
O Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Lingüística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua e de Os limites do discurso.
Muita gente não gosta nem de ouvir falar do tema, muito menos dos exemplos, mas não adianta evitá-lo. Se existe uma verdade indiscutível a respeito das línguas é que elas mudam. A regra vale para absolutamente todas.
Se alguém confrontar o grego antigo com moderno, o alemão antigo com o moderno, o inglês antigo com o moderno, o português antigo com o moderno vai perceber o óbvio: muitas formas que havia desapareceram e formas novas tornaram-se correntes. Além disso, muitas formas que achamos que são novas são de fato antigas, bem antigas. Às vezes, só sabemos delas por meios indiretos, especialmente porque eram condenadas. Ora, não seriam condenadas se não fossem usadas. Querem exemplos? Aí vão dois ou três.
No final de sua conhecida Carta, Caminha pede um favor ao rei em troca da boa notícia que lhe deu. Eis o trecho: "E pois que, Senhor, é certo que, assim, neste cargo que levo, como em qualquer outra coisa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro - o que d'Ela receberei em muita mercê".
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