Escrito por Andres Viriato(*).
Ainda não foi desta vez que o ex-futuro ministro do Crédito a Longo Prazo, Mangabeira Unger, emplacou um posto de vital importância para o sucesso da administração pública do governo petista. Mas nem por isso o velho desafeto, que pode ter olhar de lince e padrinho caixa alta, deixará de ocupar um Ministério lulista, mesmo que seja o Só Ares Marinho, que a faixa litorânea brasileira não é espaço para galopadas em curto prazo.
Por decreto, como vem a nova pasta, qualquer caudilho emplaca até a centenária bisavó, mesmo que para administrar práticas de fisioculturismo. E por falar em fisioculturismo, não é pequeno o peso que nós, cidadãos brasileiros, carregamos para sustentar tantos órgãos públicos imprestáveis e pagar os salários - muito generosos, diga-se de passagem - de tantos aspones e vampiros das veias do erário. Neste ponto, a bem da verdade, o presidente Lula apenas cumpriu o roteiro viciado do velho script, nomeando todo o seu elenco do "sol, sal e poeira", que gratidão não é como saudade, dá e não passa...
Talvez por acordarem de longo sono letárgico, alguns "rebeldes" da Câmara Federal já sugerem o fim do Senado, isto é, do regime bicameral, e apontam regimes europeus, em sua maioria, que vão muito bem com apenas seu parlamento e com isso correm menos riscos de ocorrências como os Renans da vida. Sabem quantos hospitais, escolas públicas e estradas poderiam ser construídos com a economia gerada pelo fim do apêndice expletivo? Sem falar nos benefícios morais para a população, que não estaria sujeita a ver e ouvir o que lá dentro se passa, porque já basta o que ocorre no salão ao lado.
Mas se decidirmos acabar com os expletivos da vida pública brasileira, nos níveis estadual, federal e municipal, poderemos ter uma vida de primeiríssimo mundo e ainda sobrar dinheiro para amenizar a fome e a miséria no terceiríssimo mundo. Secretarias e órgãos públicos de Estados e Municípios, criados apenas para acomodar a turma "de casa", tribunais de contas de Estados e Municípios, Ministérios e Secretarias Extraordinárias e tantos outros expletivos cuja serventia é zero, mas que nós sustentamos com nossos impostos suadíssimos. Que tal começarmos pelos cargos de vice?
(*) - Andres Viriato é jornalista.
