quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Um tempo para líderes.

Por Andres Viriato (*)

Nunca os tempos foram tão propícios ao surgimento de novas lideranças políticas quanto neste início de século. Salvo JK, a quem historiadores consideram um estadista, a herança política do século XX, trazendo em seu bojo um golpe militar, tem sido altamente nefasta para o establishment político da nação, que vê seus políticos e suas principais instituições caírem em descrédito e em desgraça junto à opinião pública.

Lembram-se da UNE? Pois, ali estava uma das principais escolas de iniciação política do país, responsável pela formação e projeção no cenário nacional de inúmeros representantes de várias gerações. A UNE, enquanto "nossa força e nossa voz", era a principal porta de entrada do jovem na vida pública, até que o golpe de 64 fechou suas portas, transformando-a no que é hoje: uma célula partidária fornecedora de carteiras de estudante, com as graças dos que a manipulam.

Hoje, o jovem entra na vida pública geralmente levado por mãos familiares, de quem herda o estilo, quase sempre retrógrado, e os velhos vícios de fazer política, nada acrescentando para mudar nada vezes nada, e o resultado é o que vemos atualmente: um Congresso Nacional desacreditado, sem uma lideraça influente, o mesmo ocorrendo com os demais poderes, mambembes e arranhados quando se trata de auto-sustentação moral.

Com a ascensão do PT a governo e a aplicação das mesmas práticas ilegítimas de sustentação do poder, pode-se concluir que a falta de vergonha é generalizada e que a diferença entre um partido político e outro na vida pública brasileira reside apenas nas consoantes de suas siglas. Acuado, o eleitor se pergunta: em quem confiar?

Aí está, como diria qualquer pensador de boteco: na política brasileira tudo hoje "é japonês", com raríssimas exceções, sufocadas pela maioria ordinária. Quem arriscaria futuras mudanças com os nomes postados até aqui para 2008, 2010? E de onde podemos esperar sair um nome confiável, revolucionário, que acabe com a bandalheira que se tornou a vida pública brasileira? Bem, não importa o berço, mas o tempo é para líderes. Urgente!
(*) - Andres Viriato é jornalista.