terça-feira, 16 de outubro de 2007

Liderança Fatal.

Artigo escrito por Maria Ines Dolci.

Tristes campeonatos e péssimas lideranças continuam a vicejar no Brasil. Somos campeões mundiais em acidentes de trânsito. Temos uma das maiores taxas de juros do Planeta. Uma das maiores desigualdades de renda. E São Paulo contribui (?) com 1% dos homicídios do mundo, embora tenha 0,17% da população mundial.
Pois bem, qual o maior risco à vida, nos dias de hoje, além dos acidentes de trânsito, na região (Grande SP) que responde por 1% dos homicídios do mundo? E que, com o Rio de Janeiro, tem metade dos assassinatos do Brasil? Quem deveria assegurar o nosso direito de ir-e-vir sem ser assaltados, seqüestrados, feridos e mortos seriam os governos federal e estaduais, principalmente, com participação subsidiária dos municípios.
Parte dos impostos cobrados, extorsivamente, no Brasil, se destinaria a nos garantir segurança pública.Mas não temos segurança pública pela incompetência e descaso das autoridades para com esse direito dos cidadãos, que também é um dos direitos do consumidor, do contribuinte, do eleitor.
As polícias são mal aparelhadas, mal pagas e mal treinadas. Não há uma política nacional de segurança digna deste nome. Permanece a dicotomia entre Polícias Civil e Militar, com comandos e objetivos diversos. Além disso, há uma confusão entre direitos humanos e combate à violência, inclusive em nossas leis, extremamente lenientes com os criminosos. Que, mesmo no caso de tarados homicidas, ganham o direito à liberdade nos finais de semana, como se viu, lamentavelmente, no caso dos dois meninos brutalizados e mortos na Serra da Cantareira, em São Paulo.
Bicheiros, traficantes e outros criminosos podem até ser presos, mas a Justiça parece ter dificuldade em mantê-los atrás das grades. Armamentos de alto poder letal são vendidos via fronteiras – ou, o que é pior, desviados de quartéis para as mãos de criminosos. O crime é organizado, o combate ao crime, não. A defesa dos direitos dos criminosos é veemente, emocionada e ampla. Ninguém comparece, contudo, aos velórios das vítimas para prestar solidariedade.
Esta inversão de valores, somada à inoperância de quem deveria garantir o direito de trabalhar e de viver em paz, faz com que as platéias aplaudam excessos contra criminosos mostrados no filme “Tropa de Elite”. Estamos todos fartos de ouvir muito blá-blá-blá sobre segurança, mas perceber que quase nada é feito nessa área. A cada dia, nos enjaulamos mais em casa, e em carros com vidros fechados, tremendo de medo e rezando para que nada aconteça a nós e a nossos familiares, amigos, colegas e vizinhos.
Enquanto isso, bem, a preocupação dos responsáveis é assegurar os recursos da CPMF até o fim dos tempos.