quarta-feira, 19 de setembro de 2007

E lá vou eu nas nuvens.

Escrito por Andres Viriato (*)
Como não acredito mais em solução harmoniosa para a crise institucional em que o país está mergulhado - aliás, crise de falta de vergonha mesmo, falta de caráter e de respeito para com a nação brasileira - prefiro recorrer a George Orwell e seu 1984, e viver minha ficção política, a meu modo, e, claro, sem o machartismo e o absolutismo tirano de Orwell.
Para início de conversa, esse é um recurso cardiologicamente profilático, isto é, não me abalei ao ver hoje na mídia a notícia de que um deputado baiano custa mais de R$65 mil mensais aos cofres públicos, isto é, nosso dinheiro sustentando parasitas, gigolôs do sistema, peças inúteis de uma engrenagem mórbida. Viva quem trabalha de verdade, mesmo ganhando R$380 mas sendo honesto.
Bem, na minha ficção georgiana, um cavaleiro venusiano possuidor de galáticos poderes fecha o Congresso Nacional com um só golpe de espada, e manda deputados e senadores, primeiro, para uma escola política de democracia e civilidade, e depois para o trabalho como cidadãos comuns, para que eles aprendam o que significa ganhar a vida decentemente e através dos próprios esforços.Somando-se todas as casas legislativas do país, teríamos, generosamente, uma imensa população de venusianos justiceiros e vigilantes instaladas em terras tupiniquins.
Todo o dinheiro arrecadado com os impostos do cidadão seria carimbado, destinado à saúde, educação, habitação, infra-estrutura, e toda terra produtiva seria explorada por cooperativas, sem a presença do Estado mas com regras infalíveis de distribuição da produção, o mesmo acontecendo na saúde, na educação, na habitação, setores nos quais não haveria a presença do investidor privado, sem qualquer possibilidade de comercialização.
Comunismo? Socialismo? Não arrisco sufixar minhas ficções, mas estaria recompensado ao ver que todos teriam o direito de ouvir o galo cantar em renovadas manhãs, na certeza de que seria mais um dia profícuo de famílias edificadas em sólidas bases de direitos conquistados, de igualdade, de justiça e de ausência de apreensão em torno da mesa do café da manhã, do almoço e da santa ceia de cada dia.

(*) Andres Viriato é jornalista.