sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Artista implanta orelha em braço e cria polêmica

Um artista australiano criou polêmica ao implantar uma orelha no próprio braço. Stelarc, codinome do cipriota de nascença Stelios Arcadiou, 61 anos, quer no futuro implantar um microfone próximo à orelha, para captar o que estiver sendo "escutado".

O implante do órgão, nesse caso uma prótese feita de cartilagem humana, causou reações de cirurgiões, que questionaram a realização da operação, já que ela não tinha necessidade clínica. Stelarc utiliza o próprio corpo como plataforma para os seus trabalhos, que mesclam instrumentos médicos, próteses, biotecnologia, elementos de robótica, sistemas de realidade virtual e Internet.

O artista já suspendeu seu corpo por cabos de aço, amplificou ondas cerebrais, operou uma terceira mão robotizada e filmou seus pulmões e estômago. Stelarc disse que precisou de anos para encontrar um cirurgião disposto a realizar o implante da orelha.

Sua intenção sempre foi testar limites do corpo, e numa de suas ações mais impactantes, realizada numa galeria de Tóquio em 1979, Stelarc passou três dias imobilizado entre duas grandes tábuas suspensas, com as pálpebras e a boca costurados com linha cirúrgica. Após a experiência, no entanto, confessou que seu maior problema não foi alguma dor, e sim a dificuldade que teve para bocejar, pois isso não estava previsto acontecer.

Sua pesquisa que explora o interior do corpo humano e o torna público inicia-se em 1970 com o projeto Amplified Body (Corpo Amplificado). Primeiro, Stelarc filmou seu esôfago e 2 metros de seus intestinos para entender o funcionamento do seu corpo, numa época em que a tecnologia das microcâmeras era incipiente e restrita a medicina.
Em seguida, começou a desenvolver aparatos que captassem e amplificassem seus sons corporais mais internos, como o correr de fluídos, o ranger dos ossos e cartilagens, a deglutição e a respiração.
Assim, por 24 anos o artista-pesquisador se dedicou a aprimorar uma espécie de multiprótese-armadura gigante para ser “vestida”, e que reage automaticamente a cada movimento do performer emitindo, por amplificadores, ruídos estrondosos ou agudos, luzes e batimentos graves, numa espécie de concerto mecânico movido por descargas corpóreas. Para a demonstração, Stelarc surge nu, coberto de fios e ferros, com cabos ligados a computadores e eletrotransmissores de todo o tipo.