Amigos, estive lá ontem e foi maravilhoso. Repertório eclético e interativo. Nesta quinta-feira é a última oportunidade para ver - quem ainda não viu - e rever, se voce quiser passar mais uma noite super agradável.
Valeu, Gilvan - para quem não sabe, Gilvan Quadros - por intermédio de sua Sigma Relógios - foi um dos que incentivaram e viabilizaram a realização desse belíssimo espetáculo.
Mais abaixo, leiam as palavras de Luiz Cláudio Guimarães sobre este espetáculo performático que é o Coronlaine 10 anos.
Coronlaine - Uma noite na óperaLuiz Cláudio Guimarães
A música pode ser definida como um resultado da organização de fenômenos acústicos de modo a produzir um efeito estético harmonioso e agradável. Um fluxo de impressões dirigido por uma dosimetria equilibrada de sons e silêncios. A matemática a serviço do prazer e da alegria. Enfim, a arte das musas. Digamos que o conceito de música se especializou, guardando uma certa autonomia em relação ao executor. Naturalmente que não foi sempre assim. Houve uma época em que a expressão musical máxima se confundia no Coro. De fato, não se conheceu manifestação cultural mais complexa, bela e tão fundamental para o desenvolvimento das artes que enfeixava: o Canto, a Poesia e a Dança. Por sua junção, brilhavam os cantores de outrora frente ao Altar de Dionísio. Até que um dia veio a se perder o senso dionisíaco do mundo, a partir do que houve até quem cantasse sem poesia, poetas que recitavam sem música e outros que ouviam música sem dançar. Foi o início de uma tragédia antigrega muito monótona e monoteísta. Onde os Deuses? Verdade? Fantasia? As brumas do tempo ofuscam o lume das nossas certezas. Nessa Boehemian Rhapsody, quem puxou o gatilho? Com ou sem você? (With or Without You). Essas questões sonoras e existenciais são apenas parte de muitas outras que o Coronlaine propõe no show do seu 10º. aniversário. Nesses dois lustros, a admirável orquestra de vozes perfomáticas da Bahia aperfeiçoou a sua proposta de resgatar o coro grego, cantando world music em pelo menos quatro idiomas. E por isso também dançam os seus integrantes de twist a tango. Não declamam, mas as letras das músicas que cantam são poemas belíssimos. Verdadeiras pérolas da lírica universal. Bridge Over Troubled Water de Paul Simon propõe uma solução que pode salvar o desesperado personagem da Boehemian Rhapsody, o carro-chefe do album A Night At The Opera de Queen, aliás aquela que foi considerada a melhor música pop de todos os tempos em votação feita no ano de 2008. Ouvir Beatles Medley é como viajar no tempo, recapitulando os anos mais doces e inocentes de nossas vidas. Mas felicidade mesmo é bailar La Bamba, relembrando o furacão Ritchie Vallens (I see a little silhouette of a man), para depois transcender com WanaBaraka, canção religiosa queniana, e constatar o virtuosismo de 39 vozes na versão personalizada do musical América. Uma apoteose. E tudo isso sob a impecável regência do lépido Maestro Cícero Alves.
A temporada curtíssima no Teatro ACBEU encerra-se na quinta-feira próxima (hoje, 'as 20:30 hs). Ninguém deveria perder um show assim. Até Bismillah deveria ir. Let him go!
