quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Ninguém segura o Axé-Babão

por Andres Viriato (*),

Quem entende um pouco de política baiana certamente não arrisca um centavo na solidez da aliança PMDB-PT, manhosamente alinhavada pelo ambicioso carreirista político Geddel Vieira Lima, no rastro de seu ingresso na linha de frente do governo Lula. O que Geddel está plantando com suas andanças pelo interior baiano, sob pretexto de percorrer as cabeceiras do rio São Francisco? E o que pretende com seu assédio ao prefeito João Henrique, de quem arrancou importantes cargos na gestão municipal?
Não é segredo para os entendidos - aqui no sentido pedagógico - que a grande ambição do Sr. Geddel, pra começar, é o Palácio de Ondina, cuja ladeira de acesso sempre lhe foi íngreme e intransponível. E como nunca teve chances reais em todas as sondagens e pesquisas a que já se submeteu, vê, agora que detém importante cajado político, a rara oportunidade de fazer saldo positivo em sua balança eleitoral, a partir da manipulação das atribuições e prerrogativas quer lhe concede o Ministério da Integração Regional.
Certo, mas Geddel é apenas um cara-pálida na imensa oca de caciques petistas.Vem aí o primeiro teste, as eleições municipais de 2008, e o PMDB - leia-se, Geddel - sem qualquer novo candidato de expressão, vai ter que decidir entre apoiar a reeleição de João Henrique, de seu partido, ou o insistente Nelson Pellegrino, que tapou os ouvidos ao apoio de Lula a JH e já disse que quem conhece as mumunhas da política baiana é ele, o próprio. Claro, qualquer que seja o apoio de Geddel será negociado com vistas a 2010. Ou não?

E como ficaria 2010? O grande adversário, que seria o DEM, ex-PFL, agora é cinzas, tanto quanto o insosso PSDB; Jaques Wagner sonha com um palácio mais amplo e mais distante, e todos sabem que é o nome preferido do presidente Lula, e não há, no PT, outro nome que empolgue nos palanques. Resta, então, o medíocre PMDB, inteiramente manipulado por Geddel, que na hora certa apresentará seu próprio nome, com a expectativa de preencher seu tempo de horário político com as obras que espera realizar pelo interior baiano até o fim de sua gestão.
Como se vê, não há, no cardápio político, nada que estimule o apetite do chamado eleitor consciente. Esta é a Bahia política do momento.

NEPOTE É O PAPA
Nepotismo é termo originário do latim nepote, que significava "sobrinho do Papa", sempre recomendado pelos pontífices a um empreguinho na cúria, outro na diocese, e lá se vai... Agora, não satisfeito com os milhares de parasitas já empregados nos oásis federais, o Presidente Lula propõe criar mais 35 mil cargos de confiança em seu governo, para uma despesa anual superior a R$3,5 bilhões. Está claro para onde vão os impostos que nós pagamos, e a decência na vida pública que se lixe.
(*) Andres Viriato é jornalista.