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Em 10 de abril de 2010.
Bin Bin no Brasil
A imprensa não destacou o fato, como seria razoável, possivelmente por estarmos em tempos de Nardoni no júri, Dilma no palanque, Bancoop no Ministério Público, Arruda na cadeia e pedofilia no Vaticano. Isso sem falar de outras coisas de gênero semelhante. Contudo, jamais é tarde para se debater questões relevantes, sobretudo aquelas que dizem respeito aos direitos humanos.
Na segunda quinzena de março, Omar, um dos filhotes de Osama, lançou – o quê em se tratando dos Bin Laden é sempre perigoso – um apelo para que o Qatar, os Emirados Árabes ou qualquer outro país, mesmo que ocidental, receba os vinte e três membros de sua família que estão, por medida de segurança, em prisão domiciliar no Irã, desde 2001. Temos aí uma questão humanitária.
Quando se fala em prisioneiro, o Brasil dá “banho”. Lula e alguns de seus ministros estão revendo e redirecionando o pensamento mundial em mais esta grave questão: Cesare Battisti, que é um bandido comum, segundo a polícia e a justiça italiana, para nosso governo é “preso político” enquanto que os encarcerados anticastristas, em Cuba, são iguais aos nossos bandidos comuns. É uma nova visão das coisas. Uma visão estúpida é bem verdade, mas não pode ser desconsiderada, pois emana do “soberano”.
Podemos receber a família Laden e hospedá-los, com toda a segurança, no lago sul de Brasília, na Favela da Rocinha carioca ou, em última instância, na zona sul paulistana. Com os novos caças supersônicos adquiridos após grandes negociações – não vamos falar em negociatas – somos capazes de garantir paz e segurança a esta simpática família.
Com os Laden, em terras brasileiras, Lula e seu partido podem resolver outro grave problema que atormenta a segurança imobiliária e cooperativista da república: o caso Bancoop. Para quem anda desapercebido das questões nacionais, e não são poucos, o Bancoop é a Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários de São Paulo, que vendeu e não entregou uma “montanha” de imóveis a seus associados. Não entregou porque não construiu. Não construiu porque desviou a grana que os ingênuos cooperativados pagaram.
Pelo que diz o Ministério Público, parte do dinheiro alimentou o caixa dois da campanha de Lula à Presidência da República, em 2002, e parte alimentou uma turma de cidadãos, petistas em sua maioria, que estavam próximos ou dentro do esquema. Sempre há um esquema quando o “partido da ética” está no lance! Seguindo a linha de raciocínio futebolística do Presidente até parece equipe treinada por Wanderlei Luxemburgo, o rei dos esquemas e das táticas.
Em contrapartida ao ato humanitário de recebimento dos vinte e três membros da família do Osama Bin Laden, o governo LILS poderia solicitar que todos se associassem a tal cooperativa habitacional que construiria uma mansão para cada um deles. Dinheiro não é problema para os árabes e o lucro auferido pelo “esquema”, evidentemente superfaturado, serviria, se ninguém pusesse a mão antes, para construir e entregar o que prometeram e venderam aos incautos bancários paulistas.
O gesto de boa vontade e oportunismo do presidente se revelaria fundamental em suas pretensões de alcançar a Secretaria Geral da Organização das Nações Unidas – ONU – primeiro de seus desejos, desde que desconfiou, após o “piripaco” da pressão alta, que sua eternidade durará pouco.
(*) André Carvalho não é jornalista, é "apenas" um cidadão que observa as coisas do dia-a-dia. Um free lancer. Ou segundo sua própria definição: um escrevinhador. Seus sempre saborosos textos circulam pela web via e-mails.