista Andres Viriato.

À primeira vista pode ser grosseiro ou desabafo de esquerda radical, mas quando digo que com meu voto vagabundo nenhum se elege mais, estou apenas dando uma resposta à altura do que merece a maioria dos mercenários que fazem a vida política brasileira. Quando vejo o "material humano" que temos no Congresso Nacional, em nossas casas legislativas e no comando de nossas principais instituições, passo a admitir, infelizmente, que a indignação substituiu a esperança e que o túnel parece interminável o suficiente para, enfim, acenar com qualquer tênue réstia de luz.
Não aceito mais ouvir que meu voto é minha arma. Há cerca de 30 anos que a tenho no coldre de minhas expectativas, na ilusão de que a estava sacando e utilizando-a de forma correta, e terminei engrossando o populoso contingente de eleitores traídos. Para quem não atua na política, este é o máximo do "faça sua parte" do eleitor, hoje inócuo, um desperdício de tempo e de perspectivas.
Nunca o país chegou a um estado de degradação moral como este em que se encontra. Quem aposta em quem quando se clama por mudanças? Quantos Jeffersons Peres, Pedros Simons - para citar dois, claro que há mais - serão necessários para infestar a vida pública de decência e comprometimento com as verdadeiras causas da nação? A propósito, faço este comentário ao ouvir do governador de Minas, Aécio Neves, a afirmativa de que vai fazer da suposta namorada, atual Miss Brasil, a primeira-dama do país.
Lembra-me o reggae do então governador de Alagoas, Fernando Collor, num boteco em Pequim, quando seu então escudeiro, Paulo César Farias, garantiu que faria dele o próximo Presidente do Brasil, principalmente por ser jovem, bonito e bom de mídia. O povo engoliu mais esse, deu no que deu, e vai continuar engolindo outros iguais, porque o povo brasileiro, como diria a ex-ministra Zélia Cardoso de Melo, é "apenas um detalhe", ignorante e incauto, o verdadeiro patrocinador das aberrações de nossa (in) cultura política.
E por falar em política, já dá o que falar a intempestiva campanha para as eleições de 2008, e a mídia tem muito a ver com tudo. Fala-se até em tabela de preços para apoio poítico, já incluindo as eleições de 2010, para deputado e governador. E tem gente atropelando gente, inclusive a ética, com respaldo de quem pode e manda, para fazer girar a roda da fortuna. Tudo isso virá à tona no tempo certo.