Arrisco afirmar que nenhuma obra, de pequeno ou grande porte e que dependa de recursos federais, será realizada pelo prefeito João Henrique até outubro de 2008. Em resumo, nada que proporcione alguma visibilidade política ao prefeito João Henrique terá passagem livre na cancela "oposicionista" do PT, que sonha com a dobradinha Wagner-Pellegrino no comando do Estado, já visando a abrir caminhos para 2010.
Como Salvador só arrecada para pagar a folha do funcionalismo e pintar meio-fio das principais avenidas, o alcaide está jogando seu cacife na aprovação do PDDU, que já fez um tour inglório de sala em sala e agora estaciona nas comissões da Câmara, que já disse que não aprova nada neste ano, como quer o prefeito. E é smples: aprovado o texto como se encontra, haverá uma corrida imobliária para ocupação de valorosos espaços de nossa orla, o que significa um novo filão de arrecadação para os cofres municipais, que o prefeito pode aproveitar para lançar obras ainda a tempo de mostrar trabalho com vistas à reeleição.
Não é à toa que obras importantes para a cidade e que contam com alguma participação da Prefeitura, como a recuperação do trecho Amaralina-Jardim de Alá, a Via Portuária e, mais importante, o metrô, estão paradas e/ou quase parando, e não somente por falta de recursos federais ou do Estado. Os "guerrilheiros" petistas jamais conceberiam João Henrique discursando na inauguração de alguma delas, pontuando, de qualquer maneira, na corrida sucessória, que para os bastidores já começou desde o início deste ano.
João foi denotativo mas estava certo quando disse que Salvador apoiava-se em duas muletas - à esquerda o Estado, à direita o governo federal. E paga por ter sido ingênuo suficiente ao abrir totalmente a guarda para o pretensioso PT e o ambicioso Geddel Vieira Lima. Somente ele acredita que terá o apoio de um dos dois em sua carreira à reeleição. E, como o infante imberbe, lamenta e chora o que sua imaturidade política não foi capaz de perceber desde que assinou o termo de posse no Thomé de Souza. (*) Andres Viriato é jornalista.
